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Crises Financeiras E Possibilidades

CRISES FINANCEIRAS E POSSIBILIDADES
Não podemos discorrer sobre crises financeiras e possibilidade sem antes definirmos crise e finanças. É importante fundamentarmos aqui uma prévia definição o que são crises e finanças. Segundo o dicionário Aurélio: Crise: [do lat. Crise] S.f.1. Alteração que sobrevém do curso de uma doença (…) 3. Manifestação violenta e repentina de ruptura de equilíbrio (…) 6. Fase difícil, grave, na evolução das coisas, dos fatos….7. Momento perigoso ou decisivo (…) 9. Tensão, conflito (…). Já a definição de finanças é [Do fr. Finances.] S.f.pl 1.Situação financeira.2. A ciência e a profissão do mercado; do mercado do dinheiro (…). (FERREIRA p. 500/ 781) Deste modo, deparamo-nos com uma reflexão peculiar: como estamos vivenciando as nossas crises financeiras? Como estamos aprendendo sobre as nossas crises existenciais? E quanto ao nosso estresse do dia a dia? Como estamos nos posicionando diante de um momento de crise ou tempos prolongados de crise?
Os otimistas veem em suas crises a possibilidade de criar, a oportunidade de inovar, de mudar. Os pessimistas têm uma visão turva, constituem na sua prática e crença um lamentável discurso de derrota e de nostalgia. Cai, então, o indivíduo numa profunda reflexão existencial, refletida sobre a combina- ção do fracasso e da derrota de um ser. Portanto, faz-se necessário levantar a bandeira da luta e refletir sobre os nossos propósitos, projetos de vida, anseios, ambições, sobre a nossa determinação diante daquilo que pretendemos alcançar e realizar.
Quais são os seus projetos diante das crises que abalam o seu momento, as suas realizações, as suas satisfações pessoais? Sem sombra de dúvidas, você está vivenciando uma passagem na sua vida em que as coisas parecem não estar em sintonia, o universo parece não conspirar a seu favor e você tem se sentido o último dos últimos, diante de todas estas dificuldades que o rodeiam e lhe trazem um desconforto de se achar muitas vezes impotente, sem esperança nem fé. Trazem-lhe a sensação de nostalgia, de angústia e você chega a pensar que não vai encontrar a solução.
Entretanto, não é verdade. Primeiro, acredite. Há tempo para tudo, Deus tem um propósito para cada um de nós e tudo parte do seu tempo, não do nosso tempo. Muitas vezes, tendemos a querer desistir logo no primeiro momento de crise, em uma possível derrota ou provável fracasso. Temos medo.
O medo impera, trava os nossos projetos, o nosso ousar, o ir além. Geralmente somos levados a nos entregar diante do primeiro tombo, da perda da primeira luta em nossos campos de batalha que nada mais são que partes da história de nossas vidas. Acomodamo-nos à nossa atividade laborativa. E comumente caímos na rotina, fazendo o mesmo todos os dias, sem inovação, por medo de tentar, de inovar, de fazer diferente, de vivenciar o novo. Trata-se do nosso medo de ter medo, medo de ousar.
Em determinado momento, as coisas mudaram e não podemos mais ficar na mesma função, na mesma atividade, no mesmo estilo de trabalho ou coisa assim. É em momento assim que despertamos para outro portal de nossa realidade e percebemos que poderíamos ter feito mais, que não deveríamos ter nos acomodado tanto. Pergunto: você está acomodado, acomodada no seu trabalho? Você tem medo de fazer algo diferente na sua vida? Você tem medo de inovar? Você tem medo de ser um empreendedor? Você tem medo de ter medo? Quais são os seus medos? Apegamo-nos muitas vezes a Deus de forma desesperada e fazemos o discurso reflexivo com nós mesmos de que, se tivéssemos nos entregado a Ele, nossa vida seria outra. Mas não é bem assim, pois o homem é este ser dinâmico que tem, teve e sempre terá o poder de escolha. Nós estamos fazendo constantemente escolhas. Claro que, ao tomarmos determinadas decisões em nossas vidas, meditarmos antes e falarmos com o Senhor, não tenhamos dúvidas de que, de algum modo, Deus nos dará os sinais necessários. Não se esqueça, porém, de que as escolhas são constantes em nossas vidas.
Temos o livre-arbítrio, a capacidade de escolher, de fazer aquilo que vem a ser melhor para cada um de nós. Podemos até fazer escolhas erradas, mas não podemos nos queixar de que não nos foi dada a oportunidade de optar, de tomar determinada decisão, de fazer acontecer. Somos, portanto, responsáveis por muitos acontecimentos em nossas vidas.
Fazemos nossas escolhas, plantamos e colhemos, temos o preceito da razão, da inteligência, da emoção. Passamos por momentos difíceis e nos julgamos, às vezes, frágeis para acreditar na transcendência de Deus e no poder que Ele tem de literalmente mudar a minha vida, a sua vida, de “forma mágica”, “repentina”. Mais uma vez entramos em um verdadeiro estado de nostalgia, de angústia.
