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Aprendizagem

O processo de aprendizagem, em qualquer ambiente, é uma atividade muito complexa em todas as fases, em função do imenso número de informações que recebemos e das experiências que vivenciamos, tornando a tarefa do (a) professor (a) e do (a) psicólogo (a) um constante desafio. Esses (as) profissionais precisam compreender e ter a capacidade de explicar a aprendizagem em todos os aspectos, com o objetivo de facilitar o aprendizado e torná-lo mais eficaz e permanente para os alunos em todos os níveis.

A aprendizagem pode ser natural ou espontânea e induzida. A natural ou espontânea é pouco sistemática e tem como base as preferências, estilos e motivações pessoais, e ocorre por observação, imitação, tentativa e erro. A ocorrência de aprendizagens autônomas é possibilitada por várias fontes de informações de nosso cotidiano, como jornais, revistas, televisão, internet e interações com outras pessoas. A aprendizagem induzida, por sua vez, é caracterizada pelos processos e métodos estruturados e planejados que facilitam a aprendizagem, através da retenção e transferência do conhecimento (instrução, treinamentos, programas educacionais etc.).

No sentido literal ou de acordo com o que se encontra nos dicionários, aprendizagem “é o ato de aprender, aprendizado”, e está associada às noções de “adquirir, tomar, reter, segurar, pegar, agarrar, prender, assimilar e apreender”. Esse conceito vem sendo usado no sentido figurado de apropriação, apreensão ou incorporação de algo que está no indivíduo.

Para Bigge (1982 apud ABBAD, 2007) a aprendizagem é a consequência de experiências vivenciadas pelo indivíduo em seu ambiente e proporciona mudança de caráter duradouro.

Segundo Abbad, 2007 p. 38, aprendizagem é um processo psicológico que ocorre de forma específica em cada indivíduo.

No âmbito da psicologia as diversas abordagens existentes provocam variações no conceito de aprendizagem, que, de forma geral, faz referência às alterações provocadas no comportamento do indivíduo, em função de sua interação com o contexto em que vive e não unicamente como resultado de seu amadurecimento. Esse é o pensamento predominante entre a maioria dos pesquisadores, que acreditam que a aprendizagem ocorre no nível micro de análise.

Considerando que a aprendizagem proporciona mudança relativamente duradoura no comportamento potencial do sujeito devido à experiência, três aspectos devem ser observados:

• Gera mudança no indivíduo;

• A mudança é o resultado da experiência;

• O comportamento potencial do indivíduo sofre alteração.

É muito importante ressaltar que a avaliação de um processo de aprendizagem possibilita ao professor a identificação das possíveis causas de sucesso ou fracasso desse aprendizado e, também, sua monitoração.

Os psicólogos se dividem em duas linhas opostas de abordagem, segundo Fontana (2000):

 Behaviorista – é entendida como a abordagem que ocorre por condicionamento, gerando modificação de comportamento, a partir da utilização dos mecanismos estímulo-resposta (S-R) atuantes no sistema nervoso central do indivíduo. Esse processo é vinculado ao Behaviorismo ou Comportamentalismo, que é o conjunto de ideias presentes na Psicologia e que vê o comportamento como único.

Skinner, através do condicionamento operante, afirma que todo comportamento sofre influências de seus resultados, existindo um estímulo reforçador, positivo ou negativo. Positivo quando fortalece o tipo de comportamento (recompensa) e negativo quando gera a inibição de certo comportamento (reforço negativo e punição).

Baseado em estudos, Skinner afirmou que o condicionamento operante é um mecanismo que premia uma determinada resposta de um indivíduo até ele ficar condicionado a associar a necessidade à ação. O hábito é gerado por uma ação do indivíduo e não está condicionado à necessidade de nenhuma resposta anterior, ao contrário do que ocorre com o condicionamento clássico de Pavlov.

