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Atos Mais Que Positivos

Fazia algum tempo que não escutava esta frase: “o Brasil cresce durante a noite”. Em alusão ao que se faz de ruim e péssimo durante o dia, nos bastidores, que pode ser compensado à noite. Claro que isto não é bem assim que funciona. Tem o seu lado possível e o inexplicável. Vamos olhar os pontos positivos possíveis.

O grande estadista inglês Winston Churchill dizia “não existe opinião pública, existe opinião publicada”. Se partirmos daí já teremos um bom argumento para acreditar que muito de catastrófico que lemos, vemos ou ouvimos está concentrado nas mãos da própria mídia que seleciona o que devemos ler. 

O número de jornais diários no país não passa de trezentos e cinquenta e poucos. Por outro lado, a televisão aberta tem uma força muito grande que une nossas cabeças com receitas e opiniões num único caldo cultural. Uma exceção são as tevês a cabo que, com seus programas dirigidos e segmentados, tentam atingir o seu propósito de manter um canal com um público selecionado. 

Trocando em miúdos, o nosso país é muito grande para ser analisado com um todo. São muitos brasis acontecendo ao mesmo tempo. Assim quando um lado está com sol, num outro tem chuva de inverno. Acontece muita coisa positiva, à toda hora, que não dá tempo de ser noticiada. Estas notícias, talvez, possam não interessar à maioria, mas a minoria que está fazendo o seu trabalho, que está construindo alguma coisa. 

Dê uma parada para pensar, neste momento, um anônimo, numa atitude normal poderia estar inventando um troço qualquer, recitando uma poesia, encenado uma peça inédita, escrevendo um livro, pintando um quadro, fazendo um curso profissionalizante, dirigindo um caminhão com uma carga qualquer, levando um passageiro de taxi em algum percurso, atendendo um cliente e ajudando-o a comprar a roupa que irá usar numa festa, ou até construindo uma estrada vicinal ligando o nada a lugar nenhum, mas facilitando a vida de alguém para chegar mais cedo numa escola rural, por exemplo?

O que há de positivo nisto? A informação necessária está chegando ao público que interessa. Alguém mais, se quiser saber, que se informe. Não dá para querer saber de tudo ao mesmo tempo. Mas dá para não ficar criticando que este país não dá certo. 

Não sei de quem é está frase: faça a sua parte bem feita que já está bom! Acho que acabei de reinventá-la, misturando letras. Não é bem assim. Mas é um ato positivo. Chamo a isto, dos pequenos grandes atos positivos. As milhares, centenas de milhares de atitudes isoladas, que acontecem durante todo o dia que nos levam a manter nossos ideais coletivos em pé. Somos muito mais fortes realizando a nossa parte, embora em silêncio. Mas estamos fazendo o que é para ser feito.

A função de levar bons exemplos parece que está um pouco esquecida na imprensa. É o seu lado de função educacional, informadora e formadora de opinião. Assim como os propósitos da educação formal estarem abalados a imprensa está se revisando e se auto-analisando. É uma destas crises da democracia. É uma daquelas crises da adolescência da abertura política. 

Faz quinze anos que começamos a saborear a liberdade de poder escrever o que nos vinha na cabeça. Tudo ainda parece muito novo, afinal, parece que estamos reaprendendo a nos comunicar. 

Percebo uma grande preocupação em querer levar adiante um ideal de país que supera suas crises com resignação e servilhança e de outro com muita indignação e medo. Lembro-me de uma frase, escutada numa mesa de negociação em Londres, a respeito do nosso jeito de ser na hora de nos expressarmos: “falta um pouco de ousadia ao brasileiro”. Com certeza, no comércio exterior, nos falta agressividade mercadológica. Mas pensando bem está faltando um pouco mais desta garra, desta ousadia, de um jeito de quebrar paradigmas. 

Ficamos só no ato positivo, dependendo das cores que vão ser pintadas pela mídia, das notícias que iremos ver, e nos esquecemos de desafiar e ousar. Os que já fazem isto romperam com as crises e se superaram ganhando melhores posições em suas atividades. Crescem e se multiplicam. É o lado do país que se supera, apesar dos desgovernos e da corrupção endêmica, que serão corrigidos. Se entramos nesta podemos sair, afinal, é só uma crise de adolescência. 

Este é o lado possível. Mas temos um componente acumulado durante anos, pelo menos uns cem aninhos, que é o lado da nossa sensibilidade, que alguns consideram até inexplicável. Trazemos em nosso bojo de memória uma mescla cultural e uma diversidade profissional que nos capacitam a conseguir mudar e nos adaptar com muita rapidez e facilidade.

Se já estamos mais conscientes a caminho de uma maturidade democrática, só nos falta darmos um salto de qualidade. Isto é darmos mais vibração às nossas atitudes, em relação às nossas vontades. Diria que não basta só refazer o que se destrói ‘nos bastidores’ é preciso ter mais vontade para se superar, de melhorar, de querer mais e mais atos positivos, com entusiasmo, e qualidade de vida. 

Mario Enzio
Graduado em Comunicação, Pós em Administração de Empresas pela ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing; 
Cursou a Universidade Holística da Paz – Unipaz, em Brasília; e a Escola de Governo; Mestre em Reiki; .

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