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Emprego: Ficar Ou Mudar?

EMPREGO: FICAR OU MUDAR?

 

Havia um paradigma de que o bom profissional
era aquele que permanecia anos a fio na mesma empresa construindo uma carreira.
Alguns afirmam que a rotação de emprego gera suspeitas sobre a maturidade, que
ainda não se encontrou na vida, não sabe o que quer, é de difícil adaptação,
inconstante. Se trocou de emprego várias vezes é porque tem algum problema. E,
em breve adotará a mesma atitude, deixando a nova empresa na mão. Enfim, uma
personalidade não muito confiável.
Os mais antigos entravam como ascensorista ou office boy e chegavam ate a presidência
da Empresa. Isto é coisa do passado. Hoje o profissional necessita habilidades
pessoais e profissionais muito bem desenvolvidas para competir neste mercado
globalizado.
Recentemente iniciou-se uma campanha para criar um outro paradigma: o
profissional tem que trabalhar e mudar de emprego com frequência para adquirir
experiências diferentes. Se assim não proceder é porque é acomodado,
incompetente, burocrata, não tem ambição, tem medo de novos desafios, não
quer crescer. Ou ainda, não está globalizado.
Quem cria ou aceita paradigmas não pensa. Apenas reorganiza seus preconceitos.
Pode ser que um pessoa passou a vida inteira na mesma empresa por comodismo. Mas
isto não é uma regra. Ou aquele que mudou frequentemente de emprego é porque
tem uma personalidade insconstante. Também pode ser, mas não necessariamente.
As pessoas que defendem um ou outro paradigma esquecem-se de que para tudo tem
uma causa. E é nas causas que deveremos buscar as respostas.
Cada caso é um caso. Não existe regra.
A pessoa pode ter ficado trinta anos na mesma empresa porque realizou-se, gostou
do trabalho, gostou dos desafios, gostou do mercado, aprendeu, evoluiu, fez
cursos, conheceu gente interessante dentro e fora da empresa, fez uma carreira
de sucesso, viajou, ganhou dinheiro e inúmeras outras razões que legitimam
esta permanência . Ficou feliz . Sentiu-se realizado. Então para que mudar? Só
para dizer que mudou? Se for assim, a pessoa estará mais preocupada com o que
os outros poderão pensar dela do que com ela mesma.
No outro extremo há o profissional que passou por muitas empresas. Qualquer um
pode não ter se adaptado a uma empresa, a sua cultura, a seus superiores, a
falta de oportunidades, a sentir que o espaço era muito pequeno para suas ambições
e muitas outras razões. Ou ainda, sentiu-se competitivo para buscar posições
melhores no mercado.
Ah! Mas isto só pode acontecer uma ou duas vezes. Se as empresas não serviram
para ele é ele que não serve para as empresas, diria o defensor do outro
paradigma.
Não podemos esquecer que o ser humano nunca estará pronto, definido. Ele muda,
evolui, cresce, cria. Uns mais do que os outros, é claro.
A defesa destes paradigmas presta um grande desserviço, principalmente aos
jovens que estão entrando no mercado profissional.
Recentemente, após uma palestra que realizei, fui abordado por três jovens na
faixa de 22 anos, em final de Faculdade e entrando no mercado.
Eles estavam preocupadíssimos em obter uma definição cartesiana sobre o que
deveriam fazer: ficar numa empresa muito tempo ou trocar de emprego
frequentemente?
Eles queriam uma e apenas uma resposta certa para este problema colocado como se
houvessem apenas duas respostas.
Fiquei tão sensibilizado com aquela dúvida gratuita na cabeça deles que
fiquei conversando por mais de uma hora, após a palestra, para demonstrar que
as duas alternativas são corretas.
Tentei explicar a eles que a ênfase do nosso sistema educacional e cultural é
nos ensinar que existe apenas uma resposta certa. Mas não existe apenas uma
resposta certa para cada problema. Existem várias, mas as pessoas aprenderam
que existe apenas uma resposta ou ainda, quando encontram uma resposta apenas já
se dão por satisfeitas. Param de procurar respostas alternativas depois de
encontrar a primeira. Isto é lastimável, porque é após a segunda, terceira,
décima alternativa que você tem opções para escolher a melhor. É preciso
pensar diferente.
É uma irresponsabilidade dar uma orientação tão restrita: ou isso ou aquilo.
Precisamos entender que ninguém tem a bola de cristal. A vida é um quebra cabeça
– só que não vem com o desenho na caixa para você saber como se monta. Às
vezes, nem dá para saber como se monta ou ainda, se todas as peças estão
disponíveis.
No final acho que aqueles três jovens entenderam que ficar muito tempo na mesma
empresa como mudar dependerá de inúmeros fatores que são imprevisíveis: Você
vai estar satisfeito com o que a empresa lhe oferece? Ela vai estar satisfeita
com o que você está oferecendo? Também depende da personalidade de cada um.
Depende dos rumos que sua vida vai tomar tanto a nível pessoal como
profissional.
Claro que todos querem ter sucesso profissional e orientam-se para este
objetivo. Porém, parte do que constitui sucesso é a combinação do momento
certo com a oportunidade. Howard Schultz disse ” a maioria de nós tem que
criar as próprias oportunidades. Devemos estar sempre preparados para agarrar
uma oportunidade que estamos vendo e os outros não.” Isto pode acontecer
numa única empresa ou em várias.
Estas pessoas que defendem ou tentam criar um novo paradigma não estão
acostumadas a pensar criativamente, buscando alternativas. Não conseguem pensar
diferente. Ainda não se deram conta de que quanto mais alternativas produzirem
melhor será a qualidade da idéia escolhida.
E eu lanço aqui uma nova campanha: todo paradigma é falso.
O importante é a pessoa estar com a mente aberta, estar consciente de seus
valores e definir o que quer criar na sua vida e no seu trabalho.

ANTONIO CARLOS TEIXEIRA DA SILVA
pensediferente@originet.com.br

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