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Artigo: Novos E Mais Desafios Para O Rh

À medida que o cenário econômico piora, ganhar produtividade se torna uma tarefa crucial para as empresas. Para isso, é necessário algo que é cada vez mais raro no país: profissionais capacitados e engajados. A queda da atividade econômica e um suposto quadro de emprego pleno geraram um efeito curioso: há pouca procura por trabalho. Simultaneamente, grande parte da mão de obra disponível é despreparada. Somados, esses fatores tornam o papel do profissional de RH primordial para as organizações.

Empresas enfrentam dificuldades para recrutar profissionais em todos os níveis. Um levantamento da Fundação Dom Cabral aponta que 64,62% de 130 empresas pesquisadas não conseguiam contratar profissionais de nível técnico e 40% não localizavam trabalhadores aptos ao exercício de atividades operacionais.

Há um grande número de trabalhadores, particularmente da área operacional, que prefere usufruir dos programas sociais a estar formalmente empregados. Isso decorre principalmente de uma perniciosa combinação desses benefícios com a arcaica legislação trabalhista. Após sete meses de carteira assinada, o trabalhador passa a contar com o seguro desemprego. Depois, pode recorrer ao Bolsa Família. É inegável o avanço que esses dois fatores promoveram, tanto social quanto economicamente. Porém, como estão, não estimulam a busca pelo aperfeiçoamento profissional.

A pesquisa ampliada do IBGE estimou em 39% da população em idade para trabalhar, cerca de 62 milhões de pessoas, que não exercem nenhuma função e nem procuram emprego. Ao não buscar uma atividade econômica, não figuram como desempregados nos dados oficiais. Ainda conforme o IBGE, em 2012, um em cada cinco jovens entre 15 e 29 anos (9,6 milhões de pessoas) não trabalhava nem estudava. É a chamada “geração nem-nem”.

Se é difícil contratar, manter os profissionais nas empresas é tarefa tão ou mais complexa. Quem trabalha tem adoecido. O Ministério da Saúde estima em 25 milhões de pessoas os brasileiros que sofrem de depressão em algum grau. Essa doença, que é atualmente a quarta principal causa de incapacitação para o trabalho no mundo, conforme a OMS, responde por dez afastamentos do emprego a cada hora no Brasil.

Embora estratégico neste cenário, o RH é um dos responsáveis pelo quadro. São raríssimas as empresas que observam o perfil comportamental e ético daqueles que recrutam, principalmente para posições de comando. Além de riscos financeiros para as corporações, essa desatenção é um dos principais fatores que comprometem o clima organizacional. Um levantamento realizado pela HSD com mais de 5 mil executivos de grandes empresas identificou desvios de caráter em 20% dos pesquisados. Esse tipo de profissional sujeita a equipe a episódios como assédio, tanto moral quanto sexual.

Formar e manter uma equipe capaz de conquistar resultados exige um RH alinhado às estratégias das empresas. Se há poucos anos as organizações podiam apenas cobrar seus profissionais, agora elas têm de ser atraentes para mantê-los e atrair os mais qualificados.

Susana Falchi – CEO da HSD Consultoria em Recursos Humanos, executiva e consultora em Projetos Estratégicos em empresas nacionais e multinacionais de grande porte. É administradora de Empresas com MBA em RH pela FEA/USP.

Por: Ana Borges

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