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Aprendendo a aprender

Aprendendo a aprender

Já aconteceu de você ligar o carro e sair
andando, só para descobrir mais tarde que o freio de mão estava puxado? O
sociologista Kurt Lewin desenvolveu um conceito chamado “Análise das Forças
de Campo”. Desta forma, ele descreve dois tipos de força: forças de freio
(que desencorajam avanços) e forças de aceleração (que encorajam o avanço).
Algumas pessoas passam pela vida com o freio de mão puxado, presas, com
atitudes de procrastinação, medo e pensamentos negativos. Outras pessoas
soltam o freio e avançam – de maneira positiva, lógica e confiante. Destes
dois tipos, quem você acha que é mais feliz e vitorioso?
Al Siebert, autor de The Survivor Personality (A Personalidade do
Sobrevivente
, ainda sem tradução no Brasil), descobriu que os
sobreviventes (pessoas que se envolvem sem querer em grandes desastres) ganham
forças com a adversidade. “É a forma que uma pessoa reage às situações
que determina sua sobrevivência”, diz Siebert. As características de alguém
com grandes chances de sobreviver num desastre são:

  1. Flexibilidade:
    a capacidade de se adaptar sem quebrar.

  2. Senso crítico:
    uma grande vontade de que as coisas funcionem corretamente. Pouca tolerância
    a coisas que estão erradas.

  3. Empatia:
    capacidade de identificar os sentimentos, pensamentos e atitudes das outras
    pessoas.

  4. Criatividade:
    a habilidade de resolver problemas usando a imaginação.

  5. Resistência:
    o poder de voltar a ficar em pé, mesmo quando derrubado várias vezes.

  6. Curiosidade:
    vontade de saber, aprender e compreender.

Note que estas mesmas características podem
perfeitamente descrever uma pessoa de sucesso. Aliás, todo mundo concorda que o
mundo está mudando, mas o que é realmente necessário saber para obter o
sucesso
? Além da resistência (já falamos antes sobre o
“Quociente de Adversidade”), talvez o mais importante de tudo seja a
curiosidade –
o aprender a aprender. Como disse James
Michener, “os mestres na arte de viver fazem poucas distinções entre
emprego e diversão, entre trabalho e lazer, entre mente e corpo. Eles
simplesmente perseguem a visão de excelência no que quer que seja que decidam
fazer, deixando os outros, espectadores, decidir se estão trabalhando ou se
divertindo. Para os mestres, essas duas coisas estão sempre juntas.”

Vejamos então algumas dicas para você checar
seu freio de mão, desenvolver o “aprender a aprender”, e tornar-se um
mestre no que faz:

  • Valorize conhecimentos ‘não técnicos’:
    Se o futuro é menos previsível do que era antes, habilidades lógicas e analíticas
    já não são mais suficientes para garantir o sucesso. Num ambiente de
    incertezas, a imaginação e a flexibilidade passam a ter cada vez mais valor.
    Por isso, estudos ‘sociais’ são cada vez mais relevantes: assuntos com
    filosofia, história e literatura nos ensinam a interpretar uma informação e
    argumentar a favor ou contra um ponto de vista. Na verdade, ‘pensar
    diferente’ muitas vezes não é nada mais do que reagrupar conhecimento de
    novas formas. Mas para isso é necessário ter esse conhecimento antes.

  • Questione – procure novos ângulos:
    Ser curioso e questionador é algo pouco enfatizado nas escolas – e muito
    menos nas empresas. Sindri Anderson, que já foi diretora de treinamento e
    desenvolvimento da Levi Strauss & Co., cita casos em artigo da revista
    Fast Company de treinamento em boates, galerias de arte, onde quer que seus
    clientes estivessem. Armados de câmeras digitais e gravadores, os gerentes de
    produto da empresa coletavam informações diretamente na fonte. Não dá para
    pedir criatividade dos seus funcionários se o treinamento é feito sempre
    igual, quadradinho, numa sala sem janelas, com ar-condicionado e luz
    artificial. Como diria um filósofo empresarial, você tem que sair e deixar
    as oportunidades atingi-lo.

  • Sintonia fina constante:
    Aprender deixou de ser um evento. Tanto que os departamentos de RH antes
    pensavam em número de bundas na cadeira, em alguma sala de treinamento da
    empresa ou hotel. O treinamento era dado e pronto – que venha a próxima
    turma. Continuidade, nem pensar – não havia nem tempo nem dinheiro para
    isso. Mensuração de resultados práticos somente em casos raríssimos.

