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Aproveite o início de ano para se organizar

Enquanto algumas pessoas estão contabilizando as conquistas de 2010, lamentando as frustrações e listando novas promessas para o ano novo, outras amam passar um tempo consigo mesmas e agradecer por tudo, até pelos erros, o que pode ser vital para se ter uma vida mais tranquila e melhorar a percepção do mundo.

Além dessa análise, atos práticos, que superam palavras, alcançam também os pensamentos e geram resultados no cotidiano. Neste sentido, esta reportagem dá dicas para se livrar de vícios vazios e criar ações práticas que podem melhor sua saúde emocional e, consequentemente, sua qualidade de vida. O início de ano é boa ocasião para organizar roupas no armário, jogar fora ou doar aquilo que não se usa mais, para abrir espaço para coisas novas.

O primeiro passo rumo a um guarda-roupa ou espaço funcional é descartar as peças que não são usadas há pelo menos dois anos. A dica é do site Home Organizer (www.homeorganizer.com.br) criado por Ingrid Lisboa. Segundo Ingrid, a bagunça custa caro. “Se você gasta 15 minutos por dia estressado ou procurando coisas e você ganha R$ 20 por hora, a desorganização custa R$ 5 reais por dia. Isso significa R$ 35 por semana, R$ 150 por mês e R$ 1.825 por ano.”

A empresária, educadora e executive coach, Ada Maria de Assis e Silva, afirma que o fato de entrar em ação física para organizar, doar e se desfazer do que não tem mais utilidade acaba influenciando o emocional e traz a sensação de recomeço, de se sentir aliviado. “Já diz o ditado ‘onde tem o velho, não cabe o novo’”, cita.

Ana Cristina Penteado Lopes, psicóloga cognitivo-comportamental, diz que quando reformulamos nossa vida, a vontade de mudar torna-se generalizada. “Essa reorganização acaba por estender-se a áreas físicas também e não apenas emocionais. É como se fosse uma adaptação a essa fase de mudança.” Conversar com aquele desafeto ou eliminar a bagunça da mesa do trabalho são opções para quem quer harmonizar os ambientes neste novo ano.

“Quando organizamos, descobrimos alguns documentos importantes, anotações, fotos, que podem nos lembrar de alguns sonhos ou metas que foram engavetados no decorrer da correria do ano e da dinâmica da vida”, afirma Ada. Para ela, esse período do ano também é hora de estabelecer contatos, agradecer por favores ou carinhos recebidos e até buscar uma reaproximação com desafetos. “Provavelmente, o fato que levou a um conflito já não exista ou importe mais.”

Cuidados pessoais

O “sono de beleza” não é mito. As pessoas querem existir na velocidade da tecnologia, mas os ritmos do corpo continuam os mesmos: precisamos das mesmas horas para fazer a digestão ou dormir, dos mesmos nove meses para dar à luz, etc. Neste caso, a dica é dormir mais. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Karolinska, em Estocolmo, diz que que pessoas privadas de sono por longos períodos parecem menos atraentes e saudáveis do que as que dormiram bem. “Sono não é só para a beleza, mas também para que possamos criar, raciocinar, lembrar coisas no dia seguinte”, afirma Ana Cristina. Dormir bem também é fundamental, para produzir o GH, o hormônio do crescimento, substância relacionado à construção do tecido muscular.

Em família

O ritual familiar diário deve vir composto de horários para que você possa ficar junto de seus parentes e resolver o que precisa ser feito. “Ter a hora do carinho, contar novidades e todos falarem e ouvirem também. Pode-se estabelecer alguma refeição ou, então, antes de dormir, todos ficarem na cama ou na sala”, diz a especialista Ana Cristina.

Não precisa ser uma obrigação, isso deve acontecer naturalmente. Contar história para filhos pequenos é bem legal. Como a capacidade das crianças para contar e ouvir histórias é um forte indicador da sua futura capacidade de leitura, essa aproximação dos pais pode ter repercussões positivas para o desempenho acadêmico das crianças e no relacionamento familiar.

Para deixar de brigar com o tempo, compre uma agenda. E use. Deixe o que precisa ser feito anotado, delegue para o papel a responsabilidade que ficaria só na memória. “Criar pastas de ativos, passivos e arquivos mortos ajuda bastante. E o que já foi resolvido deve ser triturado”, revela Ana.

Para Ada, a agenda deve ser seguida e de preferência contemplar os sete dias da semana, assim a pessoa terá uma visão melhor de como seus dias estão sendo aproveitados e quais horários tem livres ou não. “A agenda semanal evita marcar dois compromissos no mesmo horário, deixar pessoas esperando ou ter que desmarcar compromissos.”

Amor

Se um relacionamento não está bom e você já tentou de tudo e não deu certo, a dica é sair dele. É uma boa opção para o autoconhecimento e, depois, para a entrada de um novo amor. Às vezes, também, é preciso um pouco de silêncio. Sem televisão, rádio ou celular. “O silêncio deve ser de dois tipos: o interior e o externo, respectivamente, onde a pessoa aquiete-se, fique em paz e sinta-se bem consigo mesma, e onde não fique ouvindo o que todos dizem a seu respeito ou o que deve ser feito”, afirma Ana.

Dedique seu tempo ao que importa

Parar de pensar em coisas que não existem ou não podem ser resolvidas no momento são formas de usar melhor o tempo. De acordo com a empresária, educadora e executive coach Ada Maria de Assis e Silva, a gestão do tempo implica gestão de hábitos. O dia tem 24 horas para todos e, portanto, só vamos conseguir gerir bem o tempo quando descobrirmos quais os hábitos e ações que nos fazem perdê-lo, desperdiçá-lo.

“As melhores dicas são fazer por escrito uma descrição de um dia completo de vida e identificar onde está sendo gasto o tempo precioso que nos impede de cumprir nossas tarefas e nos traz uma sensação de vazio e ineficiência”, afirma. É preciso tomar cuidado com o tempo gasto com emails, redes sociais, telefone, e também reavaliar se você está delegando tarefas de forma correta.

“Você deve fazer aquilo que é de sua prioridade e delegar tarefas menores que podem ser feitas por colaboradores, filhos, cônjuges, parceiros de trabalho, entre outros.” Saber dizer não para bate-papos e fofocas no horário de trabalho também vai fazer com que seu tempo apareça. “E cuidado: não assuma tarefas que não são suas e acabam sendo empurradas para você, devido a sua falta de limites interior, pois as pessoas percebem onde há espaço para despejar responsabilidades”, afirma Ada.

Respeito próprio

De acordo com Ana Cristina Penteado Lopes, psicóloga cognitivo-comportamental, é preciso entender que nenhuma crise é eterna e que nenhuma paz dura para sempre. “Olhar nossa própria história e perceber que o que passamos foram degraus para chegarmos onde queremos é uma atitude que ajuda. Não adianta querer que a vida seja uma planície verde e límpida. Isso não leva as pessoas muito longe e elas perderiam a motivação de caminhar. A curiosidade e vontade de ir a lugares novos motiva a caminhada.”

Olhar positivo

Para a psicóloga, o desafio de conquistar, melhorar a fé, ajudar outras pessoas e vencer situações difíceis devem ser encarados como meios de se viver e não como um sofrimento estanque. “Deve-se reavaliar crenças derrotistas do tipo não ‘sirvo para nada’. Sempre é possível engajar-se em alguma atividade que seja prazerosa. Sentir-se útil e valorizado. Se a pessoa não consegue sozinha, deve rever seus conceitos e aceitar que alguém de fora possa ajudá-la a refazer a leitura e interpretar de maneira diferente.”

Francine Moreno

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