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Diversidade Cultural Aplicado as Organizações

Clair Vieira de Moraea 25 anos de carreira em recursos humanos no segmento de serviços em todas as áreas de Gestão de Pessoas. Vem atuando como consultora há 10 anos para empresas de varejo, Bancos e serviços, com projetos voltados para ferramentas de desenvolvimento, de executivos e gestores em programas de ciclo de gerenciamento, e responsabilidade social.sócia proprietária da MS Gestão e Desenvolvimento www.msgestaoedesenvolvimento.com.br

Diversidade Cultural um Estudo Aplicado as Organizações
Cresce o sentimento de que eventos mundiais estão rapidamente convergindo para delinear um mundo único, integrado, em que influências econômicas, sociais, culturais, tecnológicas e dos negócios e também de outras naturezas atravessam fronteiras tradicionais, como nações, culturas nacionais, tempo, espaço e industrias, com facilidade crescente. Essa dissolução de quaisquer fronteiras tradicionais tornou confusas distinções que já foram mais claras. Atividades de negócios, por exemplo, são conduzidas ou delineadas por organizações não empresariais, como ONGs (organizações não governamentais). Essas atividades confundem as fronteiras entre setores, antes mais claramente definidas. Recorrer a pistas visuais ou verbais para distinguir entre forma e conteúdo, entre homem e mulher, entre o que é real e o que é virtual, entre o que organizações podem fazer o que elas devem fazer tornou-se mais difícil. As implicações de tais mudanças são potencialmente revolucionárias, levando a mudanças significativas e de amplo escopo em todas as esferas da vida, gerando novos desafios e responsabilidades para todos os tipos de organizações.
Organizações não são simplesmente afetadas pela globalização: as atividades combinadas de todos os tipos de organização estimulam, facilitam, sustentam e expandem a globalização. Empresas de negócios, na busca por novos produtos e mercados, não distribuem apenas produtos para os consumidores, mas também idéias a respeito da criação de riquezas; idéias de como as pessoas devem viver e trabalhar, ideologias sobre diversidade, autoridade política e administrativa. Os parâmetros de negócios no mundo global não são controlados facilmente: uma conexão telefônica com a internet fornece informações sobre o último índice da Dow Jones, uma pesquisa cientifica, ou a quebra de uma potencia mundial. Negócios globais não se referem somente a negócios: existem efeitos culturais, sociais, políticos e econômicos.
Essas diferenças de definições não são apenas semânticas. Elas moldam pressupostos sobre o que o outro está falando ou deve ter a permissão para falar, direcionando e limitando a exploração futura do que é a globalização. Por exemplo, uma abordagem sociológica da globalização representa esse fenômeno como a compreensão do mundo e a intensificação da consciência de que o mundo é um todo. Na literatura dos negócios, a globalização é habitualmente descrita como um conjunto de mudanças nos padrões tradicionais de produção, investimentos e comércio internacionais; ou como convergência entre os interesses das empresas e sociedade. Uma visão popular da globalização é a ausência de fronteiras e barreiras para o comércio entre nações.
Essa conceituação da globalização como “ausência de fronteiras” nacionais pode levar alguns a concluir que a globalização está produzindo uma tendência mundial de homogeneidade e uniformidade. Outros, porém, têm apontado que, com a dissolução das fronteiras, das barreiras, com a compressão do mundo e a crescente interdependência, tornamo-nos mais conscientes das diferenças e da diversidade culturais: Uma conseqüência paradoxal do processo de globalização, da consciência da finitude, da condição humana e da vinculação da humanidade a este planeta não é a produção de homogeneidade, mas o aguçamento das percepções de grande diversidade, que se expressa por meio de numerosas culturas locais .
Portanto o apelo mundial de “pensar globalmente e agir localmente” e fazer parte da “vila global” é inibido pela tendência de definir, descrever e imaginar a globalização de diferentes formas.
Se estamos confusos com o significado da globalização que traz a tona o aspecto da diversidade hoje, também estamos perplexos com o que ela irá significar para o futuro. Alguns argumentam que a diversidade doméstica (local, regional, de um país) e internacional promovida pela globalização será a máquina que direciona a energia criativa da empresa do século XXI. De acordo com este ponto de vista, a globalização criará oportunidades mundiais, para o crescimento e o desenvolvimento, expandindo as opções tanto para as organizações quanto para as pessoas no mundo todo; criar oportunidades de empregos para milhares de pessoas excluídas e carentes; ajudar a formar infra-estrutura empreendedora, com responsabilidade social e sustentável em países em desenvolvimento; contribuir para o processo de democratização; e equacionar a solução de problemas sociais em escala global será um fator determinante para as empresas do futuro.
Panorama das empresas no Brasil
As empresas, no Brasil, encontram-se inseridas num contexto de mercado e de relações de trabalho muito diferentes daquele que se tinha no passado, onde o conjunto de colaboradores embora heterogêneo, especialmente sob o aspecto étnico (conseqüência da colonização, com forte imigração de europeus e orientais), era administrado sob a égide de uma cultura que não permitia a manifestação de diferenças individuais. Os trabalhadores eram incluídos nas estruturas organizacionais e sujeitos as regras e padrões impostos pela cultura interna. Passavam a assumir a identidade das organizações em detrimento da identidade individual.
As estruturas organizacionais eram hierarquizadas resultando em atividades estanques com funções fragmentadas e bem definidas que considerava apenas o cumprimento de tarefas. Nesse modelo de gestão fordiano e taylorista era muito evidente a diferença entre quem pensava e quem executava o trabalho. Os negócios tinham uma orientação local e de baixa competição e esse modelo de organização do trabalho atendia às necessidades das empresas.
Após esse período de industrialização, com a introdução de novas tecnologias e aprimoramento dos processos de gestão, as organizações passam a requerer uma força de trabalho mais qualificada, contudo suas estruturas e as formas de organizar o trabalho permanecem inalteradas; elas ainda atuam localmente em um mercado de baixa competitividade.
Com a abertura de mercado no início dos anos 90, trazendo a aceleração da evolução tecnológica e o aumento da competição, as empresas foram obrigadas a rever suas estratégias, sua forma de atuação no mercado, a organização do trabalho e seus sistemas de gestão.
Hoje, a gestão das empresas modernas é influenciada sobremaneira por essa globalização, que traz em seu bojo a necessidade de serem competitivas em mercados cada vez mais amplos e exigentes.
Torna-se um grande desafio para as empresas criar oportunidades para assimilar e gerenciar essa nova força de trabalho e promover um ambiente organizacional que favoreça a participação e a manifestação das diferenças individuais para obter maior competitividade e melhores resultados.
Nosso propósito, ao escolher este tema de estudo, é pesquisar, através de metodologia quantitativa e qualitativa, se as empresas brasileiras têm inserido na sua estratégia o tema diversidade como uma das formas de responder às demandas por inovação e competitividade . E se adotam ou não políticas claras ou ferramentas para gerenciá-la.

