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Agressividade no ambiente de trabalho: como reconhecer e como lidar

A primeira coisa que devemos reconhecer quando falamos de agressividade no trabalho é que o ambiente corporativo é “amigo” da agressividade.

Por décadas, o vendedor “agressivo”, o gestor “agressivo”, o profissional “agressivo” estavam relacionados àqueles que “faziam o que precisava ser feito e atingiam a meta.” Isso incluía desde agressividade frente ao mercado (até mesmo com práticas escusas), frente aos colegas e subordinados (não se importando com os relacionamentos interpessoais) ou mesmo consigo mesmo, com excesso de horas extras e desconexão da vida pessoal.

Além de todo este histórico, um novo componente vem surgindo cada vez mais: Como me sinto no ambiente onde trabalho?

Nova call to action

Para muitos esta pergunta nem deveria ser feita. Trabalho não é lugar de “sentir”. Isso é coisa para terapia.

Mas a realidade é que esta pergunta vem sim sendo feita mais e mais, por várias razões, sendo a principal é que enquanto não encaramos o que sentimos no trabalho, este bloqueio, esta represa de sentimentos, ficamos doenças ou temos outras formas de prejuízos claros no desempenho e na satisfação com esta importante área da vida.

Do lado comportamental, represar os sentimentos gera uma forte agressividade, que se manifesta de três formas principais:

(a) Tem as pessoas que externalizam sua agressividade, gritam, batem na mesa, falam mal direta ou indiretamente dos outros.

(b) Outros se submetem às ordens, ao que a empresa quer, mas ficam com sentimentos de raiva, tristeza, medo… entalados. É uma agressividade consigo mesmo.

(c) E o terceiro tipo se desconecta do trabalho. Passa a ir “roboticamente” cumprir o dia a dia de trabalho, mas sem estar de fato interessado.

Nem sempre isso é consciente. Na maioria dos casos dica um vulcão de emoções submerso no inconsciente, que racionaliza todo desconforto dizendo para si: “É assim mesmo, mundo corporativo é assim.”

O que fazer então? Mandar todo mundo para terapia?

Não é necessário. É importante ressaltar que a maioria das pessoas não são consideradas clinicamente doentes, mas é fato que não foram orientadas de como lidar emocionalmente com clientes desrespeitosos, e-mails agressivos, perdas de negócio inesperadas entre as infinitas possibilidade de fatos que nos “tiram do centro” dentro da vida corporativa.

A melhor ação a fazer é realmente treinar as pessoas a lidar com seu emocional, de uma forma adequada e focada no ambiente das empresas.

O grande benefício vai além de do bem estar do profissional. O desempenho de quem sabe lidar com suas emoções no trabalho é várias vezes maior, a resiliência aumenta muito e o nível de estresse que a pessoa lida é muito menor.

Com isso, a pessoa deixa de achar que é o ambiente que precisa mudar, que ela seria mais feliz em outra empresa, mas sabe que tem as ferramentas para produzir bem e com satisfação onde quer que esteja.

Eu mesmo vivi esta transformação quando trabalhava em multinacionais e hoje sinto-me feliz quando ajudo os times corporativos a fazer o mesmo.

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Por: Heitor G. Fagundes

Ajudo as empresas a melhorar o desempenho da equipe através de treinamentos que melhoram o lado comportamental dos colaboradores. Temas como , reatividade interpessoal, falta de empatia, desconexão pessoal com os objetivos da empresa, atendimento ao cliente deficiente, ansiedade, entre outros. Minha base é a psicobiologia unida a mais de 20 anos trabalhando como executivo de empresas multinacionais.

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