A aprendizagem, de acordo com a abordagem behaviorista, ocorre quando há conectividade entre um estímulo (S) do ambiente e uma resposta (R) oferecida pelo sujeito, ou entre essa resposta e o reforço, confirmando que a aprendizagem é essencialmente ambiental. O estudo sobre o condicionamento operante foi desenvolvido a partir de 1930.

 Cognitivista – apresenta o indivíduo como sujeito no processo de aprendizagem. Essa mudança de paradigma ocorreu no final da década de 1950, quando uma corrente de psicólogos se contrapôs ao pensamento behaviorista, que afirmava ser o homem um produto mecânico do ambiente.

Para haver compreensão, segundo os cognitivistas, faz-se necessário que o aluno reorganize mentalmente o seu campo psicológico (o mundo interior de conceitos, lembranças etc.) em resposta à experiência.

O Conceitualismo Instrumental, proposto por Bruner (1966 apud FONTANA, 2000), é uma das teorias de Aprendizagem Cognitivista. Nessa concepção o comportamento não é algo que possa ser extraído de um estímulo e fortalecido pelo reforço. Para Bruner o estímulo é reconhecido pelo aluno de modo individual e subjetivo, podendo interpretá-lo e transformá-lo do seu próprio modo, de acordo com suas experiências e pensamentos.

Em seu contexto, as operações cognitivas envolvem aspectos como memória, percepção, atenção, condução do raciocínio e resolução de problemas, os quais interagem com os processos que envolvem a autorregulação e a metacognição – componentes essenciais para um estudo eficaz.

Bruner (1975 apud FONTANA, 2000) afirma que a transformação das informações está vinculada a três sistemas de representação na memória de experiências passadas (de longo termo) e sua utilização para lidar com o presente, desenvolvidos na infância:

• Sistema atuante – opera por meio da ação, é evidente em habilidades motoras e não faz uso de imagens, nem de palavras. É manipulativo.

• Sistema icônico – caracteriza-se pelo uso de imagens ou ícones, vinculadas à organização visual ou de outras organizações sensoriais e apresentam um conceito, sem defini-lo.

• Sistema simbólico – utiliza-se da linguagem verbal para representar a realidade, indo além da ação e das imagens. Essa representação possibilita o uso do pensamento reflexivo.

Para facilitar o entendimento dessas representações, suponhamos que uma pessoa pergunte a você como localizar um determinado endereço. Certamente você escolherá uma dentre as três posições a seguir:

• Modo atuante – quando você não sabe explicar a rota, mas pode conduzi-lo, indicando o caminho mais fácil.

• Modo icônico – quando você consegue desenhar um mapa ou um roteiro, mesmo não sabendo explicar.

• Modo simbólico – quando você orienta verbalmente.

A natureza do aprendiz, a natureza do conhecimento a ser aprendido e a natureza do processo de aprendizagem, são variáveis essenciais para uma atividade de aprendizagem na visão cognitivista.

Natureza do aprendiz – cognição, inteligência, criatividade e capacidade de processar informações são alguns dos diversos fatores considerados nos próprios alunos que influenciam a aprendizagem. Outros fatores, também importantes, devem ser considerados pelo professor, como afetividade, motivação, idade, sexo, ambiente social, hábitos de estudo, memória etc.

A ansiedade destaca-se entre os fatores afetivos que podem interferir no processo de aprendizagem, de forma positiva ou negativa, constituindo-se em um fator estimulante ou inibidor. O relacionamento entre educador e educando, as pressões de tempo e as avaliações podem causar esse sentimento, considerando, sobretudo, que cada indivíduo tem um nível de ansiedade pessoal e outros se tornam ansiosos em função de pressões indevidas e externas à escola, como expectativas dos pais, colegas de trabalhos, chefes, por exemplo.

Outros fatores afetivos importantes estão estritamente ligados à ansiedade, como a autoestima, por exemplo, que oscila de acordo com a atenção, o incentivo, o afeto físico, a coerência, e o comportamento democrático dos pais, que podem reduzir ou aumentar a ansiedade. Já foi comprovado por Coopersmith (1968 apud FONTANA, 2000) que as crianças que têm elevado nível de autoestima alcançam melhor desempenho do que aquelas com baixa autoestima. As do primeiro grupo têm metas altas e não precisam de aprovação dos adultos, são mais encorajadas pelos fracassos e têm uma visão mais realista de suas próprias habilidades. Os professores podem e devem contribuir para a melhoria da autoestima de seus alunos, em qualquer faixa etária, demonstrando crença pessoal na competência deles.

