Artigos

Educação

Nas revistas especializadas em RH, dicas profissionais e carreiras verificamos uma supervalorização de diplomas de certas instituições de ensino superior ou de pós-graduação. Algumas já publicaram textos onde os diplomas fora desses centros de formação são taxados de “inexpressivos” ou “sem valor”. Com isto, algumas universidades são o “sonho de consumo” de muitas pessoas. Porém, para a grande maioria é um sonho muito distante. Frente a esta realidade o que nos resta fazer?
A discrepância na qualidade de ensino gerou centros de excelência que hoje atraem milhares de vestibulandos. Eles estão em busca de um diploma que praticamente já vem com um “contrato de trabalho”, um “vale emprego”. Instituições públicas e particulares tem alcançado um elevado nível de reconhecimento graças a planejamento, investimento e competência associados. Chegar a este ponto não é fácil. É algo que se constrói lentamente e que agrega valor àqueles que lá se titulam. Mas o que resta aos pobres mortais que não conseguiram, por falta de preparo adequado ou mesmo condições financeiras, alcançar estes centros? Àqueles que não podem, pelos mais diversos motivos, custear uma graduação, especialização, mestrado ou doutorado com conceito A? Desistir de melhorar sua formação e/ou titulação? Claro que não.

Tenho sempre para mim que entre o ideal inatingível e o possível, devemos ficar com o possível. Até porque, o valor do seu diploma está em você. Ou será que instituições sem fama e status não formam profissionais com excelência também? Formam, sim. Em menor escala do que as famosas, mas formam. A grande diferença está no número, na porcentagem de formandos com conteúdo, alguma experiência, pensamento crítico e poder de realização que se formam em cada uma destas escolas.

O fato se deve a algumas diferenças significativas. Citarei a que considero mais relevante. Nas faculdades renomadas o grau de exigência é muito maior do que naquelas de pouca tradição. Com isto, é menor a probabilidade de se dar um título a alguém que não tenha adquirido conhecimentos razoáveis durante sua formação. Para sair com o “canudo” debaixo do braço é preciso um bom investimento de tempo e dedicação aos estudos. O mesmo não ocorre em outros centros formadores. Em alguns deles passam todos e aprende quem quer. O nível de exigência menor permite a diplomação de profissionais com medíocres níveis de conhecimento e sem experiência alguma, o que acaba denegrindo ainda mais a instituição. Porém gostaria de destacar o termo “aprende quem quer”.

É isto mesmo. Muitas destas faculdades sem o reconhecimento regional, nacional ou mesmo internacional (USP, Unicamp e FGV, entre outras poucas, possuem reconhecimento, em algumas áreas de formação, fora de nossas fronteiras) possuem adequada infraestrutura. Comportam bons laboratórios, boas bibliotecas e corpo docente com profissionais de ótima qualidade. Contudo, questões institucionais levam a uma cultura que fragiliza o resultado final da formação oferecida. Resultado: aqueles que realmente querem aprender e lutam, isto mesmo têm que lutar, aprendem tanto quanto nos grandes centros – ou mesmo mais. Se você quiser fazer valer é possível, tangível e factível. O valor está em você.

É fato também que o reconhecimento é mais lento. Mas acontece. Com bases nada científicas, recorrendo ao “chutômetro”, digamos que em cada cem formandos de uma instituição com excelência teríamos a proporção entre excelentes/bons/regulares/ruins na medida de 15/50/20/15 respectivamente. A proporção para uma instituição “comum” seria de 3/17/45/35. Sei que os dados são inconsistentes. É fruto de observação como palestrante e professor em diversos cursos de aperfeiçoamento. Também sei que existem instituições e instituições. Mas considero o “chute” bastante razoável para a média geral. É evidente que com isso alguém que possua o certificado de uma instituição TOP tenha mais credibilidade ou obtenha reconhecimento mais rapidamente. As portas se abrem com mais facilidade. Mesmo assim, o mercado se abre para aqueles que têm excelência (leia mais). Isto depende de você. Do comprometimento com sua formação e seu futuro.

Corra atrás, mas acredite que poderá passar à frente. “Alugue” seu professor. Aproveite e crie oportunidades de praticar (Mas você tem experiência?). Escarafunche a biblioteca e a internet. Questione, leia muito, mas muito mesmo. Vá além do que a sua faculdade lhe oferece. Na verdade ela te oferece bem mais do que é anunciado. Nem mesmo a instituição sabe disto. Cabe a você descobrir, usar e abusar. Nunca se contente apenas com as aulas. A maioria dos professores, ou pelo menos os bons professores, gostam de ser desafiados. Acredite no seu poder de fazer acontecer. Caso contrário, nem mesmo em um grande centro formador você terá bons resultados. Não seja apenas mais um. Mas isto, depende mais de você do que de sua escola ou professor.

Se puder se formar em uma das 10 melhores Universidades do país, ou mesmo quem sabe em Sorbone, Harvard ou Cambridge, parabéns, aproveite ao máximo. Mas se não pode lembre-se bem: o valor do seu diploma está em você. As oportunidades de aprendizagem, os recursos (professores e laboratórios) estão ao seu alcance e disposição. Não espere. Faça melhorar!

Eduardo Santos é psicólogo e consultor
formado pelo Centro de Ensino Superior
de Juiz de Fora e Pós-Graduado em Consultoria em RH.

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of