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Comércio Dentro Das Empresas: Prejuízos Na Certa

Vida de consultor tem dessas coisas: como estamos sempre em diferentes empresas, uma coisa que nos chama a atenção é o comercio underground entre funcionários das empresas. 

Entendemos que a situação por que passa o Brasil, o arrocho salarial, a imensa carga tributaria, o elevado custo de vida, custos de manutenção domestica crescente, desemprego nas famílias, tudo junto e mais a carga horária que muitas vezes obriga uma jornada de trabalho mais elevada (sem remuneração extra, claro), proporcionou o estimulo ao comercio interno. 

Com um publico cativo nas empresas, às vezes até chegando às famílias dos colaboradores, grande parte deles, os mais empreendedores, passou a comercializar perfumes, cosméticos, bijuterias, roupas, doces e salgados, cds e softwares piratas, serviços de costura, óculos, etc, ocupando disfarçadamente uma parte da carga de trabalho desses colaboradores, o que reduz o tempo dedicado à empresa. 

De certa forma, esse é um tabu a ser mexido, pois tudo ocorre por baixo dos panos e, apesar da maioria das empresas divulgarem regras claras proibindo esse tipo de comercio, acontece com ou sem a anuência dos patrões e superiores. 

Nada contra a atitude de cada um na busca por uma melhoria nos rendimentos pessoais, um plus no orçamento, no entanto, isso prejudica a empresa e os relacionamentos entre as pessoas, refletindo nos resultados das empresas. 

Vamos aos pontos-chave: 

– prejuízo para a empresa pela falta de dedicação dos funcionários (conte-se o tempo gasto de quem vende e de quem vai saber das novidades); 

– prejudica a performance profissional pois o colaborador não foca seu crescimento na empresa e sim ganhar o dinheiro extra. Afinal, o salário já está garantido; 

– forma-se uma guerra psicologia de grande interesse de quem vende, quase que como uma gangue onde quem não compra é mal visto pelos companheiros; 

– há as ocorrências de inadimplência, o que gera conflitos internos alheios aos negócios da empresa; 

– com a “turma do docinho” contra a “turma da bijuteria”, num determinado momento de uma reunião de negócios, as animosidades ocorridas em função do tal comercio interno, podem afetar decisões que prejudiquem a empresa; 

– sérios problemas de relacionamento podem impedir de todos “vestirem a camisa” da empresa já que existiram rusgas por razoes de preço de produtos, qualidade, devoluções, falta de pagamento e vários outros motivos; 

– as pessoas que não se envolvem com esse tipo de comercio são, de certa forma, banidas e condenadas à solidão, a menos que optem por efetuar uma ou mais compras para “serem legais” e fazer parte deste ou daquele grupo. E olhe que muitas vezes compram sem precisar ou mesmo comprar aquela empadinha que tem gosto de gordura velha! 

Perguntar a qualquer pessoa se ela vende algum produto, com certeza, a negativa será categórica mas se for um pouco mais apertada, dirá que faz isso antes ou depois do expediente, ou mesmo no horário de almoço e, sempre fora da empresa. Jamais alguém admitirá que faz isso durante o expediente. 

Assim, não há profissional de Recursos Humanos que consiga unificar vozes e pensamentos, visando a unidade e foco ao negocio da empresa. Pode gastar dinheiro com projetos de Endomarketing, ações de conscientização, campanhas, cursos e palestras, nada surtirão efeito se houver animosidades já instaladas. 

É reconhecido que as empresas tem o horário de trabalho coincidente com o horário do comercio, o que prejudica as pessoas de circularem pela cidade para procurarem os alvos de sua necessidade ou cobiça. 

O Brasil é um país que estimula os hábitos consumistas e é praticamente impossível deixar compras para o horário de almoço, à noite ou nos sábados pela manhã (caso a empresa não trabalhe também nesse dia). 

Por isso, uma recomendação aos profissionais de Recursos Humanos, é que observem discretamente esses movimentos dentro da empresa e avaliem o quanto é prejudicial quando é feito durante o expediente, o quanto retira os colaboradores da ação efetiva da empresa na busca por melhores resultados. 

Um proposta para evitar esse comercio durante o expediente seria, através de grêmios, adcs, clubes, ou até mesmo terceirizar essa prestação de serviços, definir um determinado local dentro da empresa, dia da semana, horário de inicio e termino, para a montagem de uma “feirinha” ou “mini-shopping” e então permitir que os colaboradores dêem um pulo até o local e comprem o que interessa. 

Tudo isso sob observação da área de Recursos Humanos a fim de detectar qualquer possibilidade de animosidade que venha prejudicar o entrosamento entre os colaboradores, em função de não pagamentos, cheques sem fundos, etc. 

O difícil mesmo será tirar a coxinha, a empadinha, o bolinho de todo dia de circulação! 

EDSON LOBO é jornalista com formação em Administração de Marketing. É consultor de empresas na área de Comunicação Empresarial e Imagem Corporativa. 
edson_lobo@hotmail.com

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