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Custo Da Passagem Tem Peso Social

Para entendermos a situação e o referido aumento, precisamos analisar as variações da passagem nos últimos 10 anos. Nesse período houve um aumento significativo da tarifa de 75%, passando de R$ 2,00 para os atuais R$ 3,50. Por outro lado, devemos analisar os efeito da correção monetária neste mesmo período e começarmos a entender os efeitos no bolso do consumidor.

O índice escolhido para compararmos os aumentos reais será o IPCA–IBGE com uma correção acumulada, no período, de 68,26%. Portanto, o aumento atual foi de reais 6,74%. Ou seja, o aumento no período superou a inflação e afetará o bolso do trabalhador de forma mais pesada do que aparentemente divulgado.

Veja na tabela a evolução dos valores em Campinas:

O impacto no bolso do usuário será proporcional aos dias de trabalho. Imaginemos um trabalhador de Campinas que ganha R$ 800,00 e utiliza o sistema pagando quadro passagens por dia. Na maioria dos casos, o trabalhador cumprirá a carga horária comercial de 26 dias de trabalho e desta forma, o impacto orçamentário será de R$ 20,80, o equivalente a 2,60% adicional sobre a sua renda, o que aparentemente é uma conta barata. Entretanto, é mais uma concorrência orçamentária com os gastos com alimentação, saúde, despesas do lar e lazer, que acabarão comprometidas por este gasto.

Para efeito de comparação veja a cidade de Americana, que registrou o maior reajuste da região. A tarifa foi para R$ 3,15, um aumento de 16,6% ante ao preço anterior de R$ 2,70. Neste caso, o trabalhador com os mesmos R$ 800,00 de salário, trabalhando 26 dias mensalmente e usando quatro passagens diárias, vai desembolsar, ao final do mês R$ 48,88. A participação será em 6,11% sobre seu orçamento.

Em Sumaré, o preço da passagem de ônibus urbano aumentou de R$ 2,50 para R$ 2,90. Portanto, os passageiros que usam esse transporte vão começar 2015 pagando R$ 0,40 a mais do que em 2014.

Já em toda a Região Metropolitana de Campinas (RMC), as linhas interurbanas de ônibus foram reajustadas, em média, em 16,6%. O aumento vai de R$ 0,45 a R$ 1,30, de acordo com a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU).

O preço da tarifa leva em conta a variação dos custos dos insumos do transporte como mão-de-obra e combustível, além da extensão percorrida pela linha.

Ainda que as linhas de ônibus da RMC não passassem por reajustes desde 2012, os valores desagradaram principalmente porque feitas as contas, eles vão ultrapassar o aumento real da inflação do período.

Mais justo seria o aumento gradual, do que reajustes bruscos ainda que após tempos sem reajuste. Assim, o trabalhador, principal personagem da história, se ajustaria mais facilmente e não prejudicaria o custo do sistema.

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