Numa fábrica você não fica esperando que um
produto defeituoso chegue ao final da linha de produção para ser rejeitado.
Existem vários controles de processo que avisam ao menor sinal de desvio. Mas
nossa educação não tem sido assim. Na empresa, o treinamento estará
diretamente vinculado a resultados. Assim, a forma de medir o sucesso do
treinamento estará diretamente relacionada a resultados financeiros ou de
performance. Cursos que não se traduzam em satisfação do cliente, lucro,
crescimento ou retenção de talento (diminuição do turn over) serão
cada vez menos estimulados.

  • Prefira a substância:
    Você tem que entender de tecnologia. Sem dúvida alguma, grandes novidades
    serão lançadas nos próximos anos que revolucionarão a maneira pela qual
    aprendemos – a forma em que processamos, arquivamos e posteriormente
    utilizamos as informações arquivadas. Mas cuidado: todos temos a tendência
    a apaixonar-nos pelo ‘brilho’ – pelo que está na moda, pelo que todo
    mundo está comentando. Todavia, na hora de trabalhar realmente, as pessoas não
    querem brilho – querem conteúdo, substância, conhecimento – de preferência,
    organizado de forma que a informação sendo procurada seja encontrada de
    maneira fácil e rápida.

Muita gente enfatiza mais as ferramentas caras
do que os resultados. O segredo é aproveitar a quantidade enorme de
‘consultores’ disponíveis gratuitamente: seus colegas, a Internet, listas
de discussão. E o melhor de tudo é que essas ferramentas gratuitas permitem a
atualização contínua – é fácil saber o que está funcionando e o que não
está. Importante mesmo é aprender.

  • Comunicação eficaz:
    Quando problemas surgem numa empresa, raramente é porque não existia informação
    suficiente, e sim porque ela não foi comunicada corretamente. Por isso é
    fundamental saber trabalhar em grupo: além de saber trabalhar com a informação
    e usá-la para tomar decisões, você precisa também entender as perspectivas
    das outras pessoas – como elas se comunicam e como tomam decisões

  • Conhece a ti mesmo:
    Você conhece suas fraquezas? Você está disposto a aceitá-las e admiti-las?
    O que tem freado sua vida, impedindo-o de viver exatamente da forma que
    gostaria? Quando você é honesto consigo mesmo sobre suas fraquezas, e está
    disposto a dedicar-se a trabalhar para melhorá-las, você acaba trilhando o
    caminho para o sucesso. Faça as perguntas certas, entenda o problema
    completamente e explore o máximo de soluções possíveis que puder.

Para terminar, uma lista de máximas, retiradas
de “An Incomplete Manifest for Growth, de Bruce Mau“,
publicadas originalmente na revista Fast Company (www.fastcompany.com):

  1. Deixe os eventos mudarem você:
    Você deve estar disposto a crescer. Crescer é diferente de algo que acontece
    com você: você produz o crescimento. O pré-requisito para o crescimento é
    estar aberto para as experiências de novos eventos e a disposição para ser
    transformado por eles.

  2. Capture acidentes:
    a resposta errada é uma resposta certa procurando uma pergunta diferente.
    Colecione respostas erradas como parte do processo de aprendizagem. Depois faça
    perguntas diferentes.

  3. Faça perguntas estúpidas:
    O crescimento é alimentado pelo desejo e pela inocência. O importante é a
    resposta, não a pergunta. Imagine passar pela vida aprendendo na velocidade
    em que aprendem as crianças.

  4. Coloque-se nos ombros de alguém:
    Você pode viajar muito mais longe carregado pelas conquistas daqueles que
    vieram antes de você. E a vista é muito melhor.

  5. Repita-se:
    Se gostou, faça de novo. Se não gostou, experimente mais uma vez.

  6. Crie novas palavras:
    Novas condições exigem novas maneiras de pensar. Novos pensamentos exigem
    novas formas de expressão. Novas expressões criam novas condições.

  7. A criatividade não depende de artefatos:
    Esqueça tecnologia. Pense com seu cérebro.

  8. Viaje:
    O mundo é muito maior do que a tela da sua TV, ou a Internet.

  9. Cometa erros mais rapidamente:
    Esta idéia é emprestada, provavelmente do Andy Grove.

  10. _____________________ : Esta nós deixamos
    intencionalmente em branco. Deixe sempre um lugar para suas novas idéias, e
    as novas idéias das outras pessoas também.


Raúl Candeloro,
é palestrante e editor da revista Técnicas de Venda®,
além de autor dos livros Venda Mais e Negócio Fechado
e responsável pelo site VendaMais®
www.vendamais.com.br
candelo@zaz.com.br

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