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Correndo Atrás Do Prejuízo


Quem assistiu o filme Forest Gump saberá do que estou falando, num determinado momento o personagem vivido por Tom Hanks começa a correr e não pára mais. Percorre os Estados Unidos de costa a costa, leste a oeste, das Montanhas Rochosas ao vales do Mississipi numa alucinante busca de alguma resposta. Passa um bom tempo correndo e uma legião de seguidores começa a acompanhá-lo. Não se conversam apenas correm. Nem imaginam porque ele está fazendo aquilo, mas cada um tira uma conclusão à sua maneira.

No filme, algumas pessoas chegam perto dele e arriscam um diálogo, falam uma frase com ele, que rapidamente responde sem a mínima pretensão, e então esta pessoa já faz ilações e projeta o que está precisando naquele momento ou o que está incompleto em suas crenças. 

Olho para as pessoas da janela de meu apartamento e as vejo caminhando agitadas e tensas, parecem estar seguindo este corredor sem destino, só com a vontade de correr para lugar algum. 

Para onde estamos indo? Parece que se fazem esta pergunta. É um sentimento de vazio, repleto de incertezas e inseguranças, como se algumas pessoas estivessem buscando a resposta que pudesse lhe clarear toda a vida. 

Caminhando pelo centro da cidade de São Paulo, quando não estava lá, na Avenida Rio Branco no Rio, ou na Rua da Praia em Porto Alegre, ou na 7 de Setembro, em Recife, ou na saída do Gilberto Salomão, em Brasília, ou na Rua XV em Curitiba, ou na Savassi em Belo Horizonte, ou na Praça Castro Alves em Salvador, para dizer em outras ruas que observo os olhos atentos e apreensivos de brasileiros procurando recuperar e consertar alguma coisa.

“O ritmo das coisas está numa outra freqüência”, me respondeu uma sábia senhora que também fazia estas observações. Como se ela tivesse a resposta insisti para tentar entender de que freqüência ela falava. A resposta continuou tão hermética quanto começou. “É a freqüência da vida”, concluiu. 

Só posso entender que uns correm e outros contemplam o que anda passando à sua frente, é mais simples. Uns estão dentro do sistema outros por fora, até completamente excluídos, como já dizem uns economistas.

Recuperar o tempo perdido é perda de tempo. Recuperar as finanças pode ser um bom começo, mas é necessário uma boa idéia para sair oferendo para que alguém acredite nela. É aí que entra o tal marketing tupiniquim, do seu jeito, no seu estilo de ser, bem à brasileira. Me parecia que era isto que um grupo de engravatados falava e gesticulava, na saída de um restaurante. Todos entraram em seus carros e saíram correndo, também. 

Não se consegue conversar direito com algumas pessoas, parece que estão dopadas por está tal de desaceleração de energia, este controle forçado, de economizar e ao mesmo tempo acelerar para cumprir uma meta. É contraditório, nisso posso concluir que há uma tremenda arritmia. Haja coração.

Por isto esta sensação de estar correndo para lado algum, buscando alguma coisa que não se sabe o quê. Posso garantir que a maioria que vive por fora da chamada comunidade de informações nem imagina porque está nesta corrida. Pretensão de minha parte? Não. Acredito que como no filme, muitos estão nesta corrida para se expor e tentar responder algumas questões sobre seus sentimentos e situações incompreendidas. 

Uma destas questões pode até ser: o que estou fazendo nesta cidade? O que tenho mais a perder? Estou correndo de que? Afinal, o que estou buscando? 

Assim como no filme, quando o personagem pára de correr, de uma hora para outra, sem mais nem menos, sem dar explicações e as pessoas indignadas perguntam-lhe: por que parou? Ficam dizendo que ele não pode deixá-las desamparadas. A massa, às vezes, corre sem saber porquê. Dar uma parada na correria é um sinal de sabedoria para se ajustar na freqüência de suas verdadeiras necessidades. 

A este ar de insatisfação de ter parado ser saber porque começou pode lhe ser recompensado com as respostas que virão com a mudança de comportamento.

Correr atrás de um inimigo invisível pode ser tão avassalador quanto perturbador. Sem nunca enfrentar o que não pode ser enfrentado.

São as imagens que trazemos na mente, as figuras criadas com nossas vontades, os planos e ideais de conquistas. As criações silenciosas de nossas compensações psíquicas. Tudo isto para tentar explicar este delírio coletivo de ansiar por dias economicamente melhores. Até parece que é impossível, um prejuízo irreparável, insuportável, impagável se pensarmos em dívida externa. Aí, muitos nem irão dormir. 

“Esta tal da dívida externa não é minha”, dirá alguém menos preocupado. Mas, que está correndo para o cartório antes que o título seja apontado. 

Mario Enzio
Graduado em Comunicação, Pós em Administração de Empresas pela ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing; 
Cursou a Universidade Holística da Paz – Unipaz, em Brasília; e a Escola de Governo; Mestre em Reiki; .

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