Outra reflexão nos vem à tona, a compreensão de que Deus não trabalha e não trabalhará sem que façamos primeiro a nossa parte. Lembramos que podemos fazer, que somos capazes, que temos potencialidade, que somos inteligentes e que Deus jamais nos abandonará nos momentos difíceis e que a sua presença na vida de cada um de nós vem mudar o nosso momento e que tudo isto depende de nós, da nossa vontade, da nossa determinação, do nosso esforço e da nossa renúncia. nesse momento, Ele se manifesta sobre nossas vidas e passamos então a perceber o agir de Deus.
Muitas vezes, julgamos que tudo foi Deus quem quis assim, como se nós não tivéssemos nenhuma parcela de responsabilidade sobre os nossos atos e ações. Aí nos vem uma prévia reflexão, um momento de meditação e encontro com Deus para buscarmos respostas aos nossos anseios. Que estamos fazendo diante dos problemas que nos surgem? Fazemos a nossa parte para tentarmos mudar o quadro em que nos encontramos? Dedicamo-nos suficientemente diante do nosso propósito? Fazemos renúncias e dedicamos todo o esforço necessário sobre aquilo que nos propomos a alcançar? Quais são as nossas metas? Quais são os nossos desafios? Qual é o nosso foco? Já descobrimos que trajeto tomar para alcançar determinado caminho, atingir o alvo? Estamos estudando e planejando? Trabalhamos sobre o mantra do otimismo comungado com o esforço e a dedicação? Ou simplesmente lançamos tudo sobre a graça de Deus, esperando por um milagre ou algo mágico? Na maioria das vezes, queremos deixar tudo sobre a responsabilidade de Deus. E nós? O que estamos fazendo para mudar? Por acaso, estamos renunciando algo para atingirmos as nossas metas? O que estamos priorizando? Devemos acreditar em Deus, em Sua graça, buscar Sua sabedoria e tê-Lo verdadeiramente como nossa âncora, como nosso Senhor e Salvador. Pois, é Ele quem nos socorre nos momentos difíceis. É o nosso porto seguro. Esta certeza nos faz crer na existência de Deus.
Eis o homem, este ser inacabado em busca de respostas aos seus ciclos da vida, aos problemas comuns inerentes a ela. Desta forma, faz–se necessário refletir sobre como nos colocamos diante de Deus em relação à nossa fé. Estamos fortes diante dela ou vacilantes e descrentes? Quais são as nossas atitudes? Em que realmente acreditamos e o que pretendemos construir? Que entendemos por atitudes? Que entendemos por ação? Que temos feito para mudar nossos conceitos? Somos pessoas detentoras de um potencial de energia, de vitalidade, de alegria, de júbilo, de unção de Deus. Mas, às vezes, estamos como vasos vazios, outras vezes cheios de um bom vinho, de uma boa água diretamente da fonte e, noutras, estamos como vasos cheios de água suja, pesada, literalmente contaminada, imprópria para o consumo.
É assim que, muitas vezes, nos sentimos: um vaso repleto de coisas boas e de coisas ruins. Como seres cheios de energia, de amor, somos capazes de amar, de perdoar, de reconhecer o outro nas suas limitações e compreendê-lo diante de seus erros. Somos tomados por uma aura cheia de cores leves, bonitas, coloridas, mas, às vezes, sentimo-nos tomados por uma aura negativa, de pessimismo, de fracasso e de desalento diante do mundo, dos momentos da vida.
Quando nos encontramos diante de um momento de pessimismo, de ar de derrota, de fracasso, encontramo-nos distante de Deus, distante do Espírito Santo, da Sua palavra, estamos sem unção, não sentimos a presença de Cristo. Infelizmente, preocupamo-nos demais em falar, lamentar, e não tomamos nenhuma atitude para enfrentar os obstáculos que se apresentam diante de nós, a fim de que possamos alcançar discernimento e um crescimento verdadeiro.
Se estamos em crise, buscamos em Deus a resposta para os nossos anseios e, muitas vezes, queremos deixar tudo sob a responsabilidade dEle. Aí, pergunto-me: e nós? Que estamos fazendo para superar as adversidades com que nos deparamos? Estamos mudando a nossa postura, o nosso modo de pensar sobre a vida, de refletir sobre a nossa existência como pessoas, seres falhos que somos, responsáveis pelos nossos próprios erros?
O homem está sempre em busca de algo, seja uma realização material, seja a busca de si mesmo, de se encontrar, de estar para si, de descobrir o seu eu. É o Senhor que determina nossos passos, é Ele que nos guia, que nos dirige, é o Pai celestial que nos oportuniza fazer constantemente escolhas, discernir o que estamos almejando, o que estamos querendo. É Ele que, no momento certo, nos toca, nos faz de alguma forma refletir, mudar de posição sobre determinado assunto.
