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Diversidade e Inclusão devem ser compromissos de todas as pessoas da empresa, não apenas de um time

*Por Michelle Lopes

Uma cultura empresarial verdadeiramente engajada em promover Diversidade e Inclusão é formada pela atuação de todas as pessoas que colaboram com essa empresa. Deixar essa preocupação apenas ao time responsável pelo assunto – chame ele time da Diversidade e Inclusão, da Responsabilidade Social ou qualquer outro nome que tenha em sua organização – não é uma atitude que colabora para a construção efetiva de um ambiente de trabalho e mundo melhores. Todos devemos ser responsáveis por promover ações e reflexões sobre o assunto.

Comecemos pelo porquê!

Recentemente entrevistei Ricardo Sales, sócio-fundador da Mais Diversidade, em uma live no Instagram da CI&T onde tratamos sobre o assunto diversidade e inclusão nas empresas. Foi muito interessante observar que ele, consultor de Diversidade e um dos principais nomes relacionados ao tema, prevê o fim dos times dedicados ao assunto com otimismo. Conquista a curto prazo? Claro que não. Mas ele ressaltou que quando esses times desaparecerem, alocados em outras áreas das organizações, por exemplo, significará que alcançamos o espaço seguro para todas as pessoas, a equidade dentro do ambiente de trabalho e que esse compromisso já atingiu todas as esferas empresariais.

Nova call to action

Bem, se o objetivo final dos times de Diversidade e Inclusão é promover práticas, processos e conscientização geral nas organizações sobre o assunto, promovendo equidade e senso de pertencimento, significa também que sua atuação impacta todas as pessoas, sejam elas pertencentes a grupos minorizados ou não. Logo, para que efetivamente tenhamos empresas diversas e inclusivas, a conscientização e atuação de todas as pessoas é necessária. Precisamos tomar a responsabilidade individual sobre o tema diversidade e inclusão.

Mesmo que você não pertença ao time de Diversidade e Inclusão da sua empresa, que sua área de atuação seja completamente diferente ou mesmo que sua empresa nem tenha um time dedicado ao assunto, é importante que você se engaje com ele. Acredita que todas as pessoas devam ser tratadas de maneira igual, tendo oportunidades iguais e se sentindo parte da empresa? Acredita ainda que todas as pessoas mereçam viver em um mundo seguro, que respeite suas escolhas e que celebre as vidas individualmente? Então, você acredita na Diversidade e Inclusão.

E agora, como colaborar para o assunto?

Como disse, você pode ajudar a promover a Diversidade e Inclusão em sua empresa independentemente do time em que atue. Eu, por exemplo, faço parte do time de Branding na CI&T, mas esse é um dos assunto que mais estudo e com o qual me comprometo. Por isso, encontrei maneiras de estar conectada às iniciativas da empresa: faço parte do Comitê de Diversidade, colaboro para um programa de mentoria de mulheres que existe em um dos projetos e busco todos os dias, através de minha atuação, promover esse assunto. Por sinal, Comunicação e Diversidade são fortes aliadas, mas vou me debruçar sobre isso em outro artigo.

E a sua empresa, ela possui um comitê desse tipo? Pode ser que você nunca tenha prestado atenção a essa iniciativa ou, caso ela não tenha, pode ser que você consiga colaborar para iniciar esse movimento! E grupos de afinidade voltado às minorias? Você pode se conectar a eles ou ajudar de alguma maneira. Pergunte!

Já ouvi algumas vezes que não é possível colaborar com o tema não pertencendo a grupos minorizados, por conta do lugar de fala. E por isso, antes de me dedicar a explicar que você deve ser uma pessoa aliada nessa luta, ressalto: o conceito de lugar de fala é fundamental para compreendermos as lutas necessárias a partir da perspectiva das pessoas que vivenciam a discriminação, o racismo, a desigualdade, porém, não é um termo que afasta a colaboração e o apoio a tais lutas.

Um exemplo: sou uma mulher branca e nunca, em hipótese alguma, posso dizer que compreendo o que uma mulher negra sofre no mesmo ambiente de trabalho que eu, ou que sei sobre toda a vivência que ela já teve até então. Porém, posso ouvi-la e entender como posso colaborar na luta antirracista. O lugar de fala é importante para colocar o protagonismo em seu devido lugar: não faz sentido eu coordenar um grupo de mulheres negras no trabalho, pelo simples fato de eu estudar sobre o assunto, mas eu posso querer ouvi-las, estudar e observar o racismo estrutural que existe em nossa sociedade e tomar parte na luta diária para não perpetuá-lo.

Rosane Borges, ativista de relações de gênero e pós-doutora em ciência da comunicação, em entrevista para o Nexo Jornal, sintetiza:

“Não podemos confundir lugar de fala com política existencialista e identitária, o lugar de fala informa que aquela identidade e cultura conforme os modos como nos colocamos no mundo, como vemos o mundo. Saber o lugar de onde falamos é fundamental para pensarmos as hierarquias, as questões da desigualdade, da pobreza, do racismo, sexismo.”

Dito isso, volto ao assunto: seja uma pessoa aliada da Diversidade e Inclusão. Entenda o movimento de luta pelos direitos das mulheres, pelos direitos humanos, pela igualdade racial, pelo respeito à comunidade LGBTQI+. Observe seus vieses inconscientes e as microagressões que praticamos todos os dias. Entenda o que é racismo estrutural, repare se há diversidade de pessoas nos ambientes em que você frequenta e lute para que existam pessoas diferentes de você, caso não estejam ali.

Ninguém é capaz de mudar o mundo sozinho, mas podemos promover mudanças individuais e, a partir delas, construir mudanças efetivas em nosso ambiente de trabalho e no mundo. Melinda Epler, fundadora e CEO da Change Catalyst, fez uma brilhante palestra no TED sobre as maneiras que podemos ser aliados em nosso ambiente de trabalho. Resumo para vocês o que ela diz:

  • Comece não fazendo mal. Aprenda a escutar sem interromper, estude, se desconstrua;
  • Advogue por pessoas subrepresentadas de pequenas maneiras: incentive, dê a palavra, encoraje-as individualmente;
  • Mude a vida de uma pessoa: pratique voluntariado, ofereça mentoria, dê oportunidade a alguém.

Escrevendo esse texto sobre um tema tão caro a mim, faço um pouco do que Epler nos convida: escrevo para dizer a você que o time de Diversidade e Inclusão não pode mudar seu ambiente de trabalho sem você, te encorajo a conhecer mais sobre o assunto e a colaborar de pequenas maneiras!

Você pode ser uma pessoa aliada e pode conscientizar outras pessoas, torná-las aliadas também. No fim, todas as pessoas saem ganhando: observamos nossos ambientes de trabalho se tornarem cada vez mais diversos, inclusivos, inovadores e gentis. E, enquanto isso, observamos essas pessoas, que constroem os ecossistemas corporativos diversos e inclusivos, colaborarem para mudanças positivas e significativas no mundo em que vivemos. Vamos?

*Michelle Lopes é analista de Marketing Digital da CI&T, multinacional brasileira especialista digital para grandes marcas globais, e também se dedica aos estudos de gênero e diversidade

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