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Autodesenvolvimento: você só depende de você

Qualquer reflexão sobre o
autodesenvolvimento passa primeiro, por um entendimento de que DESENVOLVER
implica em romper laços, amarras, e sabemos que, em qualquer uma das dimensões
humanas (física, emocional, mental, social, ou espiritual), todo
desenvolvimento exige que rompamos com um padrão já adquirido, para adotarmos
outro, que é novo e que é uma etapa natural da evolução humana.

Desenvolvimento significa o
aumento das capacidades ou das possibilidades, pois podemos desenvolver o nosso
potencial. Quando falamos em autodesenvolvimento, estamos entendendo que o indivíduo
assuma, ele mesmo, a responsabilidade por este processo evolutivo, através da
busca pessoal de recursos e condições, que lhe permitam reconhecer que hoje
está “melhor” (em qualquer aspecto) que ontem, e ter a certeza de
que, amanhã, estará melhor que hoje.

Quando pensamos nos recursos para promover este
autodesenvolvimento, estamos fundamentalmente considerando a educação e
qualquer outra ação, que venha a contribuir para que o indivíduo gerencie a
si mesmo!

Nova call to action

No atual contexto das organizações, este tema
acabou assumindo uma grande importância, pois o autodesenvolvimento tornou-se
uma das mais importantes competências para o profissional do século XXI e dele
dependerá o sucesso das pessoas e conseqüentemente das organizações. Só as
organizações que tiverem pessoas que estejam absolutamente conscientes e
focadas em seu autodesenvolvimento, serão capazes de responder rapidamente a
mudanças tão aceleradas, adaptar-se à nova realidade tecnológica, e
superarem os desafios, que garantam, mais do que a sobrevivência, o sucesso
organizacional.

O autodesenvolvimento não se restringe apenas
à “gestão da carreira”. Este é um importante aspecto, mas existem
outros que são preliminares e, por isto, mais genéricos. O processo de
autodesenvolvimento engloba algumas etapas essenciais:

  1. Fazer uma auto-análise
  2. Buscar ajuda e participação de pessoas que
    possam contribuir para seu autodiagnóstico, através de feedbacks
    eficazes.
  3. Definir os objetivos e métodos mais
    adequados para atingi-los.
  4. Agir, porque não adianta ficar só na intenção;
    é preciso canalizar a energia e partir para ação.

A competência de autodesenvolvimento implica
numa acentuada capacidade de estudar, numa curiosidade natural, que se manifesta
por um interesse em descobrir e conhecer o mundo, na iniciativa, na persistência
e automotivação e na disciplina. Todas estas características estão
relacionadas ao desenvolvimento da nossa inteligência emocional, o que nos leva
a constatar que esta é a base de todo o processo de autodesenvolvimento.

Peter Drucker, em Desafios Gerenciais para o
Século XXI
, afirma que “gerenciar a si mesmo” significa
colocar-se onde você possa fazer sua maior contribuição à sociedade; –
aprender a se desenvolver constantemente, mantendo-se mentalmente ativo; e –
aprender a como e quando mudar.

Na verdade, um ponto em que
todos os gurus acabam concordando é que as pessoas que têm um autoconhecimento
desenvolvido e que conseguem analisar as exigências do seu trabalho, de profissões
de interesse e do mercado, podem ter maiores possibilidades de realização na
carreira e na vida pessoal, pois encontram alternativas adequadas ao seu perfil
e adaptam-se mais facilmente às mudanças trazidas pelas novas tecnologias.

Seguindo por esta linha de raciocínio, notamos
que o autodesenvolvimento é uma questão estratégica na vida das pessoas, e
que, no contexto de hoje, está relacionado ao sucesso individual e, por conseqüência,
ao sucesso organizacional. Contudo, vamos nos deter agora nesta questão estratégica,
ou seja, o nosso autodesenvolvimento tem de estar alinhado com a nossa missão,
nossa visão, nossos valores, e no significado que damos ao trabalho em nossa
vida.

Em sua obra, À procura de si próprio -Um
guia para a Realização Pessoal,
Barbara Braham afirma que somente quando
compreendemos a nossa missão, conseguimos olhar para frente e “enxergar a
nossa visão de futuro”.

Segundo Joel Backer, um dos estudiosos sobre o
futuro mais conhecido na atualidade, esta visão é um dos principais
diferenciais entre pessoas, organizações e nações bem ou mal sucedidas. É
esta visão, que compartilhada e posta em ação, pode mudar a vida das pessoas
e, conseqüentemente, o mundo.

Nossa missão e nossa visão são norteadas por
nossos valores. São os valores que permeiam as nossas escolhas em busca da
realização pessoal. Precisamos ter clareza de nossos valores, pois são eles
as nossas referências mais consistentes, que nos fazem buscar a coerência
entre o discurso e as ações que empreendemos.

O significado do trabalho em nossa vida passou
a ser importante nestas definições estratégicas, pois já que passamos mais
de 1/3 de nossas vidas no trabalho e, como dissemos antes, em média vamos
trabalhar 50 anos, temos que nos preocupar em mudar alguns paradigmas
relacionados ao trabalho como “dever ou obrigação”. Hoje algumas
pessoas já começam a encarar o trabalho como fonte de prazer, buscando fazer
aquilo que dê significado à sua vida e que esteja compatível com sua missão,
seus valores, e sua visão de futuro.

