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O conceito ESG e o papel do RH

conceito ESG

*Por Marcio Bueno, Tecno-Humanista, Autor, Palestrante, Fundador e CEO da BE&SK, plataforma de conhecimento, empresa de formação corporativa e consultoria

Empresas ESG constroem um mundo melhor! Esta é uma afirmação dita com muito orgulho por parte das empresas que possuem esta prática. Mas será que isso é verdade?

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Vamos entender um pouco melhor como surgiu o conceito ESG, o que é e como o RH pode ajudar.

Como surgiu o conceito ESG?

Em 2004, Kofi Annan, secretário geral da ONU da época, em uma reunião com 50 CEOs de grandes empresas, lançou uma provocação sobre a importância de preocupar-se com o impacto social, meio ambiental e a governança dos negócios.

Esta provocação se transformou na sigla ESG – Environment, Social and Governance e apareceu pela primeira vez no relatório do Corporação Financeira Internacional (IFC) do Banco Mundial – Who Cares Wins, em tradução livre, Ganha quem se importa.

Neste momento a semente foi plantada e o conceito foi estruturando-se e ganhando cada vez mais força.

Empresas ESG buscam formas de minimizar seus impactos no meio ambiente, construir um mundo mais justo e responsável para as pessoas em seu entorno e garantir melhores processos de gestão.

Hoje, o objetivo das práticas ESG é mais amplo, é de construir empresas mais responsáveis e garantir a sustentabilidade empresarial e consequentemente a do planeta.

Para melhor estruturar as práticas ESG e facilitar sua aplicação nas empresas, o Pacto Global criou 10 princípios:

Sendo conhecedora da importância e necessidade da mudança nas práticas corporativas, em 2016, a ONU criou o PRI – Principles for Responsible Investment. (relatório de 2019 em português aqui)

Estes princípios já contam com mais de 3.500 signatários onde se encontram os maiores e mais importantes fundos de investimento do mundo.

O PRI, tem exigido o aumento gradativo de análise ESG nos investimentos, o que significa que os fundos incorporaram em suas análises de investimento a avaliação ESG.

Esta análise começou em apenas 20% dos investimentos, depois passou para 50% e desde 29 de abril de 2021 90% dos investimentos devem passar por uma avaliação ESG.

E este foi o principal motor para impulsionar o crescimento das práticas ESG no mercado.

A maior parte das empresas aderiram ao movimento ESG por atender as exigências dos fundos de investimento.

E é exatamente aí onde surge meu questionamento. As empresas estão fazendo porque estão sendo obrigadas pelos fundos de investimento e pelo mercado, que cada vez mais exige empresas mais conscientes e humanizadas, não por convicção.

No primeiro capítulo da série O matuto corporativo, o jovem matuto traz uma reflexão “Como as empresas ESG pretendem construir um mundo melhor fazendo o que fazem?

Enquanto as práticas ESG forem feitas somente para atender exigências externas e cumprir tabela, não passarão de mais uma boa intenção convertida em pantomima por executivos esthéticiennes, especialista em cosmética corporativa.

Tenho que reconhecer que uma parte dos executivos não fazem isso por má fé, eles foram devidamente doutrinados a atuarem assim.

Recentemente eu almocei com um grande amigo de infância, uma pessoa que eu adoro e admiro, pessoal e profissionalmente, e na conversa surgiu um assunto sobre sustentabilidade que estou trabalhando em um cliente e ele me perguntou: “mas a empresa está fazendo isso porque é obrigada, né?”

Na cabeça dele, a empresa só deve fazer alguma coisa se é obrigada ou para obter benefício direto. E eu não o culpo. Eu também aprendi assim, a diferença é que enxerguei que empresas conscientes e humanizadas podem ser mais rentáveis.

Mudei a forma de pensar e atuar e passei a fazer o que era certo, independentemente se era obrigatório ou não.

Eu concordo que ser uma empresa ESG é muito melhor que não ser, porém não é suficiente porque é possível “ser ESG” e não ter ética, não ser humanizada ou não ser consciente. 

