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Desenvolvimento emocional e o assassinato de Realengo

Um assassino entra numa escola e atira em um monte de crianças.
Este assassino é culpado por tudo o que fez, mas sua família, os cidadãos, os políticos contribuíram também. Cada um com uma parcela de ignorância e descaso. Certamente é um doente mental. Um doente precisa de tratamento. Não só ele, mas a sociedade que o cria, precisa de tratamento.
Sim, todos nós somos coresponsáveis por este episódio e por muitos outros.
Apesar de existirem bons políticos e muitas pessoas que fazem o bem, que arregaçam a manga e agem em prol do desenvolvimento da sociedade dentro do seu setor de conhecimento, de maneira geral, o que mais existe é uma omissão, um descaso com a educação, com a saúde com interesses públicos e uma enorme ignorância de não perceber o valor e o impacto que a saúde mental tem na qualidade de vida das pessoas. Omissão perante as decisões tomadas pelos políticos. Omissão devido a um egoísmo ferrenho e pulsante saindo do umbigo das pessoas, vibrando em alta rotação, clamando para a importância do prazer superficial e individualista que trazem os bens de consumo.
Sim, somos todos co responsáveis de alguma maneira.
Os políticos dentro de seus ternos engomados, são responsáveis.
A sociedade civil omissa é responsável. Quando agimos ou não agimos, a nossa marca está registrada na construção de um mundo melhor ou pior. Quando fechamos os olhos para decisões políticas, quando mantemos nossos probleminhas emocionais sem buscar conhecimento e ajuda e continuamos a destruir elegantemente nossos relacionamentos, somos responsáveis por contribuir para uma sociedade emocionalmente infantil e doente.
Vivemos no mesmo planeta. Quando agimos, influenciamos e geramos impacto na sociedade, quando não agimos e somos omissos e acomodados, este impacto é uma constante e sutil destruição.
Este texto não é para dizer: sinta-se culpado pela morte daquelas crianças. Mas quer transmitir: sinta-se co-responsável pelos eventos do mundo em que vive.
É preciso buscarmos o crescimento pessoal e emocional, além do financeiro e do intelectual. Nós aprendemos a desenvolver nosso corpo fisico e mental e deixamos o emocional atrofiado, esquecido. Não sabemos, não fomos orientados e hoje não corremos atrás deste conhecimento como seria o mais sábio. O desenvolvimento emocional atrofiado é fonte de inúmeros problemas sérios, como este que agora abala corações. Não há muito o que se espantar. Este episódio como tantos outros é fruto do desleixo, do descaso não só com o próximo, mas como com o nosso própria estrutura humana.
É preciso sermos compromissados com o que podemos desenvolver . É preciso olharmos para o mundo como co-autores. Afinal o mundo é nada mais, nada menos, do que somos nós.
Graziela Bergamini, psicóloga e facilitadora de grupos. http://pontoconsciente.blogspot.com
graziela.bergamini@gmail.com
Cristina Mattoso, escritora e coordenadora do projeto desenrola brasil. www.desenrolabrasil.com.br

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