No entanto, sabemos que dada a complexidade do
SER HUMANO, muitas vezes, ele mesmo boicota estas realizações, utilizando
“máscaras”, como diz Barbara Braham na obra citada anteriormente.
Precisamos tirar estas “máscaras” (a tirania do devo, a baixa
auto-estima, o medo e outras) que nos distanciam de nós mesmos, que nos impedem
de ver com mais clareza aquilo que somos e que desejamos. Tiradas estas máscaras
conseguiremos caminhar no sentido de nossa auto-realização, que é a essência
do sucesso pessoal e profissional.

À medida que entendemos o SER HUMANO como um
SER HOLÍSTICO, não podemos separar a perspectiva pessoal da profissional.
Muito se tem dito hoje sobre como a realização pessoal afeta a realização
profissional, e vice-versa. Desta forma, pensar no significado do sucesso para o
indivíduo é considerar o bom resultado, êxito ou triunfo (como diz o dicionário
do Houaiss) de forma geral, ou seja, na vida. No entanto, sabemos que este é um
assunto bastante complexo dada a sua subjetividade, pois o que é sucesso para
um, pode não ser para outro, tendo em vista essencialmente os valores pessoais.
Um dos principais questionamentos do SER HUMANO está relacionado ao como deve
investir o seu tempo: para ganhar dinheiro ou para ser feliz? Uma pessoa mais
focada no comportamento de SER, por considerar que TER é uma conseqüência,
terá um entendimento diferente do que uma que está mais preocupada com o TER,
por exemplo.

Por isso, pouco nos agregaria
neste momento dar uma única definição do que seja sucesso, dada a
singularidade do tema, mas podemos analisar que fatores podem nos levar ao
“sucesso”.

Diversos estudos sobre o tema
convergem para a idéia da importância da Inteligência Emocional no sucesso
das pessoas. Howard Gardner em seu estudo sobre Inteligências Múltiplas, já
tinha feito referência a este aspecto, afirmando que muitas pessoas
bem-sucedidas não tinham QI (Quociente de Inteligência) alto. A inteligência,
como até então era entendida, pela perspectiva do raciocínio lógico-matemático-verbal,
não era a principal característica de grandes expoentes nas mais diversas áreas
do conhecimento humano.

Daniel Goleman afirma que a
Inteligência Emocional (IE) permite fazer um prognóstico sólido para o
sucesso de uma pessoa, pois 90% das diferenças entre executivos de desempenho
excepcional e os de desempenho médio, estão relacionadas aos fatores
relacionados à IE, e não às habilidades cognitivas adquiridas na escola. E,
dos 5 fatores da IE, o que foi comum a todos foi a automotivação, decorrente
das pessoas fazerem o que gostam.

A automotivação é um aspecto
determinante na maneira como as pessoas lidam com o fracasso. E é impossível
alcançar o sucesso se não soubermos enfrentar positivamente o seu oposto – o
fracasso: entenda que o erro permite que você redirecione o caminho; coloque o
foco em entender o PORQUÊ e não QUEM; use o erro como fonte de aprendizado e
como medida para avaliar o seu crescimento.

Segundo uma pesquisa publicada
na revista Fortune, as pessoas bem-sucedidas falharam em média 7 vezes, antes
de se saírem bem.

Já existe algum acordo entre
os diversos estudiosos do assunto, sobre algumas atitudes que diferenciam
as pessoas de sucesso
, tais como:

  • Têm paixão pelo que fazem, colocam afeto
    nas coisas;
  • Dedicam-se e são persistentes;
  • Têm visão de futuro;
  • São pró-ativas, assumem responsabilidades
    e correm “alguns” riscos;
  • Têm uma visão positiva da vida e um
    “alto-astral” (leveza);
  • Têm foco na qualidade de vida, fazem do
    presente os seus momentos felizes, usando bem o seu tempo e colocando toda a
    energia naquilo que é verdadeiramente significativo para elas;
  • Aprendem com erros próprios e dos outros, não
    valorizam as situações negativas;
  • São flexíveis e resilientes (capacidade de
    superar os limites);
  • Têm facilidade para se relacionar e
    conviver;
  • Desenvolvem o seu autoconhecimento, ele será
    a base do seu sucesso.

Um ponto importante a ser
observado na relação das pessoas com o sucesso é a continuidade, pois, nem
sempre, as pessoas agem no sentido de manter o sucesso conquistado, onde entra,
mais uma vez, a importância do fator persistência: desistir jamais!

À medida que a empresa é uma
integração de Seres Humanos, não há como não estabelecer uma correlação
direta entre o sucesso pessoal/profissional com o sucesso da organização.
Diversos gurus e estudiosos de gestão de empresas afirmam que pessoas felizes são
mais produtivas, e vice-versa, gerando um ambiente mais positivo e têm melhores
resultados – ou seja, geram lucro.

Como já disse meu amigo,
Marco Aurélio Vianna, “Empresa Triunfadora, depende de gente Triunfadora e
feliz!

Este texto foi extraído do Curso
Desenvolvimento Pessoal, Programa em
e-learning do MVC/MENTOR.

 

 

Denize
Dutra

Consultora
Sênior do Instituto MVC

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