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Em Busca Da Informação Perdida

Selecionando
e priorizando informações
como
instrumentos eficazes de gestão

 

Certa
vez em uma viagem a um país europeu, aconteceu-me perder um objeto de estimação.
Tratava-se de um cachimbo que me fora presenteado por pessoa de quem eu gosto
muito. Aceso ou apagado o tal cachimbo me trazia as melhores lembranças.

 

Aborrecido
com a perda, dirigi-me ao “concierge” do hotel:

  • “Por
    acaso os senhores aqui têm um departamento de achados e perdidos onde eu
    possa reclamar o extravio de um objeto pessoal?”

  • ”Não,
    isso cá não temos… “ Já ia eu desistindo e caminhando para o elevador
    quando a voz do “concierge” me fez voltar:

  • “O
    que nós aqui temos é um departamento de perdidos e achados, pois primeiro
    se perde e depois se acha, ora pois!”

Não
recuperei o cachimbo, mas aprendi uma lição de lógica! Só se “acha”
aquilo que foi previamente perdido. O que não se perdeu, pode, no máximo, ser
fortuitamente “encontrado”, Mas não “achado”…

Discussões
semânticas à parte, a Internet alterou os conceitos de busca,  de
encontro e de “achamento”.

Por
mais que, no início da busca a gente saiba o que está procurando, qual é a
“informação pertinente”, bastam 5 minutos de ofertas de “links” para
que qualquer um se perca. E dá vontade de criar na WEB um departamento de
“perdidos e achados”, espécie de garantia de que se vai achar o que se
busca. Ou lembrar do que se buscava…

Na
Internet, se “navegar é preciso”, surfar não é preciso. Quem navega tem
direção, quem surfa vai ao sabor das ondas…

No
ambiente profissional extremamente competitivo em que trabalhamos e onde informação
vale mais que dinheiro a WEB se afigura muitas vezes misteriosa como o mar
oceano para os antigos navegantes.

O
excesso confunde e faz sumir o que é raro e precioso. Qual a informação
realmente valiosa e pertinente e como encontrá-la? Informação é poder, disso
ninguém duvida, mas como selecioná-la?

Sistemas
de seleção de informação e de “busca dirigida ”na Internet são a cada
dia mais valorizados e procurados. Não importa simplesmente disponibilizar
“informações”, mas disponibilizar a informação pertinente, valiosa. Aqui
e agora, a decisão competitiva se faz hoje, “hic et nunc”.

E
aí, a concorrência começa a se fazer na comparação de recursos e sistemas,
perdendo de vista o objetivo lucro. Parte-se para a compra de informação.
Sistemas de “data-base” para marketing ( “banco de dados” é mais
barato…) e o CRM, essa prática de um relacionamento “pessoal” com os
clientes? Está na crista da onda, como implantá-lo eficazmente para não ficar
para trás? 

UM
banco de dados abrangente, que permita um CRM capaz de fidelizar realmente os
atuais clientes e atrair outros, que maravilha! Desde que fidelize e atraia.
Importa o uso, não o valor “talismânico” da posse dos dados. Muita gente
acha que a posse de bancos de dados completos e atuais vai, por si, significar
uma gestão mais eficiente e a obtenção de melhores resultados, como se os
sistemas de informação tivessem um valor mágico… Dispor da informação não
vai fazer sua empresa lucrar, a não ser que você e seu pessoal saibam usá-la
atrelando-a à lucratividade.

O
único objetivo que não pode ser nunca esquecido e  no qual uma empresa não
pode ficar para trás é a lucratividade. Participação de mercado sim, mas
essa é uma condição da lucratividade. Tudo é uma condição da lucratividade
e quando ela é, às vezes, sacrificada hoje, é para que volte mais forte amanhã!

A
seleção da informação realmente relevante, começa no formular da pergunta:
o que eu busco? A partir dessa definição do que se busca há que descartar a
distração, a dispersão e manter firme o leme do navio!

