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Andragogia: a arte e ciência de orientar os adultos na aprendizagem

Andragogia – A arte e ciência de orientar os adultos na aprendizagem

Neste artigo, trato sobre a Andragogia de forma sucinta, onde o leitor poderá interessar-se em pesquisar mais sobre o assunto e entre tantos autores, aqui não citados, que discorrem sobre o tema.

A origem da palavra Andragogia:

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A palavra Andragogia vem do grego: Andros (adultos) + Gogos (educar)

Breve história sobre a andragogia:

Podemos verificar que na antiguidade, os grandes pensadores e filósofos chineses e gregos foram educadores de adultos. A percepção que eles tinham sobre o processo de aprendizagem se dava pela indagação ativa e não simples recepção passiva dos ensinamentos.

O professor alemão Alexander Kapp, teria criado o termo “Andragogia”, em um livro que escreveu, em 1833, onde discorreu sobre as teorias educacionais de Platão (filósofo e matemático da Grécia Antiga), para descrever a necessidade de aprendizagem continuada durante a vida do indivíduo, diferenciando a Pedagogia da Andragogia. Ele acreditava que a Andragogia, devia incluir a aprendizagem, a partir da reflexão sobre as experiências de vida e formação profissional do indivíduo adulto. No entanto, Kapp não teve destaque, pois outras teorias sobre a educação de adultos já estavam sendo utilizadas.

Definição de Andragogia para alguns autores:

Segundo Malcom Knowles (1973), a Andragogia foi definida como a arte ou ciência de orientar adultos a aprender. Knowles era um professor da Universidade de Boston e trabalhou como diretor executivo na Associação de Educação para adultos. Ficou conhecido como o pai da Andragogia e definiu os seis princípios dessa teoria.

Segundo Pierre Furter (1973, p.23) a Andragogia foi definida como a filosofia, ciência e a técnica da educação de adultos.

Conceito da Andragogia:

Podemos entender a andragogia como uma forma de orientar os adultos na educação, onde o processo de aprendizagem ocorre através de suas necessidades e interesses, havendo a troca de experiências e vivências de cada indivíduo e a aplicabilidade de sua aprendizagem no seu dia-a-dia. O aluno é o centro, na independência e autogestão da aprendizagem.

Os Princípios da Andragogia:

O modelo andragógico baseia-se em 6(seis) princípios:

1 – Necessidade de aprender:

Os adultos têm a necessidade de saber o porquê precisam aprender algo. Nesta fase, é fundamental o papel do facilitador para a conscientização da “necessidade de saber”.

2 – Autoconceito do aprendiz:

Os adultos são responsáveis pelas suas vidas e tomam suas próprias decisões. Sendo assim, necessitam ser vistos e tratados pelos outros como capazes de se autodirigir. Portanto, quaisquer posições arbitrárias a isso, podem criar ressentimentos e resistências, inclusive no processo de aprendizagem.

3 – Papel das experiências:

A base de aprendizado do adulto são suas experiências. É de fundamental consideração, que existe uma amplitude maior de diferenças individuais num grupo de adultos como: formação, motivação, objetivos, interesses, necessidades. Logo, as técnicas que aproveitam essa amplitude de diferenças individuais serão mais eficazes.

4 – Prontidão para aprender:

Os adultos têm a predisposição para a aprendizagem, se relacionado à prática no seu dia-a-dia, ou seja:
“Onde irei aplicar o que aprendi?”
“Em quais situações reais da minha vida pessoal ou profissional poderei colocar em prática o que estou aprendendo?”

Sendo assim, quando a ocasião exige algum tipo de aprendizagem associada às tarefas que podem ser executadas, o adulto adquire prontidão para aprender.

5 – Orientação para aprendizagem:

O adulto aprende melhor, se os conceitos forem orientados para alguma aplicação e utilidade. Ele precisa de ferramentas para ajudá-lo a executar melhor as tarefas do dia-a-dia ou para saber lidar melhor com problemas de sua vida.

6 – Motivação:

Fatores Extrínsecos (externos) x Fatores Intrínsecos (internos)

A motivação dos adultos se dá por:

– Fatores Extrínsecos (externos): Exemplos: melhor emprego, melhor salário, promoções de trabalho.

– Fatores Intrínsecos (internos): Exemplos: maior satisfação no trabalho, qualidade de vida, autoestima, desenvolvimento.

Em grau de importância, os fatores motivacionais internos superam os fatores motivacionais externos, portanto, os adultos têm uma motivação maior em aprender mais pelo que vai “ganhar” pelos valores de vida, do que propriamente pelos valores materiais.

A aplicação da Andragogia no mundo organizacional e no desenvolvimento de pessoas:

É preciso definir os objetivos e propósitos da aprendizagem e resultados esperados para a aplicação da Andragogia nas organizações, pois além de conhecer os métodos e princípios da aprendizagem de adultos, precisamos considerar alguns aspectos nos programas de desenvolvimento de pessoas, tais como:

– Preparo dos aprendizes: é preciso preparar os participantes, fornecendo o maior número de informações possível sobre o programa, conteúdo e o que irão ganhar de fato com a aprendizagem (expectativas reais).

– Clima: para uma aprendizagem eficiente e eficaz, o clima deve inspirar confiança, respeito e colaboração entre os participantes e o facilitador/instrutor, possibilitando assim a troca de experiências.

– Planejamento: Na Andragogia, tanto o aprendiz quanto o facilitador/instrutor são responsáveis pelo planejamento do aprendizado.

– Levantamento e diagnóstico das necessidades: No processo andragógico, tanto o aprendiz quanto o facilitador/instrutor, farão, juntos, um diagnóstico sobre as necessidades de aprendizagem.

– Definição dos objetivos: Os objetivos e resultados da aprendizagem serão negociados entre o aprendiz e o facilitador/instrutor e não impostos por nenhuma das partes.

– Planos de aprendizagem e seu conteúdo: Serão definidos de acordo com as necessidades de conhecimento.

– Atividades de aprendizagem: Serão definidas de acordo com as atitudes e técnicas andragógicas (experimentais).

– Avaliação da Aprendizagem: Devem-se mensurar os resultados obtidos com o programa e fazer um novo levantamento e diagnóstico das necessidades.

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Por: Ana Lucia

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