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Dicas e conselhos funcionam mesmo?

“Se conselho fosse bom não seria de graça”

Dito Popular

O lado bom: Informação é a matéria prima do conhecimento, e, conhecimento, o que dá sustentação às habilidades, presentes nos comportamentos dos realizadores e ausente no daqueles que não conseguem realizar.

O lado ruim: o conceito “na ponta dos dedos” remete à Internet, onde, infelizmente, a quantidade suplanta a qualidade. Mas, o que isso tem a ver com dicas e conselhos?
Tudo. Sites e blogs e livros recheados de conselhos e dicas abundam na Web e nas livrarias reais. Alguns de graça e outros, contrariando ao dito popular, vendidos.
Dicas e conselhos flutuam no mundo do comportamento, ou seja, o que deveria ser feito em determinada circunstância e contexto. Por exemplo, “para dosar o ritmo de seu trabalho, concilie vida pessoal e profissional planeje pausas para o descanso; fique bem com a família e amigos; diga não com mais frequência; nos momentos de tensão, mantenha a calma, etc.”

A pessoa não sabe o que fazer ou não consegue fazer o que deve ser feito?

Parece óbvio a qualquer pessoa sensata e medianamente informada que num momento de tensão manter a calma é algo desejável. Também é óbvio que para conciliar vida pessoal e profissional, e não só para isso, fazer pequenas pausas entre uma atividade e outra é uma atitude inteligente. Além de que, para se fazer esse equilíbrio, estar bem com a família e amigos é fundamental e que saber dizer não é uma atitude proativa. Mas, entretanto, todavia e, porém, por que é tão difícil colocar essas dicas óbvias em prática?

Simples. Dicas são fáceis de fazer para quem as dá e, acredite, às vezes nem o conselheiro é capaz de realizar o que fala para os outros fazer. Falar para se manter a calma está no nível comportamental, significa o que fazer. Já realizar a proeza de se manter calmo e centrado num contexto de tensão está no nível das habilidades e capacidades. Significa possuir uma estratégia neurofisiológica e emocional que proporcione à pessoa a capacidade de fazer determinado comportamento acontecer num contexto específico.

Gregory Bateson desenvolveu estudos relacionados ao ser humano e criou o que denominou de níveis neuro-lógicos, trabalho esse que foi aprimorado por Robert Dilts, com a visão da Programação Neurolinguística – PNL. Os níveis neurológicos é uma estrutura que inicia no ambiente, passa polos comportamentos que são realizados nesse ambiente, com o suporte do próximo nível, que são as capacidades ou habilidades, que, por sua vez, são permitidas ou motivadas pelas crenças, crenças essas que podem ser permissivas ou proibitivas, levando pois, à identidade da pessoa em questão, acima da identidade está o nível espiritual, que representa tudo que está além da pessoa, incluindo sua religiosidade, seu Deus. Cada nível responde a uma pergunta:

Espiritual: Quem Mais? Representa a Visão ou Propósito – Nas organizações a Visão Empresarial;

Identidade: Quem? Representa a Missão Pessoal – Nas organizações a Missão Corporativa, a marca e sua contextualização;

Crenças: Por quê? Representa permissões e Motivações – Nas organizações os Valores, a ética e a responsabilidade social e ambiental;

Capacidades: Como? Representa as Estratégias
e Direção, são os recursos disponíveis, competências, habilidades e qualidade – Nas organizações a Estratégia, a comunicação, a capacidade de realização e diferenciação na produção dos resultados;

Comportamentos: O que? Representa as Ações e Reações, o que uma pessoa faz ou diz que faz – Nas organizações as ações individuais ou de equipes e o alinhamento entre o marketing e as ações propriamente ditas;

Ambientes: Onde e Quando? Representa as Fronteiras ou Barreiras que levam ou impedem de se chegar aos objetivos – Nas organizações Forças e Fraquezas, bem como as oportunidades e ameaças (SWOT).

Com base nos Níveis Neurológicos podemos afirmar que saber o que fazer é apenas uma das etapas do processo e que todas as pessoas sabem o que deveriam fazer para obter determinado resultado, como os mencionados no início desse artigo. As que não sabem, ao receber as dicas ou conselhos estão ainda, no universo do comportamento, mas não necessariamente habilitadas a exercê-lo. Dicas e conselhos são equivalentes a dizer para alguém que nadar ou andar de bicicleta é uma tarefa fácil.

Sendo que na primeira basta entrar na água, fazer o corpo flutuar, mover as mãos em remo, impulsionando o corpo para frente, na medida em que se usa os pés para dar o equilíbrio. No caso da bicicleta basta manter o corpo equilibrado sobre o selim e mover os pés empurrando os pedais para frente e para baixo, ao mesmo tempo em que, com as mãos, se mantém o guidom no rumo que se deseja seguir. Fácil assim. A pergunta é, alguém que nunca andou de bicicleta ou nadou será capaz de executar tais procedimentos e exercer o comportamento proposto?

Não. Não será. Mas, acredite, muita gente pagaria e paga para ouvir a ululância óbvia das dicas acima. Sem, contudo, saber como, de fato, colocá-las em prática. Você que lê este artigo pode se perguntar por que, então, as dicas e conselhos fazem tanto sucesso?

Porque ao fracassar o usuário de tais dicas pode, com todo direito que ele lhe autoconfere ao comprar a ou receber a dica, transferir a responsabilidade para quem a deu ou vendeu.

As pessoas que possuem a habilidade são capazes de buscar metodologias e processos funcionais. Inclusive para desenvolver as habilidades necessárias ao fazer coisas para as quais elas, ainda, não estão habilitadas. Pessoas inteligentes e capazes, no sentido lato, do realizar, seja em qualquer área de suas vidas, não se contentam com o óbvio ululante. Elas são latentes, por isso, empreendem em prol do próprio desenvolvimento. Investem tempo e dinheiro em coisas mais consistentes do que dicas e receitas prontas.

A Programação Neurolinguística – PNL e o Coaching são metodologias e possuem ferramentas. Os bons cursos e programas de coaching dessas metodologias devem ser focados em desenvolver nos seus usuários a maestria no manejo das ferramentas e na adequação de seus usos, em detrimento dos objetivos a serem alcançados. Sem dicas, mas sim com inteligência e contextualização.

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