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Administrador De Pessoal: Uma Mudança Gradual

No dia 03 de junho é comemorado internacionalmente o dia do administrador de pessoal. Mas antes de falarmos mais sobre este dia, faço uma pergunta: para você, leitor, qual a definição de administrador de pessoal?

Voltemos um pouco no tempo e analisemos os fatos. Administração é uma tarefa que existe desde o surgimento do ser humano. Em nossa história são inúmeros os nomes que se destacaram de várias formas por liderarem pessoas. Líderes estão presentes em quaisquer grupos de pessoas, de forma definida ou informal e sempre são referências ou formadores de opinião.

Leitores mais velhos devem se lembrar da época em que a palavra “trabalhar” significava pontualidade, cumprimento de todas as obrigações e, como contrapartida, receber o salário no final do mês. E só. Esta é uma definição antiga de forma de trabalho, apesar de infelizmente ainda existir em algumas organizações. Enfim, uma época em que o trabalhador era visto apenas como um cumpridor de tarefas que poderia ser substituído a qualquer momento.

Para muitos, o administrador de pessoal é aquele profissional alocado no antigo (mas não menos importante) Departamento Pessoal – DP. Desde o advento da criação da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, na década de 40 as principais atribuições do DP eram o cumprimento da legislação trabalhista, rotinas puramente burocráticas (admissão, férias, folha de pagamento, recolhimento de impostos e demissões), sem a participação nas decisões estratégicas da organização.

Também era demasiadamente em excesso o volume de trabalho do DP: a informática ainda engatinhava e praticamente todas tarefas eram elaboradas de forma manual gerando grandes volumes. Horas extras eram comuns, o trabalho era realizado por trabalhadores comprometidos que se identificavam com aquelas tarefas, mas que aos olhos dos demais colegas de trabalho eram diferentes e temidos.

Porém com o passar do tempo, o surgimento de algumas importantes variáveis foram mudando o DP e o perfil de seus profissionais. Podemos observar, dentre vários, o mapeamento do comportamento psicológico do trabalhador, o reconhecimento do capital humano, participação de projetos sociais, a globalização, o surgimento das classes sindicais, a concorrência acirrada e a inclusão desta área nas decisões estratégicas dos negócios da organização, variáveis mais presentes nas organizações a partir da década de 80.

A partir deste período surgiu um novo profissional, com um perfil voltado ao desenvolvimento e ao bem-estar dos trabalhadores dentro e fora das organizações, vendo-os como essência e não somente como parte integrante dela. Assim, pode-se dizer que surgiu o profissional de Recursos Humanos e, claro, a área de Recursos Humanos – RH. No meu ponto de vista a área de RH (ou capital humano, talentos humanos, como preferir) é a grande responsável pela flexibilização e desenvolvimento da relação entre organizações e trabalhadores.

Basicamente, todos os novos conceitos e estudos relacionados ao trabalho têm surgimento em um RH qualquer ou em uma grande reunião para troca de conhecimentos. Os resultados realmente surpreendem, pois podemos observar as mudanças nas relações trabalhistas e o perfil dos novos trabalhadores quando comparados com os trabalhadores de décadas atrás.

Alguns até chegaram a acreditar que o RH surgiu para aposentar o velho DP, tamanha a força que ele chegou a ter nas organizações. Este ponto de vista este bem equivocado. A administração é fundamentada por regras e disciplinas (legislação e suas aplicações), obtendo sucesso quando observamos, porém, que os envolvidos precisam ser ouvidos, compreendidos e respeitados.

Neste momento o DP e o RH se convergem tornando-se um grande é único centralizador do conhecimento e estratégias a serem aplicadas, analisando a organização e os trabalhadores em isolados e como um único conjunto, visando a perfeita harmonia e desenvolvimento de ambos.

Portanto, sempre haverá a correlação direta entre ambas, com seus profissionais trocando conhecimentos dentre si, capazes de deterem os conhecimentos sobre legislação e relações humanas e trabalhistas, aplicando-os nas organizações em busca de resultados, do ponto de vista financeiro e intelectual.

Afinal, aplicar novos conceitos fundamentados em estudos nos comportamentos dos trabalhadores de uma organização somente poderá ser viável, após um detalhado estudo da legislação. Por outro aplicar a legislação de forma pura e sem avaliar o seu verdadeiro “feedback” é algo não praticável há tempos e sem sentido nos dias atuais.

Talvez aqui surja uma provável resposta à pergunta que abre este texto. Esse aparentemente novo, porém velho profissional, seja ele do antigo DP, dos novos Recursos Humanos ou o mix de ambos é quem procuro homenagear neste artigo. Afinal, na vida profissional, qual o outro profissional que passa horas a fio em busca de melhorias para você e seus colegas? Talvez exista este outro profissional, mas ainda assim o profissional de administração de pessoal ou de Recursos Humanos sempre será o diferencial neste aspecto.

Todos merecem nosso respeito. Afinal, conhecer boa parte da legislação e das capacidades e necessidades humanas, objetivos da organização e comportamento em conjunto é tarefa para apenas aqueles que são verdadeiramente apaixonados por esta área, estão dispostos a enfrentar novos desafios e sujeitos a críticas, com muita garra e vontade de trabalhar.

E no atual universo de novos conceitos e nomes, fica aqui minha sugestão para a união entre DP e RH, com uma denominação universal – Departamento de Gestão de Capital Humano (DGCP). Dos iniciantes aos mais conceituados parabenizo a todos aqueles profissionais que se dedicam, de alguma forma, a administrar pessoas e suas expectativas profissionais, levando trabalhadores e organização ao caminho da prosperidade e do sucesso.

Alexandre Vailatti
Atualmente, faz parte da equipe de folha de pagamento do grupo Claro. Detém conhecimentos em toda administração de pessoal, folha de pagamento e encargos, além de conhecimentos em Recursos Humanos. Experiências profissionais: BCP S/A (GRUPO CLARO) – Analista de Folha de Pagamento; J.F.GRANJA AUDITORIA CONTÁBIL – Sub-Chefe de Departamento Pessoal. Formação acadêmica: UMESP – UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO – Conclusão do curso de Bacharelado em Ciências Contábeis em dezembro de 2003. Participações em congressos contábeis e palestras com enfoques nas áreas econômica, administrativa e contábil. Conhecimento em contabilização tradicional, S/A, conciliações contábeis, análises de demonstrações contábeis (vertical e horizontal, inclusive), contabilidade pública, apuração de impostos e apuração do custo para a formação de preço de venda.

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