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Empreendedorismo: Fator Determinante Na Obtenção Do Sucesso

Empreendedorismo: fator determinante na obtenção do sucesso

A vontade de enfrentar o desafio de abrir o próprio negócio é o estímulo que impulsiona o empresário para o sucesso. No entanto, aliado a essa vontade, o empresário deverá desenvolver habilidades vistas como fundamentais para a transposição das barreiras que levam as empresas a fecharem suas portas cada vez mais precoces. De acordo Gartner (1990, p.15), o espírito empreendedor está presente em todas as pessoas que – mesmo sem fundarem uma empresa ou iniciarem seus próprios negócios – estão preocupadas e focalizadas em assumir riscos e inovar continuamente.

Dentro dessa ótica, entendemos ser possível uma pessoa se tornar empreendedor, através de práticas de treinamento e cursos para ajudá-la a desenvolver essa capacidade. Entretanto, na visão de Longnecker (CHIAVENATO, 2004, P.3), o empreendedor é uma pessoa que inicia e/ou opera um negócio para realizar uma idéia pessoal, assumindo riscos e responsabilidade e inovando continuamente.

O empreendedorismo tem sido alvo de estudo de diversos autores, chegando-se as mais variadas definições. No entanto, talvez a que melhor caracteriza o espírito empreendedor é a de Shumpeter (1914 apud DORNELAS, 2001, P.37): “O empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica existente pela introdução de novos produtos e serviços, pela criação de novas formas de organização ou pela exploração de novos recursos materiais”. Em outras palavras, um empreendedor é um profissional que tem a capacidade de detectar uma oportunidade, criar um negócio, correndo riscos previamente calculados.

Kirzner (1973 apud DORNELAS, 2001, p.37) aborda o tema de maneira um pouco diferente. Segundo esse autor, “O empreendedor é aquele que cria um equilíbrio, encontrando uma posição clara e positiva em um ambiente de caos e turbulência, ou seja, identifica oportunidades na ordem presente”.
O conceito de inovação e novidade é uma parte integrante no empreendedorismo, pois, o ato de lançar algo novo é uma das mais difíceis tarefas para o empreendedor. Exige não só a capacidade de criar e conceitualizar, mas também a capacidade de entender todas as forças em funcionamento no ambiente. A novidade pode ser desde um novo produto e um novo sistema de distribuição, até um método para desenvolver uma nova estrutura organizacional.

Hirisch e Peters (2004, p.29), definem o empreendedorismo como sendo um processo dinâmico de criar algo novo com valor, dedicando o tempo e o esforço necessário, assumindo riscos financeiros, psíquicos e sociais correspondentes e recebendo as conseqüentes recompensas da satisfação e independência econômica e pessoal.

Como evidenciado pelas várias definições, o termo empreendedorismo significa coisa diferente para pessoas diferentes e pode ser vistos sob perspectivas conceituais diferentes. Contudo, apesar das diferenças, existem alguns aspectos comuns: riscos, criatividade, independência e recompensa. Esses aspectos continuarão a ser a força impulsionadora subjacente a noção de empreendedorismo no futuro.

DORNELAS (2001, p.22), afirma que são os empreendedores que estão eliminando barreiras comerciais e culturais, encurtando distancias, globalizando e renovando os conceitos econômicos, criando novas relações de trabalho e novos empregos, quebrando paradigmas e gerando riqueza para a sociedade.

Histórico do Empreendedorismo no Brasil

O movimento do empreendedorismo no Brasil começou na década de 1990, quando entidades como o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas) e SOFTEX (Sociedade Brasileira para exportação) foram criadas. Antes disso, praticamente não se falava em empreendedorismo ou criação de pequenas empresas. Os ambientes político e econômico do país eram propícios, e o empreendedor praticamente não encontrava informações para auxiliá-lo na jornada empreendedora. O Sebrae é um dos órgãos mais conhecidos do pequeno empresário brasileiro, que busca junto a essa entidade todo suporte que precisa para iniciar sua empresa, bem como consultorias para resolver pequenos problemas pontuais de seu negócio. O histórico da entidade Sftex pode ser confundido com o histórico do empreendedorismo no Brasil na década de 1990. A entidade foi criada com o intuito de levar as empresas de sotware do país ao mercado externo, por meio de várias ações que proporcionavam ao empresário de informática a capacitação em gestão e tecnologia.

