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As RelaÇÕes De Poder E A ViolÊncia SimbÓlica Nas OrganizaÇÕes Segundo Pierre Bourdieu

RESUMO:

O objetivo deste presente estudo teórico foi evidenciar como o poder e a violência simbólica exerce influencia nas organizações e nas relações de trabalho. Para tanto, utilizou-se dos estudos desenvolvidos pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, mais precisamente as teorias: de campo, habitus, poder simbólico e violência simbólica. Para a realização do estudo, utilizou-se a pesquisa bibliográfica realizada entre o mês de Julho e Agosto de 2012, que por sua vez, contou com diferentes obras sobre o tema proposto. Como resultado, o estudo permitiu estabelecer um olhar mais crítico sobre conceitos aparentemente entendidos como verdadeiros e universais na área organizacional. Observa-se ainda que tais verdades consagradas e perseguidas pelas empresas, muitas vezes não passam de estratégias para o exercício do poder simbólico com o propósito de influenciar a forma como cada indivíduo estabelece seus vínculos com a organização.

Palavras – chave: Relações de poder. Violência simbólica. Organizações.

Nova call to action

1. INTRODUÇÃO

Desde o início do Século XX as organizações vêm sendo alvo de inúmeros estudos por exercer forte influência sobre a sociedade, o modelo econômico, bem como a forma que se posicionam frente aos diferentes grupos de interesse, tais como: clientes, consumidores, fornecedores, funcionários, concorrência, governo e agencias reguladoras. Contudo, o ambiente organizacional apresenta outras questões que também chamam a atenção de estudiosos e pesquisadores, entre elas, as representações sociais, que por meio de seu ambiente interno, passa a reproduzir as manifestações observáveis no contexto da sociedade de forma geral. Diante disso, o ambiente organizacional revela uma série de fenômenos que estão presentes na sociedade, na qual se podem destacar as relações de poder e a violência simbólica presentes no dia a dia das interações humanas, aqui de forma mais específica, no contexto organizacional.

O poder é um fenômeno, na qual vem sendo amplamente discutido nos estudos organizacionais, bem como em diversas outras disciplinas das ciências sociais. Com a evolução das organizações, percebe-se o aumento na complexidade de suas estruturas, no estabelecimento de tarefas, na comunicação, tecnologias, habilidades e conhecimentos específicos para atuar de forma cada vez mais competitiva. Organizações cuja sua estrutura se faz prevalecer conceitos mais tradicionais percebe-se, a busca pela manutenção do status-quo, regras fortemente estabelecidas, tarefas especializadas e contínuas e a obediência como uma forma de manutenção do trabalho. Já as organizações que apresentam características menos tradicionais, observa-se que tais posturas acima destacadas têm sido substituídas por uma dinâmica de trabalho onde se apresenta estruturas enxutas e flexíveis, a busca constante pela inovação, tarefas multidisciplinares, habilidades e conhecimentos que tornam as pessoas geradoras de valor para o negócio e não mais somente cumpridoras de rotinas.

O exercício e a prática do poder materializam a violência que no contexto organizacional, pode assumir diferentes significados. A noção de violência que sempre marcou as relações entre indivíduos e organizações, atualmente, passa a assumir especificidades pouco percebidas, praticamente invisíveis, ao contrário das relações perversas e autoritárias em que os indivíduos eram submetidos às humilhações, maus-tratos, xingamentos e agressões físicas, que marcaram as relações entre indivíduos e organizações até o início do Século XX.

Tal complexidade do universo organizacional nos faz refletir sobre uma violência menos explícita, contudo muito marcante decorrente do processo de socialização que visa manter os padrões de conduta instituídos pela organização e que posteriormente são reconhecidos como legítimos por seus membros. Dessa forma, pode-se observar o fenômeno da violência como um processo de dominação que segundo Bourdieu (1989) ocorre por meio de um poder mágico, capaz de obter o mesmo tipo de resultado como o que é obtido pela força. Dessa forma, são estabelecidas barreiras simbólicas que têm a finalidade de hierarquizar as relações e definir o espaço ocupacional dos indivíduos.

Considerando os efeitos de tal violência sobre os indivíduos e também sobre o contexto organizacional, o objetivo deste presente estudo teórico foi evidenciar como o poder e a violência simbólica exerce influencia nas organizações e nas relações de trabalho. Para tanto, utilizou-se dos estudos desenvolvidos pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, mais precisamente as teorias: de campo, habitus, poder simbólico e violência simbólica. O estudo está organizado em etapas distintas, onde inicialmente se apresenta a introdução, na seqüência apresentam-se algumas discussões sobre o poder simbólico bem como suas principais formas de manifestação nas organizações. Em seguida abordou-se a cultura organizacional como uma representação simbólica de poder associada às teorias de campo e de hábitus de Bourdieu. Por fim, encerramos com as considerações finais, possibilitando encaminhamentos para futuros estudos com base nas discussões apresentadas.

* Aqui é apresentado apenas o resumo e a introdução do artigo.

AUTOR:
Luciano Santana Pereira

Mestrado em Ciências Sociais; Graduado em Administração; Graduado em Gestão Comercial;
Pós-Graduado em Gestão de Pessoas e Desenvolvimento de Talentos; MBA em Estratégias Empresariais; Atua a mais de 14 anos na área Negócios e 8 anos na área de Gestão de Pessoas; Professor, Consultor em Gestão de Pessoas, Liderança e Desenvolvimento de Equipes. Atualmente é Coordenador do curso Gestão em Recursos Humanos pelo NEAD UniCesumar.

Site: www.atuacaoprofissional.com.br
E-mail: luciano@atuacaoprofissional.com.br

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