A extroversão e a introversão são outros fatores afetivos relacionados à natureza do aprendiz. Todo indivíduo extrovertido aceita bem as mudanças, gosta de variedades e está orientado para o mundo exterior e experiências, enquanto o introvertido, pensa e age de forma contrária, ou seja, está mais ligado à estabilidade e o mundo interior.

Natureza do conhecimento a ser aprendido – Costumeiramente ouvimos dizer que o professor experiente pode ensinar qualquer disciplina, sem necessidade de um conhecimento especializado, o que é um grande equívoco. Bruner (1966 apud FONTANA) define que a meta do ensino é ajudar o aluno a entender a estrutura de um conteúdo, ou seja, compreender os princípios básicos que o norteiam e definir, dar identidade e permitir que outros conhecimentos sejam relacionados com esse conteúdo de modo significativo.

Sendo assim, para que essa meta do ensino seja alcançada, o nível de experiência do professor não é suficiente, é preciso que ele tenha conhecimento especializado do assunto a ser trabalhado em cada aula.

Natureza do processo de aprendizagem

A aprendizagem, de acordo com Gagné (1974 apud FONTANA, 2000), consiste tipicamente em uma cadeia de oito eventos ou etapas, que podem ser internos ou externos ao aprendiz.

• Motivação
• Apreensão
• Aquisição
• Retenção
• Recordação
• Generalização
• Desempenho
• Feedback

No caso de detecção de falha de aprendizagem, Gagné (1974) orienta que o professor identifique em que nível do processo ocorreu essa falha utilizando a sequência de procedimentos descrita a seguir:

1º – Obter a atenção do aprendiz;
2º – Estimular a recordação de informações;
3º – Explicitar os objetivos da instrução;
4º – Apresentar estímulos pertinentes;
5º – Proporcionar orientação que conduza à coordenação da aprendizagem atual na forma de uma cadeia de conceitos;
6º – Possibilitar o desempenho do aluno;
7º – Proporcionar feedback;
8º – Avaliar o desempenho do aluno.

Além do conhecimento teórico, é imprescindível que o docente tenha experiência pedagógica para que possa atuar a partir de reflexões sobre a realidade de seus alunos.

A aprendizagem por descoberta, cuja característica principal é o descobrimento, precisa ser abordada, para que o conteúdo estudado não seja simplesmente apresentado, mas que os alunos descubram e que incorporem essas descobertas à estrutura cognitiva, a partir de orientações do professor.

Outrossim, é necessário que o professor tenha cuidado para não incorrer em erro de procedimentos vagos e vazios, considerando a possibilidade de fechamento da lacuna entre o conhecimento elementar e o avançado, conforme afirma Bruner (1986 apud FONTANA, 2000). O professor precisa manter constantes os fins da aprendizagem, proporcionando uma estrutura, através da qual os meios sejam variados, com o objetivo de adequar o nível de pensamento e entendimento dos alunos.

Induzir o aluno ao pensamento reflexivo independe da natureza da aula e os professores devem assegurar que as situações-problema trabalhadas, despertem provocações, levando os alunos à descoberta, pois esse é o procedimento essencial para o desenvolvimento das habilidades metacognitivas.

O principal objetivo das perguntas reflexivas consiste em fazer os alunos pensarem sobre alguns aspectos críticos do assunto em estudo, ajudando-os a compreender as sutilezas do assunto, a relação entre causa e efeito e os métodos de procedimento e investigação. As mais utilizadas são: Por quê? Para quê?

Prof. Esp. Alexandre Costa
Pedagogo Organizacional
Personal, Professional e Leader Coach
alexandre@plenacommkt.com.br

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