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Como Treinar O Seu DragÃo

O título desse artigo é o mesmo de um filme que provavelmente você já deve ter assistido ou ouvido falar. Conta a história do Soluço, um garoto esperto e aventureiro, porém muito magricelo para os padrões de guerreiros da época. Por ser filho do líder da tribo, a pressão por força e brutalidade era ainda maior. Para provar seu valor, Soluço precisa “derrotar” o principal inimigo da tribo – os Dragões. Acontece que o contexto muda quando o menino passa a ter uma amizade com um “perigoso” Dragão e aos poucos vai conseguindo “domar” a fera.

A ideia é claro não é contar a história, mas inspirado nesse enredo provocar uma reflexão: perceba que propositalmente destaquei as palavras “domar”, “derrotar” e “perigoso” com o intuito de atrelar isso às questões comportamentais do dia a dia.

Um velho índio já dizia: “Dentro de nós existem dois lobos. Um é mau e o outro é bom. Qual vence? – Aquele que você alimentar”.

Com todas essas propostas que o mundo oferece, bem como no contexto corporativo, é inevitável acertar e errar, portanto é certo que teremos o estresse. O que não é ruim, pois o estresse promove a evolução, viemos nesse mundo pelo estresse (o parto), aprendemos a comer, a andar, a falar tudo porque em algum momento alguém provocou uma carga de estresse, ou seja, estresse é uma carga de estímulos que recebemos externamente, o modo como reagimos a esses estímulos é o que promove evolução ou desgaste.

Quando o corpo entra em exigência em uma atividade física, por exemplo, ele sofre uma carga de estresse, chega inclusive a doer, porém o sistema imunológico do nosso corpo cria uma resistência no músculo e com a frequência do exercício, é onde desenvolvemos a “musculatura”, ou seja, fica mais forte.

No campo das emoções não é diferente, quanto mais passamos por adversidades e as superamos, maior e mais forte fica nossa “musculatura”. Esse tal “Dragão” que todos temos dentro de nós, pode ser extremamente perigoso quando não conseguimos responder a esses estímulos.

Por exemplo, uma discussão no trabalho, na escola, no trânsito, pode desencadear uma série de comportamentos agressivos, que uma vez expressados, sejam por palavras, gestos, vias de fatos, não voltam mais. É a tal da “ressaca moral”, certamente pior que a de cachaça.

O “Dragão” também pode ser domado, quando diante dos estímulos que recebemos reagirmos de forma adequada, seguindo um conceito do Ph.D. Daniel Goleman de Inteligência Emocional – colocar a razão vigiando a emoção.

Um exercício, que certamente não é fácil na prática, mas que pode ajudar a desenvolver essa musculatura emocional é não associar o acontecimento, que já é um fato ao sentimento de injustiça, por mais injusto que possa parecer. Por exemplo, uma não promoção, uma demissão, um desentendimento com qualquer pessoa, um acontecimento que no seu entendimento possa parecer injusto.

Outro exercício é diante do acontecimento, desvincular a pessoa do fato, e fazer a seguinte pergunta: Porque isso está acontecendo comigo, qual é o sentido disso? Evitar ficar com o sentimento de revanchismo, ou discórdia, levar pelo lado pessoal.

É claro que nem todos os acontecimentos serão prazerosos, aliás, só conhecemos o prazer porque existe o desprazer, conhecemos o claro porque existe o escuro, o amor porque existe o desamor. Uma coisa é certa para nós: não passaremos por esse mundo sem conhecer o prazer e o sofrer, porém os dois mecanismos têm que nos promover evolução, crescimento e desenvolvimento da consciência.

O treinamento desse “Dragão” não existe receita e nem curso, mas a disposição de observar as próprias emoções e vigiar as reações diante dos acontecimentos da vida, que temos ou não interferência, mas que já se consumaram, e o principal instrutor desse treinamento é VOCÊ. Por Danilo Fernando Olegário

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