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Empregado ou “colaborador”?

Observa-se curioso modismo adotado por algumas empresas em chamar os empregados de colaboradores, aparentemente como uma mera e inocente denominação, mas que pode significar o desejo dos empregadores em se esquivar do cumprimento das obrigações inerentes ao contrato de trabalho.
A palavra colaborar significa cooperar; trabalhar na mesma obra; concorrer para um fim em vista. Tomando o conceito genérico, não haveria contradição, pois todas as atividades realizadas em conjunto necessitam de predisposição, boa-vontade, colaboração e esse é um dos elementos naturalmente presentes na relação de emprego, pois do contrário seria servidão ou escravidão (contra a vontade do empregado).
Contudo, a CLT é clara em seu artigo 3º, em denominar empregado, toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário.
Vista de perto e com todas as suas nuanças, a relação de emprego é diferente do associativismo ou cooperação, seja pela ótica social ou jurídica. Isto porque é uma relação que origina a luta de classes, onde o “muro de Berlim” jamais foi derrubado, onde há um permanente conflito de interesses dentro do sistema capitalista
O trabalhador vende sua força de trabalho e o patrão se apropria do lucro que advém do processo de produção. Ora, colabora quem tem voz, quem pode interferir no processo produtivo, quem pode em pé de igualdade ditar regras e esse não é o caso dos trabalhadores brasileiros, que em grande numero sem sequer possuem Carteira de Trabalho.
Também conta com um sistema de participação nos lucros ainda tímido demais para possibilitar que o trabalhador se veja efetivamente como mero colaborador de uma tarefa cujos benefícios serão distribuídos de modo desproporcional, uma vez que o seu salário não é calculado de modo justo, conforme determinado pela Constituição Federal, em seu artigo 7º, IV, ficando distante de atender às suas necessidades básicas e às de sua família, com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social.
Os direitos mínimos assegurados pela Constituição federal em seu artigo 7º ainda carecem de efetividade, de modo a ser improvável a modificação da estrutura dessa relação jurídica, para considerar o trabalhador como simples colaborador do patrão.
Chamar de “colaborador” quem cumpre ordens, não tem poder de decisão sobre a forma de exercer o trabalho, não se apropria do lucro de maneira igual e costuma ser demitido quando questiona seus direitos é até perversidade, além de modo ilusório para disfarçar o permanente conflito entre capital e trabalho. Enquanto obedece calado é chamado de colaborador, porém quando expressa sua vontade, conhece a força de quem tem o poder de punir até com a demissão.
Essa denominação, portanto, não serve para os empregados admitidos sob o regime da CLT, merecendo repúdio da Justiça, das entidades sindicais e dos trabalhadores, enquanto de fato e de direito não tiverem a liberdade de colaborar, o que ocorrerá quando a Justiça Social for finalidade maior que o lucro, nas relações de trabalho.

Meirivone Aragão.

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Sandro Tavares Silva
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Sandro Tavares Silva

Prezado Meirivone Aragão, permita-me discordar, respeitosamente, de suas opiniões expressas no texto acima. O termo “Colaborador” é utilizado pelos gestores profissionais (bacharéis em administração ou tecnólogos de gestão de pessoas) genericamente para designar todos que trabalham ou estagiam nas instituições. Por exemplo: imagina uma instituição que possua empregados, bolsistas, estagiários e terceirizados (serviços continuados). Sempre que for necessário fazer referência a todo esse público, convencionou-se denominá-los “colaboradores”. O termo não pretende substituir o termo “Empregado”, ou “Estagiário”, ou “Bolsista” ou qualquer outro que esteja expresso na legislação ou nos contratos. Além disso, penso que o uso de termo se reverte… Read more »

Elton Colares
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Elton Colares

Sandro Tavares Silva, faço de suas palavras, as minhas, no que diz respeito a ao direito de expressão, logo, muito respeitosamente, venho a não pactuar com a forma a qual vc explana seu entendimento acerca do assunto, e vos mostro pontuando-os. 01 – baseado em informações extraídas do próprio texto acima o termo colaborador remete a: “A palavra colaborar significa cooperar; trabalhar na mesma obra; concorrer para um fim em vista” e por consequência: “Também conta com um sistema de participação nos lucros”, bem como “tem poder de decisão sobre a forma de exercer o trabalho, se apropria do lucro… Read more »

Helena Maria Mendes Francisco
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Helena Maria Mendes Francisco

Excelente artigo. Esse modismo de chamar funcionário de colaborador é uma grande bobagem.

Cláudio Oliveira
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Cláudio Oliveira

Visão socialista da relação empregado-empregador.
“Luta de classes”, “Muro de Berlin”, “conflito capital-trabalho”…
Visão do século XIX. Totalmente ultrapassada.
As empresas que adotam o termo colaborador, o fazem justamente como uma deferência e valorização aos seus funcionários, reconhecendo que se tratam de pessoas, com vontade e motivação próprias e não como um subterfúgio ridículo para fugir de suas obrigações trabalhistas.
Ainda assim, prefiro a expressão “empregado”, porque é a usada na CLT.

jeanine
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jeanine

Bem isso mesmo. Quer descaracterizar o trabalhador enquanto mão-de-obra vendida pela clara ilusão de que ele faz parte da empresa e recebe parte do lucro gerado. Puro ilusionismo.

Waldir Vanderlei de Araujo
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Waldir Vanderlei de Araujo

alguns também se refere a empregada doméstica como “secretária”, não sei
qual o motivo, será que é mais bonitinho dizer “minha secretária hoje
limpou as vidraças de casa”, francamente, isso é uma piada. Trate a
empregada doméstica dignamente, pague seus salários em dia e pronto,
idem para os empregados, e nada de colaborador, até parece trabalho
filantrópico.