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Aprenda a negociar suas dívidas e saia do vermelho

*Por Cida Silveira

Quantas noites de sono você já perdeu quando parou para pensar na fatura “surpresa” do cartão de crédito ou nos juros exorbitantes do cheque especial? Não se preocupe, pois você não está sozinho nesse barco, já que, de acordo com pesquisa realizada pela Serasa Experian neste ano, estima-se que há aproximadamente 60 milhões de inadimplentes no País.
Então, a grande questão é: o que eu posso fazer para sair das dividas e continuar sobrevivendo? Não vou mentir e dizer que é simples como fazer um bolo de caixinha, pois, na realidade, não é. Mas é perfeitamente possível e explicarei melhor a partir de agora.

Primeiramente, você precisa analisar como estão suas contas, a começar pelo orçamento doméstico, que compromete grande parte da renda. Em seguida, escolha uma ferramenta de controle de custos que melhor se adéqüe ao seu perfil, por exemplo, planilhas de Excel, cadernos, agendas ou, para os mais tecnológicos, aplicativos para smartphone. Para evitar um estresse maior, faça um controle diário, consolide semanalmente e, por fim, mensalmente.
Dois pontos cruciais do seu orçamento são as entradas e saídas. Entradas são todos os recebimentos, como salário, aluguéis de imóveis, comissões, aposentadoria, etc. Saídas são todos os pagamentos e gastos realizados, como aluguel ou prestação de imóvel, supermercado, transporte, serviços básicos (água, luz, gás, telefone), cursos e mensalidade escolar, roupas, lazer, etc.
Paralelamente a isso e, não menos importante, você precisa ter “olhos de Lince” e controlar na ponta do lápis, literalmente, a conta bancária e verificar se todas as despesas estão inclusas no orçamento mensal.
O “pulo do gato” é, após o fechamento do mês, analisar o resultado e, caso você tenha fechado com saldo devedor, fazer um planejamento imediato de corte de gastos para o mês seguinte. Seja transparente com a família, pois todos precisam colaborar no plano de controle de gastos.
Caso seja apenas o casal, precisa haver muito diálogo para que o planejamento financeiro seja bem conduzido. Antes de compartilhar a vida financeira, é indispensável conversar abertamente e trocar informações sobre a renda dos dois, dívidas pré-existentes, investimentos, seguros, planos de previdência. Tudo isso é fundamental para que, juntos, consigam estabelecer metas de curto prazo e projetos futuros como filhos, viagens, troca do carro, cursos, reforma da casa, aposentadoria e até imprevistos. Façam reuniões mensais sobre os resultados do mês anterior, para que ambos tenham ciência da situação financeira e elaborem juntos um plano de ajustes e até a readequação do padrão de vida, caso necessário.

Nova call to action

Outro grande vilão que, se mal utilizado, pode acabar com o orçamento de qualquer um é o cartão de crédito, por isso muito atenção! Use-o com parcimônia, de preferência, escolha cartões com benefício de milhagens ou pontos para que possa usufruir futuramente.

Dicas importantes na hora da negociação:
• Primeiro, reconheça que você está endividado, isso não será o fim do mundo, mas, sim, o começo de uma nova vida para você.
• Faça um levantamento completo de todas as dívidas através de extratos bancários, faturas, boletos.
• Identifique qual foi o valor inicial da sua dívida e a taxa de juros do produto.
• Calcule os juros/mora pagos até a data do levantamento.
• Consulte o site do Banco Central e verifique a taxa média que o mercado pratica para o produto.
• Em caso, de dúvida, consulte uma pessoa confiável que possa ajudá-la.
• Reserve um horário e ambiente tranqüilos para ligar na Central de Atendimento de cobrança do produto.
• Durante a ligação, peça todas as informações sobre a dívida e compare com as suas anotações
• Solicite uma proposta de acordo por e-mail e, se possível, com as seguintes informações: valor do acordo, juros, taxas cobradas, prazo e a prestação.
• Analise a proposta e novamente compare com as suas informações.
• Verifique se a prestação não compromete mais do que 25% a 30% da sua renda líquida.
• Não feche o acordo antes de efetuar uma contra proposta mais interessante para você.

E, lembre-se, você tem interesse em pagar e o seu credor deseja receber, ainda que seja apenas parte da dívida, aproveite essa vantagem e faça uma boa negociação.

*Cida Silveira é formada em Matemática e Física pela PUC- SP, pós-graduada em Administração pela FECAP e em Banking pela Mackenzie, além de possuir a Certificação Ancord como Agente Autônomo. É uma das co-criadoras da plataforma AprendaAki, um projeto idealizado no início de 2015, em parceria com outras especialistas em distintas áreas de conhecimento como Carreira, Perfomance, Atendimento e Educação Financeira. Atualmente é responsável pela área de Educação Financeira do AprendaAki onde desenvolve conteúdos e ministra palestras e cursos, além de oferecer o serviço de consultoria individual e In Company.

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