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CooperaÇÃo, Solidariedade, Ética E Responsabilidade Social No Ambiente Corporativo.

COOPERAÇÃO, SOLIDARIEDADE, ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL NO AMBIENTE CORPORATIVO.

Para desenvolver um comentário sobre cooperação, solidariedade, ética e responsabilidade social, correlacionando esses valores universais e as relações entre as pessoas na formação da cidadania organizacional, faz-se necessário um aprofundamento do significado e aplicação de cada uma dessas palavras-chave.

Inicio o comentário com uma reflexão sobre cooperação que em seu sentido mais amplo significa “operar simultânea ou coletivamente, colaborar”, um valor muito raro, quase inexistente nos dias atuais, se não houver interesses materiais ou de poder envolvidos. Em algumas situações, como as cooperativas de serviços profissionais, por exemplo, fica muito claro que o cooperativismo é utilizado, na maioria das vezes, para o atendimento de interesses pessoais, deixando-se de lado os verdadeiros valores que deveriam nortear a criação de uma cooperativa. Geralmente as pessoas se organizam em grupo, mas não têm visão de equipe, onde todos se empenham em busca de um melhor resultado coletivo.

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Solidariedade, por sua vez, quase sempre tem seu significado deturpado ou confundido. O povo brasileiro é definido pelos próprios brasileiros como um povo solidário, uma definição que discordo radicalmente, excetuando-se quando nos referimos às pessoas mais pobres e humildes, que sabem repartir o pouco que têm, ao contrário dos grupos sociais de maior poder aquisitivo e melhor condição social, onde o individualismo impera. Muito se fala em solidariedade, mas pouco se pratica. Solidariedade é um valor que só se manifesta através de ações e não de discurso, como as autoridades normalmente fazem, em função de seu significado: “Qualidade do que é solidário. Dependência mútua. Reciprocidade de obrigações e interesses. Direito de reclamar só para si o que se deve a todos. Adesão ou apoio à causa, empresa, princípio etc.”.

Outra palavra-chave deste comentário é “ética”, também aplicada de forma equivocada, considerando seu verdadeiro significado: “Parte da Filosofia que estuda os fundamentos da moral. Conjunto de regras de conduta. Estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, relativamente à determinada sociedade ou de modo absoluto”. Infelizmente, o que vemos com muita frequência é a total falta de ética em todos os ambientes e grupos sociais, principalmente no serviço público, em todas as esferas, como pudemos ver através de uma reportagem do Programa Fantástico (22.06.08), uma quadrilha de falsos empresários justificando suas atitudes desonestas como sendo a “ética do mercado”. Nos dias atuais vivemos uma total inversão de valores. Rui Barbosa, grande jurista e escritor baiano, conhecido como “O Águia de Haia”, estava certo ao afirmar, em 1908, que chegaria o dia em que ele se envergonharia de se declarar honesto. Esse dia já chegou há muito tempo.

Responsabilidade (Social), que tem como significado “a obrigação de responder pelas próprias ações, pelas dos outros ou pelas coisas confiadas. Capacidade de entendimento ético-jurídico e determinação volitiva adequada, que constitui pressuposto penal necessário da punibilidade” é quase uma utopia em nosso país, onde existe uma Lei de Responsabilidade Fiscal, criada para coibir os atos de improbidade administrativa praticados pelos gestores públicos.

Hoje precisamos fazer uma profunda revisão de valores, desde o núcleo familiar, primeiro grupo social do indivíduo, reeducando as pessoas sobre o que significa direito e responsabilidade. Como poderemos reduzir o índice de acidentes de trânsito causados por embriaguez, sem educar o “cidadão” sobre suas responsabilidades ao dirigir um automóvel?

E, por último, é preciso clarear o entendimento sobre o que é ser cidadão para poder entender o significado de cidadania: “Indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um Estado ou no desempenho de seus deveres e obrigações para com este”. Se substituirmos as expressões “deveres e obrigações” por “responsabilidades”, ficará muito claro que temos pouquíssimos cidadãos brasileiros e muitos indivíduos que vivem à margem das leis.

Concluindo, a cidadania organizacional, na maioria das vezes, só existe porque o indivíduo participante está subordinado a um regulamento ou regimento que estabelece penalidades claras para os infratores, podendo ocorrer, como pena maior, a demissão ou rescisão de contrato. Infelizmente, como pedagogo organizacional, com mais de 35 anos de experiência corporativa, sou obrigado a afirmar, sem visão ou crença pessimista, que na grande maioria das organizações brasileiras predomina a figura do “personagem atuando”, ou seja, pessoas totalmente artificiais, totalmente diferentes de sua vida real. É realmente lastimável afirmar que a cidadania organizacional é uma imposição e não uma conduta natural.

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Por: Prof. Esp.

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