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Decisões e Escolhas: Uma Questão Essencial

Decisões
e Escolhas: Uma Questão Essencial


 

A
vida é a arte das escolhas,

dos
sonhos, dos desafios e da ação

J. A. Wanderley

Os caminhos da vida são
feitos de decisões e escolhas. Assim, o que cada um de nós é hoje, seja na
sua vida profissional, seja na sua vida pessoal, é conseqüência destas
escolhas e das ações adotadas para efetivá-las. Algumas são essenciais e
importam decisões sobre nossa religião ou nosso papel social. Outras são
operacionais, como a roupa que vamos vestir hoje para ir trabalhar.

O que vale para as pessoas também
vale para as empresas, ou seja, uma empresa sobrevive ou não, tem êxito ou
fracassa, de acordo com as decisões e escolhas que fez ou faz, de suas estratégias
e foco, seus sistemas de crenças e valores, seu estilo gerencial, seus
processos, suas estruturas, as pessoas que seleciona, o sistema de treinamento e
desenvolvimento que adota. Ou, de acordo com Peter Drucker, “o produto
final do trabalho de um gerente são decisões e ações”.

Assim sendo, três aspectos devem
ser considerados:

  1. A todo momento, queiramos ou não,
    conscientes ou inconscientes, por ação ou omissão, estamos sempre fazendo
    escolhas. E nunca é demais lembrar que não escolher já é uma escolha;

  2. Se queremos ser os timoneiros da nau da
    nossa vida, devemos procurar ser conscientes das escolhas que fizemos e
    estamos fazendo, pois é esta consciência que nos permite assumir a
    responsabilidade pelos nossos atos e, conseqüentemente, continuar com o que
    estamos fazendo ou então mudar. É conveniente ter presente que algumas
    escolhas deram certo em determinados contextos, mas que se adotadas em
    outros podem ser profundamente negativas. Um pequeno exemplo: alguém que
    quando criança, para obter o carinho e a atenção dos pais, chorava, fazia
    manha ou gritava. Depois, quando adulto, para ter as suas necessidades de
    aceitação e reconhecimento atendidas, adota comportamentos de essência
    semelhante que, sem a menor sombra de dúvida serão totalmente inadequados,
    gerando respostas justamente opostas às desejadas;

  3. Podemos, através do desenvolvimento
    pessoal, aumentar a nossa esfera de escolhas. Aprender, no fundo, importa
    ter mais opções, isto é, ampliar possibilidades. A questão básica é o
    que aprender para que possamos ter êxito neste mundo de crescente insegurança,
    complexidade, ambigüidade e imprevisibilidade. E isto também é uma
    escolha.

De qualquer forma, é sempre
conveniente ter presente 6 escolhas que estamos fazendo a todo o momento.

1- Vida ou morte

O general franquista Millan d’Astray, nas
suas palavras na Universidade de Salamanca, na frente do filósofo Miguel de
Unamuno, proferiu sua célebre frase: “Abaixo a inteligência. Viva a
morte!”. E esta é a grande questão. Estamos escolhendo a vida ou a
morte do planeta em que habitamos? Todas aquelas pessoas ou empresas que
contribuem com poluição ambiental e destruição dos ecossistemas, chuvas ácidas,
aumento da temperatura na Terra e a conseqüente elevação dos níveis das
marés, destruição da camada de ozônio, desmatamentos indiscriminados e a
existência de pessoas vivendo em condições subumanas, em função da ganância,
da busca do lucro Kamikaze ou da falta de consciência social, estão
engrossando o coro de Millan d’Astray e à sua própria maneira estão
repetindo com o general franquista: “Viva a morte!”

Na realidade, esta é a grande questão ética,
segundo a qual todas as outras devem se ordenar. É saber qual a resposta a
uma pergunta de Albert Einstein: “Será que estamos fazendo deste planeta
um lugar melhor para se morar?” Ou estamos ao lado dos que não têm
nenhuma preocupação com isto, pois, como dizem, a longo prazo estaremos
todos mortos.

2 – Os significados

A riqueza de nossa vida está muito
relacionada aos significados que damos ao que fazemos. É a história dos 3
operários que estavam numa mesma obra e foram indagados sobre o que estavam
fazendo. Um deles disse que estava assentando pedras. O outro, que estava
construindo uma escada. O terceiro, que estava colaborando para a construção
de uma catedral. Nós podemos escolher os significados que damos a tudo o que
fazemos e isto pode representar uma grande diferença.

3 – Passado ou futuro
orientado

As pessoas  passado orientadas 
ficam querendo mudar o que fizeram, como se pudessem entrar na máquina do
tempo. Tendem a se lamentar ou arranjar culpados e estão mais voltadas para
ameaças. As pessoas  futuro orientadas buscam resultados, aceitam
as situações existentes como um ponto de partida, não confundindo aceitação
com conformismo, e procuram identificar e agir de acordo com as oportunidades.
De qualquer forma é conveniente citar Franklin Delano Roosevelt: “O
progresso é realizado pelos homens que fazem e não pelos que discutem de que
modo as coisas deveriam ter sido feitas.”

4 – Sistema aberto ou fechado

Os seres humanos são e deveriam agir como
sistemas abertos, ou seja, em interação com o seu meio. Cada vez que as
pessoas se fecham através do dogmatismo, da arrogância ou da negação, estão
agindo como sistemas fechados. Prendem-se ao familiar e ao conhecido e, freqüentemente,
ficam encasteladas em torres de marfim. As pessoas que agem como sistema
aberto estão em relacionamento, têm consciência do fluxo contínuo de mudanças
e sabem que a melhor forma de prever o futuro é criá-lo.

5 – Crenças e valores

Uma das coisas que têm forte influência
sobre nossos comportamentos é o nosso sistema de crenças e valores. Neste
sentido há quem diga que: “Quer você acredite que pode, quer acredite
que não pode, você está certo.” Todos nós temos um conjunto de crenças
e valores que fomos adquirindo ao longo da vida e que são determinantes do
nosso comportamento. Algumas podem ser extremamente úteis, como acreditar que
tudo o que nos acontece pode ser uma oportunidade. Outras podem ser negativas,
como a de se acreditar vítima das circunstâncias, na base do “isto só
acontece comigo”. Em geral as pessoas não analisam os impactos de suas
crenças sobre suas vidas e não sabem que podem e como mudá-las.

6 – Intervir e mudar ou ser
passivo

A consciência de que o que obtemos da vida
está profundamente relacionado às escolhas que fizemos ou fazemos nos
permite estar abertos a identificá-las e ratificá-las ou retificá-las. E
esta é uma grande escolha final. É possível mudar. E um bom modo de fazê-lo
é com base em Jean P. Sartre: “Não importa o que fizeram de mim, o que
importa é o que eu faço com o que fizeram de mim.” Em suma, ser
consciente das escolhas que fazemos é entrar no mundo mágico das
possibilidades. É saber que existem infinitas formas e caminhos e que a vida
é daqui para a frente.

José
Augusto Wanderley

Consultor
em negociação e administração do pensamento

OBS.: José Augusto Wanderley
é autor do livro Negociação Total: Encontrando Soluções, Vencendo Resistências,
Obtendo Resultados
www.jawanderley.pro.br
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