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Alianças Para Vencer Crise Econômica Nacional

O País passa por um delicado momento econômico e político. A indefinição do resultado do segundo turno das eleições presidenciais provoca um sobe e desce da bolsa a cada nova pesquisa. Enquanto os investidores se preparam para a definição, o mercado continua instável.

A situação brasileira não deve se estabilizar a curto prazo. De acordo com especialistas da Fundação Getulio Vargas (FGV), além da inflação alta, alguns dos desafios que o governo eleito terá que enfrentar é a perspectiva de desaceleração do PIB, o aumento dos índices de desemprego e uma ampla reforma tributária. Para comparação, o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) da Fundação Getulio Vargas apresentou queda de 2,7% em setembro de 2014 na comparação com o mês anterior, atingindo 71,6 pontos, seu menor nível desde maio de 2009 — considerando os dados com ajuste sazonal. Esta é a sétima queda consecutiva do índice, confirmando a tendência de piora no mercado de trabalho. Já de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a geração de emprego no país, em setembro, caiu 52% frente ao mesmo período do ano passado.

Neste cenário negativo, os sistemas de negócios em rede, sustentáveis e com elevados índices de rentabilidade e baixo risco têm se destacado, como o PAEX – Parceiros para Excelência (da FDC), o InterSector Alliance, formado por uma rede de organizações multisetoriais e o GIFE, que congrega fundações, institutos e empresas que realizam o chamado investimento social privado.

O GIFE reúne associados de origem empresarial, familiar, independente ou comunitária, que investem em projetos de finalidade pública. Segundo Paulo Vasconcelos, seu idealizador e presidente, “Fazer parte da Rede significa, acima de tudo, ser uma organização comprometida com o desenvolvimento sustentável da sociedade brasileira e com a promoção da cultura do investimento social privado no Brasil. É uma oportunidade de inserção num ambiente qualificado de articulação e construção de parcerias, fundamental no cenário atual da economia brasileira”.

Nos últimos anos, segundo alguns pesquisadores o país não respeitou contratos, criou subterfúgios contábeis para melhorar seus indicadores, mudou regras de indicadores econômicos e, consequentemente, gerou crises nos órgãos estatais de divulgação dos índices econômicos (IBGE-IPEA). “Sem dúvida alguma o atual governo federal não é sinônimo de bom modelo de gestão, muito pelo contrário, e um dos desafios para 2015 será o ajuste das premissas orçamentárias com o objetivo de equilíbrio das contas”, expõe o economista da IBE-FGV, Múcio Zacharias.

Segundo o pesquisador da FGV/IBRE, Fernando de Holanda Barbosa Filho, “a contínua redução nas projeções de contratações futuras mostra que o desânimo em relação ao crescimento do PIB e da atividade econômica estão se disseminando em ritmo mais forte no mercado de trabalho. Em especial, observa-se um grande pessimismo no setor de serviços, o grande responsável pelo bom desempenho do mercado de trabalho nos últimos anos. Neste sentido, o cenário futuro não parece animador”.

Para lidar com expectativas nada animadores, o InterSector Alliance propõe um modelo de consultoria organizacional, único no mundo que conta com a expertise de diversos parceiros. O objetivo é promover a aliança entre os três setores da sociedade: empresarial, governamental e terceiro setor ou das organizações sociais, resultando no desenvolvimento sustentável das organizações, regiões e pessoas. Na prática, o resultado é obtido por meio de uma rede de troca de conhecimentos para gerar valor compartilhado, formada por grupos de 10 a 15 empresas não concorrentes, que participam de encontros periódicos com representantes do poder público e membros de organizações sociais. É o ambiente propício para a troca de experiências e criação de soluções inteligentes para o desenvolvimento econômico regional.

De acordo com Heliomar Quaresma, presidente da IBE (Institute Business Education) que integra a InterSector Alliance, a intenção da aliança é expandir o conhecimento, proporcionar condições para que empresas e instituições públicas e não governamentais cresçam e gerem benefícios para a sociedade. “Queremos levar as ferramentas mais modernas de marketing, logística, gestão de pessoas, enfim, tudo que há de mais moderno e que é praticado nas maiores empresas do mundo, com as devidas adequações ao ambiente e à proposta institucional de cada organização”, diz.

Da mesma forma, o PAEX reúne empresas de médio porte em busca da implementação de um modelo de gestão com foco em melhoria de resultados e aumento de competitividade. Através da construção gradativa de conhecimento e do intercâmbio de experiências, os participantes discutem seus modelos de gestão, colocando em prática ferramentas gerenciais e estratégicas. “Nesse ambiente, os resultados aparecem a médio e longo prazos, através do realinhamento da estratégia de cada empresa e com avaliações gerenciais mensais para mensurar o progresso dos negócios.”, diz o professor da FDC, Luís Augusto Lobão.

Segundo dados do Sebrae, 70% da empresas encerram suas atividades quando o líder finaliza seus negócios, 50% das organizações acabam na passagem da primeira para a segunda geração e 34% não sobrevivem a transição da segunda para a terceira geração. O plano estratégico aplicado isoladamente em uma empresa/organização, resulta em uma pequena variação de 5% na performance global. Por outro lado, quando a implementação estratégica do plano é feita por meio de uma rede de aprendizado, o resultado de variação da performance global é 12 vezes maior.

Quaresma ressalta a importância das alianças e parcerias pelos benefícios que serão gerados para a sociedade. “O objetivo é que seja formado um ciclo em que todos possam ganhar. É a ideia de valor sustentável somada à de valor compartilhado. O choque de gestão será promovido por meio das ferramentas modernas da administração que serão compartilhadas entre as instituições. Isso gerará mais produtividade, quantidade e qualidade em todos os aspectos. Essa mudança na forma gerencial proporcionará melhores ganhos e receitas para as organizações, que poderão investir mais em inovação e cumprir suas missões, em especial adotando a gestão social que envolve os stakeholders, contribuindo e participando mais com da administração pública. Todo esse desenvolvimento será revertido para as pessoas”, destaca o presidente da IBE.

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