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Aprender Fazendo: O Modelo De Aprendizagem 70:20:10

O que faz com que um funcionário permaneça na mesma empresa? Segundo pesquisa conduzida pelo Instituto Great Place to Work, nem dinheiro nem estabilidade.
O principal motivo declarado pelos próprios colaboradores é o fato da organização proporcionar oportunidades de crescimento. Isso só é possível se criarmos condições para o desenvolvimento dos profissionais e executivos.
Dessa forma, a capacitação contínua se faz imprescindível para que os colaboradores adquiram expertise em suas posições e apresentem alta performance. A questão é como essa capacitação está sendo conduzida pelos departamentos de treinamento nas empresa.
A primeira imagem que vem à tona, quando falamos de treinamento e desenvolvimento é aquela que ocorre em sala de aula, por meio de cursos e seminários estruturados.
Esse tipo de formato desempenha no entanto, um papel secundário na forma como os indivíduos aprendem.
Na década de 90 os pesquisadores McCall, Eichinger e Lombardo, do Center for Creative Leadership propuseram o conceito 70:20:10, que consiste na ideia de que 70% do aprendizado acontece por meio das nossas experiências (on-the-job learning), 20% da observação e seguimento de terceiros (incluem práticas de coaching e mentoring) e apenas 10% decorrem de cursos estruturados, como o mencionado acima.
A oitava edição do relatório de tendências de aprendizagem – Learning Trends Report, elaborado com dados de pesquisa com gestores seniores de treinamento e desenvolvimento do Reino Unido, mostra que, apesar de 69% terem declarado acreditar que ações on-the-job gerem um resultado mais duradouro no comportamento dos funcionários, 76% dizem não ter nenhuma estratégica para estruturar o aprendizado informal dentro de sua organização. Isso soa paradoxal, uma vez que 74% das empresas declararam utilizar o conceito 70:20:10 ou planejar adotá-lo em um futuro próximo. Essa pesquisa foi conduzida pela união de algumas organizações britânicas, entre elas a Ontrackinternational, consultoria com a qual temos parceria e associação.
No Brasil, nos últimos 18 meses, a demanda dos clientes apontam para uma direção inversa à do modelo 70:20:10. Das propostas que foram solicitadas à Movere Consultoria, 73,7% foram para cursos e workshops presenciais, 18,4% para coaching e apenas 7,9% para suporte e estrutura de ações on-the-job.

Alguns pontos devem ser observados, caso a gestão opte por apoiar esse tipo de aprendizado:
1. O suporte de pares e gestores no uso de novas habilidades e inovação nas rotinas de trabalho é essencial para o sucesso do programa.
2. Os gestores devem calcular o risco quando expõem o colaborador a uma nova tarefa ou projeto, evitando assim frustração do colaborador e perda de efetividade para a companhia.
3. A organização deve oferecer reconhecimento e recompensas não-financeiras, bem como apoio ao risco e iniciativa.
4. O ambiente deve proporcionar oportunidades para troca de experiências e contato com pessoas mais experientes.

Flávia Muraro
Consultora responsável pela Movere Consultoria, conta com 23 anos de experiência profissional. Começou sua carreira na indústria farmacêutica, passando a Gerente Distrital, de Vendas e de Treinamento & Desenvolvimento Organizacional em Recursos Humanos. Facilitadora e professora de Programas de Capacitação Gerencial, dominando temas como Liderança, Negociação, Vendas, Recrutamento & Seleção, Gestão de Contas e Gestão de Pessoas para Profissionais de vendas. Conhecimento de diversas ferramentas de assessments (mapeamento de competências e relatórios pessoais) e experiência em acompanhamento de Planos de Desenvolvimento Individuais Gerenciais. Hoje, como consultora, ajuda seus clientes a encontrar o ponto mais produtivo aliando planejamento de longo prazo a resultados imediatos. Atua também como consultora de orientação e transição de carreira (outplacement) na DBM LHH.

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