É Ele que verdadeiramente nos remete a uma reflexão sobre o que de fato pode estar ao nosso alcance, que nos pertence ou que virá a nos pertencer. Somente o Senhor sabe o momento certo de trabalhar sobre aquilo que desejamos. Ele trabalha em silêncio. Sim, o Senhor trabalha de forma silenciosa e Seus desígnios se dão no momento certo, no tempo dEle e não no nosso. É difícil para nós entender os propósitos que Deus tem para cada um, pois comumente somos ansiosos em querer que as coisas aconteçam como desejamos, do nosso modo, no nosso tempo, o que não é bem assim.
Às vezes, insistimos naquilo que nem sempre está em conformidade com a vontade de Deus, que sabe o que é melhor para cada um de nós, e comumente não entendemos por que as coisas não dão certo, quando somos conscientes de que cumprimos a nossa parte. Disso resultam, muitas vezes, a frustração e a sensação de que o “universo” parece não ter conspirado para aquele fim. Por outro lado, devido a nossa insistência, chegamos a realizar o nosso desejo e, mais à frente, descobrimos que não era verdadeiramente aquilo que queríamos, como uma atividade profissional em que tanto tínhamos pensado, porque descobrimos que ela não era ou não fazia parte do nosso verdadeiro sonho, da nossa realização e satisfação pessoal. Deus nos dá o livre-arbítrio para fazermos as nossas escolhas. Atitudes, propósitos, ações e visão de possibilidades, mudanças de paradigmas, confiança nos transformam em seres capazes. Como filhos de Deus alcançamos a certeza de que podemos fazer, de que podemos realizar e de que Ele tem um propósito para cada um de nós. É importante saber que não estamos sozinhos e devemos discernir aquilo que é nosso e o que é de Deus.
Precisamos aprender os sinais que Deus nos fornece, pois Ele nos fala de várias formas. Ele nos guia e mostra-nos o caminho certo para atingirmos os nossos propósitos conforme Seus desígnios, basta que estejamos abertos, atentos aos Seus sinais.
As crises fazem parte do nosso crescimento pessoal, do nosso aprendizado. Aprendemos através das crises, crescemos e amadurecemos. Muitas vezes, achamos que os nossos problemas parecem não ter fim, que não encontramos uma luz no fim do túnel e que não podemos solucioná-los.
Tudo parece estar obscuro, cinzento, como se não soubéssemos ao certo o caminho a tomar. Aí vêm mais alguns questionamentos: nós estamos sabendo qual é verdadeiramente o propósito das dificuldades que surgem na nossa vida? Temos uma ideia real da dimensão dos nossos problemas? Que estamos fazendo para transpô-los?
Sem sombra de dúvidas, é imperioso refletir sobre a possibilidade de aprendizado, sobre os momentos difíceis que vivenciamos, pois trata-se de uma oportunidade ímpar para recomeçarmos a nossa história de forma mais determinada, sabendo o que verdadeiramente queremos, o que exige uma meditação, uma análise de nosso ciclo de vida. Sabemos que caminho tomar diante das dificuldades que nos são apresentadas? Encontramos forças para dar prosseguimento ou simplesmente nos acomodamos? Entregamo-nos e acovardamo-nos em face dos problemas? Como agimos diante das tempestades que nos assolam em determinados momentos de nossas vidas? Estamos mudando de atitude, tomando posicionamentos positivos? Acreditamos em Deus? Estamos fazendo a nossa parte ou estamos nos acomodando, deixando tudo sob Sua responsabilidade? Ou concebemos a ideia mágica de Deus para resolver os nossos problemas? Às vezes, cremos em um Deus instantâneo, prático, rápido, imediatista, e acreditamos que, da forma como o cultuamos ou até mesmo como clamamos por Seu nome, temos de imediato a nossa resposta.
Não seremos nós os primeiros responsáveis por nossas ações, por nossas atitudes, por nossos medos, por nossos anseios, por nossas angústias, por nossas crises existenciais, por nossa própria história? Não há dúvida: o que fazemos repercute sobre a nossa vida, sobre o nosso momento, sobre a nossa trajetória existencial. Por isso, somos responsáveis por muitos momentos de nossas vidas, por nossa formação como pessoa, que vai naturalmente sendo trabalhada, moldada, lapidada.
Temos fé diante das dificuldades que nos são apresentadas? Acreditamos na possibilidade de mudar o foco de nossas crises, de nossos medos? Acreditamos que é possível reverter o quadro diante de nossas crises, ou simplesmente, deixamo-nos abater e nos entregamos ao resultado do fracasso? Ao medo de fazer? É preciso força, determinação e renúncia. É imprescindível buscar o equilíbrio entre a fé e a razão e acreditar em Deus com a nossa atitude de mudanças.
Prof. Júlio di Paula

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