E é aqui que entra a área responsável por talento e cultura (eu já não chamo de RH, veja por quê) 

É imprescindível que antes das iniciativas ESG, seja implantada uma cultura ESG, de elevação de consciência e aplicado o framework ESG+.

Quando disse isso em uma palestra, uma pessoa levantou a mão e disse que seria impossível que uma empresa ESG não cumprisse o seu papel de construir um mundo melhor como eu estava afirmando, e me desafiou se era capaz de ilustrar.

Existem pais que educam seus filhos com valores muito profundos e elevados. Dizem não aos filhos, mesmo quando isso significa negar algo que os filhos, e eles, querem muito alguma coisa que não lhe convém. Tem pais que preferem dedicar tempo de qualidade que dar presentes caros.

Porém, existem pais que consideram que trabalhar 16 horas por dia é o melhor para dar um futuro melhor para os filhos. Dar tudo o que o filho pede, dizer que sim a tudo é o melhor para evitar que seu filho sofra uma desilusão.

Ou pior ainda, mesmo sabendo que não é o melhor, dizem que sim a tudo porque não tem forças para dizer não, porque gastaram toda sua energia trabalhando para dar “futuro melhor”.

Ambos os tipos de pais, cumprem a lei e as regras sociais, pagam escolas para os filhos, dão um teto, dão comida, não batem, não humilham e dão carinho.

Cada um a seu estilo, com as quantidades que consideram oportunas, porém nenhum abaixo do que a lei marca, e pode perguntar, ambos estão convencidos que estão fazendo o correto.

Que tipo de executivo temos em nossas organizações?

Dos que falam não a lucro fácil que tem impacto social negativo (mesmo cumprindo a lei), ou dos que dizem, se está permitido, eu faço porque para isso me pagam.

Dos que se escondem atrás da governança como se fosse um escudo e fingem não entender que governança não garante ética?

Quantos executivos, cumprindo as leis, a governança, e as melhores práticas ESG, mesmo com boas intenções, estão construindo organizações superficiais e vazias.

Iniciativas ESG sem elevação de consciência corporativa não constroem um mundo melhor, somente fingem fazê-lo.

A área de talento e cultura precisa elevar a consciência corporativa (ESG+) e somente desta forma bater no peito e dizer: “SIM! minha empresa ajuda a construir um mundo melhor.”

Sua empresa está preparada para o conceito ESG e minimizar seus impactos no meio ambiente? Aproveite e saiba mais sobre o ESG e ambidestria organizacional.

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Elizabeth Leonetti
Elizabeth Leonetti
1 mês atrás

Seu artigo, provoca reflexões para a alta liderança, profissionais de gestão de pessoas e completo ainda para os Conselhos de Administração sobre ESG, ética e cultura. Sendo que a última responde ao “jeito de ser das organizações” e, portanto fundamental para transformar o mundo! Parabéns!

RH Portal
Editor
RH Portal
1 mês atrás

Olá, Elizabeth. Muito obrigada pelo seu comentário!
Confira neste link mais artigos dos nossos colunistas.

Marcio Bueno
1 mês atrás

Obrigado Elisabeth!

Janaina Maia
1 mês atrás

Parabéns pelo artigo, Márcio.
As suas provocações são oportunas, geram desconfortos e são necessárias para provocar reflexão e ação.
Concordo plenamente com a afirmação abaixo:
“Iniciativas ESG sem elevação de consciência corporativa não constroem um mundo melhor, somente fingem fazê-lo.”
Obrigada por compartilhar.
Janaina Maia

RH Portal
Editor
RH Portal
1 mês atrás
Reply to  Janaina Maia

Olá, Janaina. Muito obrigada por ter lido o artigo e por ter deixado o seu comentário.
Ficamos muito felizes com o seu feedback.
Não deixe de conferir mais artigos dos nossos colunistas neste link.

Marcio Bueno
1 mês atrás
Reply to  Janaina Maia

Obrigado Janaina!

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