A
própria Web já oferece sistemas de triagem da informação: buscas por
assunto, por conjuntos de palavras, sites específicos, assinaturas de informações
selecionadas, etc.

Mesmo
assim, antes de dar início a uma busca profissional na rede, é importante
estabelecer um roteiro cuidadoso. Como para uma viagem de negócios: tempo,
definição de objetivos, prioridades, resultado. Isso em se tratando de uma
busca na WEB….Com tanto tempo sendo dedicado à navegação, como anda a
utilização das antigas fontes “domésticas” de informação?

Que
tal começar a busca dentro de casa, criando uma cultura da seleção da informação?
(Será naturalmente aplicável na WEB, uma vez adquirido o hábito de determinação
de objetivos, escalação de prIoridades e relevância.

Quais
são as informações pertinentes que o fluxo operacional da minha empresa pode
oferecer?

Relatórios
gerenciais de vendas, relatórios do SAC (importante fonte de informações
comumente negligenciada, há que treinar melhor o pessoal dos SAC’s), atas de
reuniões (para que servem essas atas afinal e as próprias reuniões?), 

E
o pessoal de produção, o que pode relatar? Meus vendedores, que estão em
contato com clientes e concorrentes, o que informam? As convenções de vendas,
são mera ocasião de confraternização, comunicação de metas e treinamento,
ou as informações ali trocadas são validadas  servem como base para
aprimorar a performance operacional?A minha empresa dispõe de um sistema eficaz
para coletar, classificar e avaliar essas informações?

Se
minha empresa dispõe de um site na Internet, quantos clientes o acessam, com
que freqüência e o que dizem? Essas informações estão sendo analisadas e
conduzindo a aplicações?

Costumo
deixar questionários de satisfação para os clientes preencherem? Eles são
bem concebidos e os resultados são analisados e aplicados?

Os
relatórios da auditoria interna e externa, onde andam? E se eu criasse
instrumentos eficazes de obtenção e direcionamento do fluxo de informações
que já é gerado pelo dia a dia operacional da minha empresa?

Minha
concorrência disponibiliza informações constantemente, o preço de seus
produtos, os produtos mesmo, as práticas de promoção e propaganda, tenho
levado tudo isso em conta em meus processos decisórios e de planejamento? A
performance histórica tem sido analisada com critério e levada em conta no
planejamento anual?

Além
das informações que a própria atividade empresarial disponibiliza, é necessário
levar em conta, pesquisando e selecionando, aquelas que nos são fornecidas
pelas publicações, especializadas ou não.

Como
anda a leitura de revistas e periódicos? Possuo um sistema de “clipping”
eficiente? Meu tempo dedicado à leitura diária dos jornais e revistas é
apropriado à obtenção das informações necessárias à análise eficaz do
ambiente “macro” no qual minha empresa evolui?

E
quanto aos livros, estou em dia com o que se apresenta de mais atual e eficaz em
técnicas de gestão? É paradoxal a constatação de que, na época da abundância
da informação, cada vez se lê menos. E que informações fundamentais,
capazes de gerar resultados imediatos e facilmente acessíveis, estejam sendo
negligenciadas por não serem transmitidas por um aparato tecnológico que
“galmouriza” banco de dados e confere um caráter de “amuleto” para o
sucesso a informações nem sempre relevantes…

Tudo
bem que estejamos sendo, no dia a dia, bombardeados com um excesso de informação,
mas se não soubermos lidar com a informação básica que nossa própria
atividade empresarial nos fornece e que é sempre prioritária e relevante,
estaremos praticando uma espécie de miopia empresarial, procurando enxergar o
“longe” esquecendo de ver o “perto”.

E
aí valerá a lição do “concierge”:  é preciso procurar primeiro o
que se perdeu, para aí, então,  partir em busca de algo mais!

Carlos
Alberto alvim

Consultor
Sênior do Instituto MVC

 

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