Conceituação da Diversidade Cultural
A diversidade tem sido estudada com mais afinco a partir da década de 60, principalmente pelos EUA e Canadá, por pressão de movimentos políticos a favor da integração racial e tem como pano de fundo os paradigmas de igualdade de oportunidade de trabalho e de educação para todos.
Percebe-se que este movimento “contamina” as organizações na medida em que algumas empresas passam a adotar como premissa a responsabilidade social ao lidar com a diversidade e a preocupação em compor equipes heterogêneas de trabalho.
A diversidade é a soma de um cenário em transição, da era da Industrialização para a era do Conhecimento, onde a utilização da diversidade como vantagem competitiva na empresa pode garantir novas formas de interação e distintas maneiras de perceber e atuar no seu segmento de mercado.
O conceito de Diversidade segundo Taylor Cox¹ é a representação, em um sistema social, de pessoas com afiliações a grupos claramente diferentes em termos de significado cultural.
Para Maria Tereza Fleury2, Diversidade Cultural é definida como um mix de pessoas com identidades diferentes interagindo no mesmo sistema social. Nesses sistemas, coexistem grupos de maioria e de minoria. Os grupos de maioria são os grupos cujos membros historicamente obtiveram vantagens em termos de recursos econômicos e de poder em relação aos outros.
Segundo Stella M. Nkomo³ as definições mais amplas indicam que o termo diversidade refere-se a todas as diferenças individuais entre as pessoas, isto é, todos são diferentes.
Esta conceituação espelha o individualismo que estrutura muitas das idéias sobre as organizações. Por outro lado, as abordagens restritas, que limitam a diversidade à raça, etnia e gênero tendem a ser interpretadas como referindo-se apenas às pessoas pertencentes a um gênero específico ou a um grupo minoritário de raça-etnia de um sistema social (Isto é, a diversidade refere-se a mulheres brancas ou às minorias raciais).
Pesquisadores como Thomas D. definem diversidade como algo que inclui todos, não apenas
a classificação por raça ou gênero.
Estende-se à idade, história pessoal e corporativa, formação educacional, função e personalidade. Inclui estilo de vida, preferência sexual, origem geográfica, tempo de serviço na organização, status de privilégio ou de não-privilégio e administração ou não administração.
Jogamos luz às considerações de Stella M. Knomo e Taylor Cox4, que aborda a questão da diversidade como um misto de pessoas com identidades grupais diferentes dentro do mesmo sistema social.
O conceito de identidade parece estar no âmago do entendimento da diversidade nas organizações. Assim, a discussão sobre diversidade está concentrada em torno do verdadeiro significado da identidade e em seu tratamento no estudo das organizações. As diferenças de identidade individuais (tanto físicas, quanto culturais) para Cox interagem como uma complexa gama de fatores individuais, grupais e organizacionais para determinar o impacto da diversidade nos resultados individuais e organizacionais. Segundo ele os resultados individuais são divididos em variáveis de resposta afetiva como satisfação, identificação organizacional e envolvimento no trabalho e em variáveis de desempenho como performance, mobilidade no cargo e compensação. Os resultados organizacionais podem impactar o nível de entendimento, de turnover, de qualidade do trabalho e lucratividade.
Cox reforça que a administração da diversidade cultural significa planejar e executar sistemas e práticas organizacionais de gestão de pessoas de modo que maximize as vantagens potenciais da diversidade e minimize as suas desvantagens.

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Valeria Lamboglia

Amei o texto!!!Sou estudante de Sociologia .Adorei a maneira como foi analisado o assunto sobre a Diversidade e como podemos usufruir dela juntamente com a Globalização,sem medo de perder Identidade Cultural de cada grupo.Respeitando, valorizando, fazendo da miscigenação um fator primordial para o desenvolvimento econômico, cultural e social.
Adorei!!!