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Sumário

Construindo uma cultura de cuidado

Falar e aprofundar sobre o tema da saúde mental tornou-se uma responsabilidade não apenas das empresas, mas de todos os indivíduos. A importância de abordar essa questão de forma aberta e compassiva está se tornando cada vez mais evidente, à medida que o impacto dos problemas de saúde mental se manifesta em todas as esferas da sociedade.

Você já ouviu falar na importância de construir uma cultura de cuidado? De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 15% dos trabalhadores em todo o mundo enfrentam transtornos mentais.

Isso refere-se a aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho perdidos anualmente devido à depressão e ansiedade, que gera um custo global de quase US$ 1 trilhão.

Esses números impressionantes indicam que a saúde mental no local de trabalho é um problema global que requer atenção imediata.

O que é uma cultura de cuidado?

Construir uma cultura de cuidado é um tema fundamental e atual em diversos contextos, seja nas organizações, na sociedade em geral ou mesmo no âmbito pessoal. Essa abordagem envolve a criação de um ambiente onde o cuidado com o bem-estar, a saúde física e mental, a igualdade e o respeito são valores fundamentais.

Trata-se de um conceito que vai além do simples ato de prestar assistência ou cuidar de alguém em momentos de necessidade, pois busca instaurar uma mentalidade e um conjunto de práticas que promovam o cuidado de forma contínua e proativa.

Afinal, estabelecer uma cultura de cuidado não só fortalece relacionamentos e comunidades, como também contribui para um mundo mais inclusivo e sustentável.

O Caso do Brasil: Líder em transtornos de ansiedade

O Brasil, segundo o último levantamento global, apresenta a maior prevalência de transtornos de ansiedade no mundo. No entanto, mesmo sendo o país com a maior incidência, aqueles que sofrem com transtornos mentais ainda enfrentam preconceito e estigmatização.

Isso demonstra a necessidade urgente de aumentar a conscientização e promover a aceitação das questões de saúde mental em nossa sociedade.

O tabu da saúde mental nas organizações, apesar dos dados alarmantes e das evidências claras, o tema da saúde mental ainda é um tabu em muitas organizações. Muitos líderes não sabem como lidar ou agir quando enfrentam casos em suas equipes.

A negligência em abordar as questões de saúde mental nas organizações vai além da preocupação com a reputação; ela também tem um custo financeiro significativo.

A importância da conscientização e da empatia

cultura de cuidado

Um estudo conduzido durante a pandemia pela consultoria e auditoria Deloitte no Reino Unido, intitulado “Mental health and employers – The case for investment,” destaca esse impacto. Um dos maiores custos identificados é o “presenteísmo”, no qual os funcionários continuam trabalhando mesmo doentes, resultando em um desempenho reduzido.

No entanto, o fator que mais contribui para o aumento dos gastos nas organizações é a rotatividade, na qual um número crescente de pessoas deixa seus empregos, citando problemas de saúde mental e falta de bem-estar como razões para sua saída.

A importância da conscientização e da empatia, além dos custos financeiros diretos, existe a preocupação com a relutância de alguns empregadores em contratar profissionais que enfrentam problemas de saúde mental.

Da mesma forma, muitos funcionários podem hesitar em divulgar suas dificuldades ou buscar ajuda especializada, temendo que isso possa prejudicar suas carreiras.

Esse estigma em torno da saúde mental no ambiente de trabalho destaca a necessidade de empresas investirem em programas de apoio e conscientização para criar um ambiente mais inclusivo e propício ao bem-estar mental.

Ambientes de trabalho que promovem um diálogo aberto e saudável exercem uma influência positiva sobre as pessoas, oferecendo mais do que apenas uma fonte de renda.

Eles proporcionam estruturas de rotina, relacionamentos positivos e um senso de propósito e realização. Para indivíduos que enfrentam condições graves de saúde mental, o emprego pode desempenhar um papel crucial na promoção da recuperação e está associado a uma melhoria da autoestima e do funcionamento social.

Seis dicas práticas para as empresas começarem a jornada:

  1. Desenvolvimento da liderança: Ambientes saudáveis dependem de líderes saudáveis, e isso só acontece quando estão abertos a aprimorarem seus conhecimentos sobre o assunto. Não é necessário ser um especialista, mas buscar a humanização, informação e criar ambientes de segurança psicológica são passos importantes. Capacitação em habilidades interpessoais como empatia, escuta ativa e comunicação não violenta, podem ser valiosas.
  2. Cultura de abertura e aceitação: Promova uma cultura onde os funcionários se sintam à vontade para falar sobre sua saúde mental sem medo de estigma ou retaliação. Os líderes e gestores devem se esforçar para serem exemplos e terem no dia a dia a coerência com o tema, avaliando rotinas excessivas, descansos, pausas, e respeito com os horários.
  3. Conscientização: O conhecimento promove a conscientização, o primeiro passo para a mudança. Convide profissionais da área e promova diálogos entre as equipes para manter o tema em destaque. Isso pode gerar compaixão e sinergia, pois muitas vezes várias pessoas enfrentam desafios semelhantes. A troca de experiências em rodas de conversa promovem acolhimento e conexão.
  4. Empatia: É desenvolvida sim! Isso envolve se esforçar para entender os sentimentos dos outros, e isso só acontece a partir da curiosidade, amorosidade e presença. Evite julgamentos, atente-se apenas aos fatos e incentive a equipe a se abrir para aprendizado e conversas honestas. Às vezes, alguém ao seu lado só precisa disso.
  5. Autoconhecimento: É fundamental para o desenvolvimento, empatia e a busca por cuidados e segurança. Esse é um importante passo para compreender melhor seus sentimentos, desenvolver a aceitação, valorizar suas competências e habilidades, conseguir impor limites para si e para os outros, além de aumentar a autoconfiança e fortalecer a autoestima. As empresas podem fornecer benefícios que oferecem acesso a profissionais da área de saúde mental, eliminando uma das barreiras mais comuns: o custo. Para aqueles que desejam informações sobre opções de atendimento gratuito, podem verificar recursos como este.
  6. Monitore e avalie: Faça pesquisas regulares de clima organizacional para avaliar o nível de estresse entre os colaboradores e o impacto das medidas implementadas. Além de observar o absenteísmo por meio dos atestados médicos,  um ponto muito importante é usar esses dados para ajustar a conscientizar e melhorar as iniciativas de gerenciamento de estresse.

