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Desafios E Implicações Do Turn Over Acelerado

por Eudio Braz do Amaral *

O que é e como gerenciar efetivamente o turnover (rotatividade) acelerado dentro das políticas estratégicas de recursos humanos destes cenários de economia globalizada? 

Independentemente do ramo de atuação econômica da empresa, turnover é a “suspensão da condição de integrantes de uma organização por parte de um indivíduo que recebia compensação monetária”, segundo o norte-americano William Mobley (1982) em seu livro “Turnover: Causas, Consequências e Controle”. 

Trata-se de um fenômeno estratégico para o negócio que deve ser gerenciado de forma efetiva e eficaz dado sua destacada importância, tanto no aspecto de custeio econômico, como no aspecto de modernização da gestão do ser humano para empresas em transformação.

Os fatores que desencadeiam esse processo são múltiplos e muitas vezes tão distintos como são distintas as pessoas e circunstâncias que poderiam ter ocasionado o fenômeno. 

Poder-se-ia alegar que todos os trabalhadores devem ter visão para reconhecer as mudanças de oportunidade de emprego em longo prazo e se mexer antes da chegada da obsolescência. Lamentavelmente, essa capacidade nem sempre está presente. 

As implicações potenciais desses desenvolvimentos sobre o gerenciamento do turnover acelerado são aparentes. As previsões de Mobley são: “o turnover é o fenômeno que avança e um assunto importante que merece cuidadosa atenção por parte dos administradores de empresas”. E isto se intensifica em tempos de economia globalizada.

Há outra análise a ser considerada para atender o possível desdobramento deste fenômeno do turnover. Os dirigentes e os estrategistas das empresas em geral necessitam identificar que cargos estratégicos estão diretamente relacionados com capital, tecnologia e relações externas da empresa.

Também precisam pesquisar para compreender pormenorizadamente o manancial de possibilidades da psicologia do ser humano e do comportamento organizacional com o objetivo de evitar uma abordagem intuitiva e simplista que resulta numa “descentralização” ou numa “demissão” (paliativos e sintomáticos na grande maioria dos casos).

Um exemplo: “fazer fulano se reportar à fulana”, “demita o fulano e resolveremos o problema de custos da empresa”. E o que conseguem? Apenas criar embaraços, traumas, desgastes, alguma economia na gestão corporativa, e desconforto para os incautos. Isso dá origem a casos escabrosos, que fariam parte do idiossincrático das companhias, se não custassem tanto dinheiro e corroessem a imagem e competitividade da companhia.

O gerenciamento efetivo do turnover é de fundamental importância, na medida em que fornece subsídios múltiplos e eficazes para a formulação ou reformulação das políticas e da função de Recursos Humanos das empresas. Devem ser levados em conta a avaliação da efetividade do recrutamento, seleção, socialização organizacional, treinamento, planejamento e desenvolvimento de carreiras, qualidade de vida no trabalho, bem-estar do patrimônio humano e a revisão dos estilos de liderança – a gestão do conhecimento.

Cada vez que a história faz avanços e conquistas, o ser humano fica perplexo, “espantado”. Atualmente, as empresas parecem de novo dispostas a valorizar o seu capital intelectual – o ser humano -, mas a um custo significativo. 

Isto serve de contraponto à globalização da economia junto com a tecnologia (computadores e robôs) que estão causando grande transformação na economia, trazendo consigo o desemprego, o turnover acelerado, seguido de outras megatendências da economia globalizada, o que se reflete diretamente na forma crescente da gestão do capital intelectual nas organizações modernas.

Sobreviver neste cenário de economia globalizada, crescer e pertuar-se neste século 21 com intensas demissões e, conseqüentemente, com este turnover acelerado, implica em agregar novas estratégias de gestão de empresas em transformação, o que depende do preparo da organização atingindo o todo das políticas e estratégias de recursos humanos e do comportamento organizacional.

* Eudio Braz do Amaral é gerente de Recursos Humanos da IT Mídia, empresa de comunicação dirigida para profissionais de Tecnologia da Informação e Telecomunicações.

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