Foi com os programas criados no âmbito da Softex em todo país, junto a incubadoras de empresas e a universidades/cursos de ciências da computação/informática, que o tema empreendedorismo começou a despertar na sociedade brasileira. Até então, palavras como plano de negócios eram praticamente desconhecidas e até ridicularizadas pelos pequenos empresários. Passados 15 anos, pode-se dizer que o Brasil entrou nesse novo milênio com todo potencial para desenvolver um dos maiores programas de ensino de empreendedorismo de todo o mundo, comparável apenas aos Estados Unidos. Ações históricas e algumas mais recentes desenvolvidas começam a apontar nessa direção, seguem alguns exemplos:

1. O programa Softex e GENESIS (Geração de Novas Empresas de Software, Informação e Serviços), criado na década de 1990 e que a pouco tempo apoiavam as atividades de empreendedorismo em software, estimulando o ensino da disciplina em universidades e a geração de novas empresas de software. O programa Softex foi reformulado e continua em atividade.
2. O programa Brasil Empreendedor, do Governo Federal, que foi dirigido à capacitação de mais de 6 seis milhões de empreendedores em todo país, destinando recursos financeiros a esses empreendedores , totalizando um investimento de R$ 8 bilhões. Este programa vigorou de 1999 até 2002 e realizou mais de 5 milhões de operações de crédito.

3. Ações voltadas a capacitação do empreendedor, como os programas EMPRETEC e Jovem Empreendedor do Sebrae, que são líderes em procura por parte dos empreendedores e com ótima avaliação.

4. Os diversos cursos e programas sendo criados nas universidades brasileiras para o ensino do empreendedorismo. É o caso de Santa Catarina, com o programa Engenheiro Empreendedor, que tinha como objetivo capacitar alunos de graduação em engenharia de todo país. Destaca-se também o programa Ensino Universitário de Empreendedorismo, da CNI (Confederação Nacional das Indústrias) e IEL (Instituto Euvaldo Lodi), de difusão do empreendedorismo nas escolas de ensino superior do país, presentes em mais de duzentas instituições brasileiras, envolvendo mais de 1.000 professores em 22 estados do país. Existem ainda programas específicos sendo criados por escolas de administração de empresas e de tecnologia para criação de empreendedores, incluindo cursos de MBA (Máster of Business Administration), e também cursos de curta e média duração.

5. Houve também um evento pontual que depois se dissipou, mas que também contribuiu para a disseminação do empreendedorismo. Trata-se da explosão do movimento de criação de empresas protocom no país nos anos 1999 e 2000, motivando o surgimento de várias entidades como o Instituto E-cobra, de apoio aos empreenderes, com cursos, palestras e até prêmios aos melhores planos de negócios de empresas start-up de internet, desenvolvidos por jovens empreendedores.

6. Finalmente, mais não menos importante, o enorme crescimento do movimento de incubadoras de empresas no brasil. Dados da Aprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendedorismo de Tecnologia Avançada) mostram que, em 2004, havia 280 incubadoras de empresas no país, totalizado mais de 1.700 empresas incubadas, que geram mais de 28 mil postos de trabalho.

Um fato que chamou a atenção dos envolvidos com o movimento de empreendedorismo no mundo e, principalmente, no Brasil foi o resultado do relatório executivo de 2000 do Global Entrepreneurship Monitor (GEM, 2000), onde o Brasil apareceu como o país que possuía a melhor relação entre o número de habitantes adultos que começam um novo negócio e o total dessa população.

A criação de empresas por si só não leva ao desenvolvimento econômico, a não ser que esses negócios estejam focando oportunidades no mercado. Isso passou a ficar claro a partir do estudo anual do GEM, do qual se originaram duas definições para empreendedorismo. A primeira seria o empreendedorismo de oportunidade, em que o empreendedor visionário sabe onde quer chegar, cria uma empresa com planejamento prévio, tem em mente o crescimento que quer buscar para a empresa e visa a geração de lucros, empregos e riquezas. A segunda definição seria o empreendedorismo de necessidade, em que o candidato a empreendedor se aventura na jornada empreendedora mais por falta de opção, por estar desempregado e não ter alternativa de trabalho. Nesse caso, esses negócios costumam ser criados informalmente, não são planejados de forma correta e muitos fracassam bastante rápido. Esse tipo de empreendedorismo é mais comum em países em desenvolvimento, como ocorre no Brasil, e também influencia na atividade empreendedora total do país.

Características de um empreendedor

Embora encontremos alguma disparidade entre os autores citados neste trabalho, notamos haver consenso quando fala das habilidades encontradas nos profissionais com espírito empreendedor. Capacidade de detectar oportunidades, delinear plano de negócios, avaliar riscos, escolher colaboradores, são habilidades fundamentais para o empreendedor, mas a característica básica desse profissional é a criatividade e capacidade de pesquisa, de modo a manter viva a busca por inovações e soluções

Dessa forma, uma empresa em situação não muito confortável na mão de um bom empreendedor pode até melhora a sua situação, mas na mão de um mau empreendedor, nem mesmo um ótimo negócio sobrevive. É por isso que o estudo, a pesquisa, o planejamento do negócio são fundamentais no empreendedorismo.

Processo Empreendedor

Empreender é um processo que se faz através de atividades bem delineadas, e o encadeamento entre elas, seus prazos de execução e hierarquia podem ser levantados, de maneira que exista uma seqüência de fases para cada processo: identificar a oportunidade; desenvolver o plano de negócios; determinar e captar os recursos necessários; gerenciar a empresa criada.