Além das sugestões práticas mencionadas, as empresas têm a oportunidade de introduzir programas de bem-estar e políticas de saúde mental como parte da sua estratégia para cultivar uma cultura de cuidado, fomentando assim um ambiente saudável para seus colaboradores.

Isso não apenas demonstra um compromisso genuíno com a saúde mental, mas também pode melhorar significativamente a qualidade de vida dos colaboradores.

Como criar um programa sobre cultura de cuidado

E os Programas de bem-estar, ou cultura de cuidado, podem incluir atividades físicas regulares, sessões de meditação, práticas de mindfulness e outros recursos que ajudam a aliviar o estresse e promover o equilíbrio mental.

Oferecer linhas de apoio telefônico ou serviços de aconselhamento para funcionários é uma maneira eficaz de garantir que aqueles que precisam de ajuda tenham acesso a profissionais qualificados.

Políticas e normas que reforçam que saúde mental também são essenciais para criar um ambiente de trabalho saudável, e isso pode incluir a criação de políticas de prevenção de estresse e burnout, ensinando habilidades de gerenciamento de estresse e resiliência.

Que também podem promover a importância de tirar férias e desconectar do trabalho quando necessário, para evitar o esgotamento.

Na responsabilidade coletiva, é importante destacar que promover a saúde mental não deve recair apenas sobre as empresas e os líderes. É uma responsabilidade coletiva de toda a sociedade, incluindo famílias, amigos, educadores e instituições governamentais.

O protagonismo da saúde mental segundo HRBP da 99Food – RHDay

A conscientização e a educação sobre saúde mental devem ser promovidas desde cedo, para que todos compreendam a importância do autocuidado e do apoio aos outros.

É importante construir um futuro de bem-estar mental, em um mundo em constante evolução, onde o estresse e as pressões da vida cotidiana são uma realidade para muitos, é crucial que abordem a saúde mental com empatia e compreensão.

A saúde mental não é um luxo, mas sim um aspecto fundamental da nossa existência, afetando todos os aspectos de nossas vidas, incluindo nosso desempenho no trabalho.

Começar a abordar a saúde mental nas organizações não exige investimentos exorbitantes, mas sim a vontade de aprender mais sobre o tema e estabelecer um ambiente propício para conversas cruciais e saudáveis. Essa jornada começa com o reconhecimento de que a saúde mental é uma parte integral da experiência humana, tanto pessoal quanto profissionalmente.

As empresas que abraçam essa compreensão e se esforçam para criar uma cultura que valoriza o bem-estar mental não apenas beneficiam seus colaboradores, mas também fortalecem seu próprio desempenho e resiliência.

É hora de abraçar essa mudança cultural e transformar nossos locais de trabalho em espaços onde todos se sintam apoiados, compreendidos e capacitados a buscar ajuda quando necessário.

Juntos, podemos construir um futuro em que a saúde mental seja tratada com a mesma importância que a saúde física, criando organizações mais saudáveis, produtivas e compassivas. A promoção da saúde mental no ambiente de trabalho não é apenas uma responsabilidade das empresas, mas uma necessidade vital para o bem-estar de todos os indivíduos.

É hora de priorizar o cuidado com a mente, não apenas porque é a coisa certa a fazer, mas por ser  essencial para o sucesso e a sustentabilidade de nossas organizações e da sociedade como um todo. Portanto, cabe a cada um de nós desempenhar nosso papel na construção desse futuro de bem-estar mental.

*Juliana Dimário Head de Pessoas e Cultura da CBYK Consultoria e Seastorm Ventures, com certificação Internacional em Psicologia Positiva pelo WholeBeing Institute, Chief Hapiness Officer (CHO) pelo Instituto Feliciência, Colunista no RH Portal, com MBA em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas, e graduação em Comunicação Social pela Universidade Metodista. Profissional voltada a Cultura Organizacional, Bem-estar e Comunicação Corporativa, com mais de 15 anos de experiência atuando em empresas de grande porte e multinacionais, na área de engajamento e clima organizacional, branding, jornada de cliente, comunicação corporativa e marketing de produtos.
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