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Emoções e Liderança

Emoções e Liderança
Por Ernesto Carvalhal

No âmbito psicossomático, vários autores na área das pesquisas sobre o funcionamento do corpo humano dizem que as emoções se caracterizam por uma ruptura do equilíbrio afetivo. Ou seja, as ações reflexas são provocadas nas situações em que a afetividade é, de alguma maneira, ameaçada. Quase sempre são episódios de curta duração, com repercussões concomitantes ou consecutivas, leves ou intensas, criando um bloqueio parcial ou total da capacidade de raciocinar com lógica. Isto leva a pessoa, em situações críticas, a alterações no grau de descontrole psíquico e comportamental.
Dizem esses autores que não podemos confundir emoções com sentimento. O sentimento não é de curta duração como a emoção. Sentimento é um estado afetivo mais durável, de intensidade menor e com menor repercussão sobre as funções orgânicas, bem como menor interferência na capacidade de raciocinar, resultando pouca alteração no comportamento. Amor, medo e ódio são considerados sentimentos, já a paixão, o pavor e a raiva são emoções.
Uma emoção se define como positiva quando, dentro de determinados limites, a reação aos estímulos reforça o componente cognitivo dando mais sabor às vivências do cotidiano, facilitando os comportamentos adaptativos. Porém, quando ultrapassa esse limite, as emoções passam a comprometer a capacidade de raciocínio e a afetividade se dissipa tornando as relações desagradáveis.
As emoções estão ligadas ao nosso processo de avaliação das situações.
O início de nossa função avaliadora da situação está no Sistema Límbico, que é um conjunto de estruturas em nosso cérebro com a função de analisar os fatos e eventos que acontecem durante nossa vida. Esse modo de análise leva em consideração vários elementos: as características individuais resultantes das experiências vividas, as circunstâncias da situação e as normas culturais.
A situação crítica vivida pelo indivíduo passa por um processamento interno que analisa a natureza do evento e sua possível ameaça, a melhor maneira de enfrentar a situação e finalmente, passa para a decisão.
Tanto os fatores que constituem a personalidade, quanto as experiências anteriores de vida representam o núcleo desse sistema de avaliação. Esse processo é pessoal e a resposta é particular, e portanto…
… diante de situações semelhantes, os diversos indivíduos reagem de forma diferente.
Isso refletirá sempre o modo peculiar de cada um avaliar as situações. O que é estressante para um, pode não ser para outro.
Conforme sua história, circunstâncias, aptidões e personalidade a pessoa tem uma amplitude maior ou menor de alternativas para o enfrentamento da situação. A alternativa mais elaborada de enfrentamento é a que olha para a situação conscientemente, objetivamente, podendo falar sobre ela, discutir, refletir, superando-a conforme as características e os recursos à sua disposição. Quando isso não é possível, por faltarem recursos disponíveis à personalidade, a tendência será lançar mão de outras formas enfrentamento.
As emoções são agradáveis ou desagradáveis, e sempre nos mobilizam para a ação tomando parte na nossa comunicação interpessoal. Portanto, as emoções atuam como poderosos motivadores da conduta humana. Deve ser destacado, no entanto, que as emoções são reações naturais, universais, que têm uma finalidade adaptativa. Quando as emoções são demasiadamente intensas e/ou frequentes, essas mesmas reações podem até provocar alterações patológicas na saúde.
Se as reações diante das situações são pessoais, particulares, podemos afirmar que as emoções são colocadas por nós (deliberadamente ou não) nas diversas situações.
A situação em si não é emocionante, depende da análise que cada pessoa faz da situação.
Em processos de trabalho em equipe, cada membro da equipe reage de maneira diferente às diversas situações. Um dos diferenciais entre os Líderes está relacionado a como trabalham com as emoções. Tomar consciência da emoção, perceber o que está acontecendo, quais as sensações, é fundamental para tomar as rédeas da situação no exato momento em que a emoção se manifesta. Assim, uma pessoa, pode resolver sair da situação até que a emoção diminua de intensidade. Ou pode usá-la como recurso para conquistar algo. Pode, ainda, respirar fundo e ignorar a emoção, quando isso for possível.
É a combinação dos fatores que indica o caminho a seguir. Qual a intensidade da emoção? Como ela está afetando a capacidade de raciocinar e o desenrolar da situação? Como está afetando as pessoas envolvidas? Tudo isso precisa ser considerado nesse rápido momento em que toma consciência da emoção.
Se uma pessoa ficar com raiva pela maneira como alguém respondeu a proposta, por exemplo, pode ficar fora de controle ao dar vazão a essa emoção, e é fácil perder o controle, perder a perspectiva, perder o foco. Assim como em um jogo de futebol, o que determina o campeão é o número de pontos obtidos nos jogos e não as reclamações dos jogadores ou o xingamento da torcida, sabe-se que o que determina o sucesso de um Líder é a disposição dos liderados em segui-lo. Para conseguir mais pontos os jogadores de futebol precisam movimentar a bola com habilidade e fazer gols. Em processos de Liderança não são apenas as emoções e as ações durante o processo que vão definir o resultado, e sim a sintonia entre os membros da equipe no que se refere à prática dessas ações e emoções ao longo do processo.
Em todo processo de Liderança existem diversos momentos em que as emoções se manifestam. O Líder experiente aprende a perceber suas emoções, assim como as emoções das outras pessoas da equipe. Ao perceber ele assume o controle e, dependendo das características das emoções percebidas passa a tomar decisões, sempre com foco no resultado pretendido e não nas questões provocadas pelas emoções. Esse é o desafio: emocionar-se sem perder o foco.
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ERNESTO CARVALHAL
Especialista em Metodologia do Ensino. Graduado em Pedagogia. Participou de diversos cursos, congressos e seminários tanto na área de Educação como nos assuntos referentes às relações empresariais e interpessoais, negociação e administração de conflitos, administração de recursos humanos, liderança e marketing.
Atuou profissionalmente nas áreas de Marketing, Comunicação e Educação. Durante 20 anos de carreira na Caixa Econômica Federal, ocupou cargos técnicos e gerenciais nas áreas de Informática, Comunicação Social, Marketing Cultural, Marketing Institucional e Telemarketing.
Fez parte de equipes de educação e foi multiplicador de cursos, tanto técnicos quanto comportamentais. Participou dos grupos de trabalhos de planejamento e implantação da centralização e terceirização do Telemarketing para a Região Sul do Brasil. Como supervisor e coordenador, participou dos trabalhos de treinamento, acompanhamento e avaliação de funcionários das áreas de administração, marketing, propaganda e publicidade durante o período de sua formação.
É Coordenador Pedagógico do Curso Liderança VisiOnline da VISION Desenvolvimento de Pessoas.
Como especialista em Metodologia de Ensino tem participado de projetos de desenvolvimento de cursos de atualização e de especialização. Tem atuado como professor em cursos de graduação e pós-graduação na área de ciências humanas.

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