De acordo com Dornelas (2002, p.42), o processo empreendedor envolve todas as funções, atividades e ações relacionadas às inovações e a criação de empresas.

Muitos indivíduos têm dificuldades de leva suas idéias ao mercado e criar um novo negócio. Ainda assim, o empreendedorismo e as decisões de empreender resultam em vários milhões de novas empresas iniciadas em todo o mundo. Embora ninguém saiba o número exato, nos Estados Unidos (líder mundial em formação de empresas), as estatísticas indicam que de 1,1 a 1,9 milhão de novas empresas foram constituídas anualmente nos últimos anos.

De fato, milhões de novos empreendimentos são formados apesar da recessão, inflação, alta taxa de juros, falta de infra-estrutura, incerteza econômica e grande possibilidade de fracasso. Cada um desses empreendimentos é formado através de um processo humano muito pessoal que, embora único, tem algumas características comuns a todos. Como todos os processos. Como todos os processos, o processo de decisão de empreender implica movimento, mde algo para algo, um movimento quem parte de um estilo atual de vida para formar uma nova empresa.
O processo de empreender tem quatro fases distintas: (1) identificação da oportunidade, (2) desenvolvimento do plano de negócio, (3) determinação dos recursos necessários e (4) administração da empresa resultante. Embora essas fases ocorram progressivamente, nenhuma é tratada de forma isolada ou está totalmente completa antes de considerar os fatores de uma fase posterior.

Identificação e avaliação da oportunidade

A maioria das boas oportunidades de negócio não aparece de repente, e sim resulta da atenção de um empreendedor as possibilidades ou, em alguns casos, do estabelecimento de mecanismos que identifiquem oportunidades em potencial. Por exemplo, o empreendedor pergunta, em todos os coquetéis a que comparece, se alguém está usando um produto que não se mostra plenamente adequado ao propósito definido. Esse empreendedor está constantemente em busca de uma necessidade e de uma oportunidade para criar um produto melhor. Outro empreendedor sempre monitora os hábitos e brinquedos dos seus sobrinhos e sobrinhas. Esse é seu modo de procurar por um nincho de produção de brinquedos para um novo empreendimento.

A oportunidade deve adequar-se as habilidades e aos objetivos pessoais do empreendedor. É particularmente importante que o empreendedor possa dispensar o tempo e esforço necessário para fazer o empreendimento avançar com sucesso. Embora muitos empreendedores achem que o desejo pode ser desenvolvido al longo do empreendimento, comumente não se materializa, destinando, assim, o empreendimento ao fracasso.

Desenvolvimento do plano de negócio

Deve-se desenvolver um bom plano de negócio para explorar a oportunidade definida. Esta talvez seja a fase mais difícil do processo empreendedor. Um bom plano de negócio não só é importante no desenvolvimento da oportunidade, como também é essencial na determinação dos recursos necessários, na obtenção dos recursos e na administração bem sucedida da empresa.

Determinação dos Recursos Necessários

Administrar os recursos necessários de modo oportuno, evitando ceder parte do controle da empresa, é o próximo passo no processo de empreender. O empreendedor deve lutar para manter a posição de proprietário o máximo que puder, especialmente no estágio inicial. A medida que o negócio se desenvolve, provavelmente será necessário mais recursos para financiar o crescimento da empresa, exigindo que o empreendedor ceda parte do controle. Todo empreendedor só deve ceder em sua posição de proprietário no empreendimento depois que todas as outras opções já foram exploradas. Compreendendo as necessidades do fornecedor de recursos, o empreendedor pode estruturar um acordo que possibilite que os recursos sejam adquiridos ao mais baixo custo possível e com menor perda de controle.
Administração da empresa

Depois que os recursos são adquiridos, o empreendedor deve empregá-los na implementação do plano de negócio. Os problemas operacionais da empresa em crescimento também devem ser examinados. Isso implica implementar um estilo de uma estrutura administrativa, bem como determinar as principais variáveis para o sucesso.

Intra-empreendedorismo

O próprio termo Intra-empreendedor já dá uma idéia do vem a ser. O empregado não precisa abandonar a empresa para se tornar empresário. Ele não é o proprietário das máquinas e dos equipamentos, o que não significa que ele não possa, dentro daquela organização, desenvolver um projeto ou um produto. Para tanto precisa ter as mesmas qualidades atribuídas ao empreendedor.

De acordo com Hisrish e Peters (2004, p.58), “o intra-empreendedorismo é um meio de estimular e, com isso, capitalizar os indivíduos em uma organização em que acham que algo pode ser feito de um modo diferente e melhor”.

Hisrish e Peters (2004, p.58) afirmam ainda que: O intra-empreendedorismo se reflete mais intensamente nas atividades empreendedoras, bem como nas orientações da alta administração nas organizações. Esse empenho empreendedor consiste em quatro elementos chave: novo empreendimento, espírito de inovação, auto-renovação e pró-atividade.

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