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Como ser raro e valioso para sua empresa?

Para ser raro e valioso o profissional do século XXI deve realizar com excelência duas ações: garantir sua empregabilidade e exponenciar suas competências.

Todo profissional consciente deve assumir as rédeas da própria carreira, isso é o que denominamos de empregabilidade. A verdadeira empregabilidade é responsabilidade do próprio profissional na medida em que este chama para si o compromisso de manter crescente seus conhecimentos, habilidades e principalmente de manter atualizada sua rede de relacionamentos.

Nada mais raro e valioso para a organização do que um profissional que provoca constantemente a si mesmo, que se desconforta para crescer, que se atualiza sem ser cobrado por isso, que olha a sua área e para a organização, conhecendo não apenas o seu produto, demanda e segmento, mas também quais são e como estão se posicionando os big players do seu mercado.

O século XXI trouxe à gestão desafios hiperbólicos. A maioria das decisões hoje está cercada de um nível de complexidade nunca visto antes. Passamos da Era da Melhoria Contínua para a Era da Inovação Perpétua. Eis o mundo organizacional.

Na Era da Inovação Perpétua, o trabalhador modelo padrão está sendo enterrado. Pessoas com o cérebro e filosofia de gestão do século passado têm que garantir seu lugar no futuro: comprar um jazigo! Neste século uma nova concepção de trabalhador emerge: o Trabalhador do Conhecimento.

Enquanto o Trabalhador Formal possuía quatro competências, o Trabalhador do Conhecimento tem que reconhecer, investir e desenvolver pelo menos 16. Dentre elas, habilidade de transformar informação em conhecimento, expertise, empreendedorismo, ética e liderança, assim como, paixão pelo trabalho, comunicação e trabalho em equipe.

Uma importante iniciativa para as organizações é a “Incubadora de Talentos”. O programa visa treinar novos colaboradores, garantindo a sucessão e a movimentação dos atuais. A Interadapt, empresa líder em soluções de TI, por exemplo, abraçou o modelo. O movimento gerou e está gerando resultados fantásticos não só na organização de hoje, mas principalmente na organização que eles pretendem ser no futuro. Com a Gestão dos Talentos, a empresa está desenvolvendo Trabalhadores do Conhecimento!

É possível ´entregar´ o máximo de você no dia a dia corporativo? Para que isso aconteça, todo colaborador terá que receber estímulos internos (intrínsecos) e externos (extrínsecos). Esses dois fatores deverão convergir.
Para entregar o máximo, o colaborador deve reavaliar a forma como enxerga o trabalho.

A visão que o brasileiro tem do trabalho é subproduto da cosmovisão grega e da colonização católica. Aprendemos de diversas maneiras que o trabalho é uma maldição e a maioria dos brasileiros entra na empresa pensando já na aposentadoria.

O sonho de todo pai brasileiro é que seu filho seja jogador de futebol, político ou funcionário público. Qual a mensagem subliminar? Trabalhar o mínimo possível e ganhar o máximo possível. As pessoas entram no trabalho com essa visão: qual o mínimo que preciso fazer para me manter empregado? Que mentalidade tacanha!

Há um conjunto de estímulos externos e as pessoas entregarão o seu melhor se: forem desafiadas a criar (significa ter prazer no trabalho), serem reconhecidas, elogiadas e receberem feedbacks positivos. Encontrar um ambiente no qual a amizade é genuína, estar em uma empresa da qual sintam orgulho, além de ter uma reputação reconhecida e reconhecimento financeiro (o ganho financeiro é o último da lista, pois ele só garante estímulo por no máximo dois meses), também são estímulos importantes.

Quem seria capaz no mundo organizacional de fazer convergirem os fatores extrínsecos e intrínsecos? Alguém muito especial: O Líder.

O segredo dos profissionais que ser tornam únicos e, muitas vezes, insubstituíveis em suas áreas é simples: eles são as pessoas certas, nos lugares certos, fazendo as coisas certas.

Para entender melhor isso, precisaríamos perguntar a cada colaborador se ele se sente a pessoa certa para a posição, se está no lugar certo, fazendo a coisa certa. Nada melhor do que o líder para alocar a pessoa certa para determinada posição.

A liderança é uma das competências dos Trabalhadores do Conhecimento e a que melhor remunera e torna alguém insubstituível.

A mais famosa escola de negócios do mundo – Harvard Business School, nos mostra que vivemos dias em que há um “apagão de lideranças”, ou seja, se temos uma ausência total de líderes, temos então uma grande oportunidade.

Sendo assim, para se aprimorar e aprender a se valorizar dentro de uma empresa, você deve ter em mente que empregabilidade é um problema seu, e para se tornar um Trabalhador do Conhecimento, é necessário liderar!

Finalmente, encontre a empresa certa e coloque tudo isso sobre a mesa!

Paulette Melo é consultora da Interadapt e Professora Mestre da FGV

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