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Deixando Marcas…

A
atividade de consultoria tem me levado a conhecer os mais diferentes perfis de
profissionais, que buscam a especialização, em diversos segmentos do
aprendizado. Marketing, Gestão Empresarial, Finanças, Recursos Humanos,
Legislação Tributária, Direito, Logística, enfim, quaisquer áreas de negócio,
um vasto campo de aprendizado e desenvolvimento, com impactos nos resultados
individuais e organizacionais.

 

Essa
experiência tem feito com que um grande grupo de profissionais acabem se
deparando com perfis extremamente diferenciados de expectativas e de atitudes,
diante dessa experiência que, mais que uma atividade de aperfeiçoamento
carrega em seu bojo, uma carga significativa de reeducação.

 

E,
nesse ponto, as diferenças se tornam marcantes gerando um nível de preocupação
e cuidados, impossíveis de serem relegados a um segundo plano por nós, responsáveis
pelo aprendizado ou a orientação, conforme nossa proposta de ação.

 

O
ponto importante é a qualidade da atitude dos profissionais participantes de
eventos que visam o seu aperfeiçoamento, diante de uma atividade à qual se
propuseram dedicar boa parte de seu tempo, de sua vida pessoal e profissional,
com um custo econômico financeiro e individual significativo, para si e para
suas organizações, com sacrifícios e algumas renúncias relevantes, durante
sua realização.

 

É
fundamental que os participantes dos programas de especialização ou aperfeiçoamento
percebam que sua presença vai levá-los a um divisor de águas. Ao concluir o
evento – curso, seminários, workshops, convenções – o participante muda
sua condição profissional. Deixa de ser um generalista para assumir a posição
de especialista ou de conhecedor de uma determinada área de atuação, capaz de
afetar, de forma direta ou indireta, seu trabalho.

 

E
suas atitudes? E os comportamentos decorrentes? E a forma de ver e se expressar,
ou melhor, de expor os temas que lhe dizem respeito? Mudarão também?

 

O
foco na qualidade de atitudes, a percepção do impacto das coisas ditas e das ações
individuais sobre o contexto produtivo no qual estão envolvidos, na verdade,
deve provocar no profissional uma revisão de sua importância e, usando uma
expressão de um político brasileiro, da “liturgia” que essa nova realidade
traz.

 

Este
aspecto deve levar a uma mudança de ações e reações às propostas de
trabalhos e análises para o “desenrolar” das diversas disciplinas.

 

É
necessário entender que esta mudança implicará em uma forma diferenciada na
abordagem das atividades, tarefas e resultados a serem obtidos no curso.

 

A
superficialidade não cabe em um contexto de aperfeiçoamento e de especialização.
A busca de novos dados, de identificação de variáveis não explícitas, de
caminhos alternativos para consecução de resultados clama por consistência,
coerência e qualidade nas colocações, atitudes e participações.

 

Aceitar
a superficialidade das abordagens, não aprofundar as reflexões, não rever as
próprias atitudes, em relação ao impacto das mesmas sobre os resultados,
mostra uma incompatibilidade com a visão de um profissional especialista, ou
seja, alguém que aprofundou seus conhecimentos e se propõe a consolidar seu
perfil profissional.

 

A
multiplicidade de dados que um profissional contemporâneo dispõe, exige que
haja uma transformação desses dados em informação (por um processo seletivo
e perceptivo, acurado e compatível com a realidade do contexto produtivo no
qual está inserido). Complementarmente deve agregar conhecimento e, neste
momento, há condições de utilizá-las (as informações), como recurso na
busca de resultados.

 

O
que se percebe, nas salas de trabalho nestes eventos (não é a totalidade, não
se pretende generalizar, mas o volume é significativo), é um fenômeno
marcante: a preocupação de levar a tarefa a cabo, no menor tempo possível,
sem compromisso com a consistência e a fundamentação requerida.

 

Em
alguns grupos, percebe-se um espírito voltado para a pesquisa, a seriedade da
análise, a discussão negociada, com conceitos internalizados e conscientes. Em
outros a insipiência nos leva, os facilitadores destes eventos, a uma preocupação
como, por exemplo, o fato de que alguns desses profissionais atuarão sob a égide
das instituições que os credenciaram, titulando-os de forma definitiva para um
mercado competitivo.

 

Alguns
fenômenos são percebidos, e, sem dúvida, poderão vir a comprometer os
resultados, todas as vezes que os futuros especialistas forem acionados, em seus
contextos produtivos:

 

·    Falta
absoluta de questionamento ou de comentários sobre assuntos abordados;

·   
Desconhecimento parcial ou completo em relação ao
material de consulta para estes eventos;

·    Ausência
de percepção de aplicabilidade do que lhes é transmitido;

·    Desinteresse
na participação (qualidade e intensidade) nas atividades didáticas – vivências,
jogos, exercícios, debates;

·    Qualidade
dos textos produzidos durante os eventos;

·    Pouca
ou nenhuma interação com os demais participantes, favorecendo a troca de
informações, de idéias e interagindo de forma mais eficaz, para que o
aprendizado ou aperfeiçoamento gere um novo tipo de crescimento profissional.

 

Em
contrapartida há desempenhos memoráveis, onde é percebida a importância do
aprendizado, a qualidade do aperfeiçoamento, a intensidade da contribuição
efetivada.

 

A
“proatividade” é quase uma exigência: é uma obrigação daqueles
que estão envolvidos em processos produtivos. Ao se propor levar qualidade ao
que faz, permite que um participante de processos de aprendizado, aperfeiçoamento
ou de reeducação, contamine positivamente, o ambiente em que atua,
influenciando de forma saudável seus companheiros de curso.

 

Os
beneficiários desta postura?

 

O
indivíduo, a instituição que o patrocina e a comunidade em que atua, pois,
direta ou indiretamente, depende ou é influenciada por ele.

 

Deixar
a marca em eventos onde se evidencia a qualidade da informação, a consistência
da contribuição, a coerência do discurso deve ser entendida não como uma
obrigação em relação à instituição que o patrocina. Deve ser entendida
como uma experiência de crescimento.

 

Lawrence
Appley
afirmou
que existem três tipos de indivíduos no mundo:

 

· Os
que fazem as coisas acontecerem…

· Os
que vêem as coisas acontecendo…

· Os
que sequer sabem que acontecem coisas…

 

Sem
dúvida, neste cenário competitivo, cremos que é clara qual deve ser a de
nossa escolha…

 

Material
retirado do Pocket MBA Melhoria de Performance Gerencial.

FRANCISCO
BITTENOURT

Consultor
Sênior do Instituto MVC

 

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