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Empresas E Seres Humanos, Descortinando Horizontes

Alvin Toffler
diz que muito antes do surgimento do automóvel, no século XIX, não era com a
poluição do ar que os ambientalistas se preocupavam, mas sim com a poluição
das ruas. As emissões que inquietavam o público não provinham dos
escapamentos dos automóveis mas da parte detrás dos cavalos.

Alguns analistas acreditavam que o esterco da crescente população de cavalos
que puxavam as carruagens simplesmente acabaria por inundar as áreas urbanas.
A resposta do otimismo tecnológico da época era: “Não, não se
preocupem. Antes que isso aconteça teremos desenvolvido os microcavalos”.
Esta história é típica de todo um gênero de histórias, artigos e anedotas
baseados no malogro da previsão de analistas em todos os tempos.
O fato é que as previsões, e principalmente os números, são um ópio para as
massas, de acordo com o colunista William Safire do jornal The New York Times.
A mesma observação se aplicaria aos países e às empresas. Vejamos:

América Latina
No que se refere aos países, e especialmente à América Latina, tem havido
tantas previsões que se poderiam escrever vários tratados econômicos, políticos
e sociais.
A América Latina já foi comparada a uma donzela rude, criada na dura vida agrícola
de campos e montanhas, dos “chacos” e planícies, da aridez e da neve
deste continente.
Rude e mal cuidada, porém jovem, esbelta e formosa, esta donzela sempre
despertou a curiosidade de muitos e a cobiça de outros. O medo, entretanto,
durante muito tempo manteve a maioria à distância, como se ao aproximar-se
dela pudesse sofrer-se represálias ou reações mais hostis.
Para aqueles que pouco conhecem a América Latina, é difícil entender a
amplitude e o grau de profundidade das mudanças ocorridas neste continente nos
últimos anos, particularmente depois da infausta década de 1980, caracterizada
por estagnação econômica, hiperinflação e enormes dívidas.
Parecia que muitos países não conseguiriam chegar ao final do século sem uma
estrondosa quebra de suas instituições.
Entretanto, esta dolorosa crise da década de oitenta marcou também o fim
definitivo das economias fechadas, das estatizações e das estratégias de
desenvolvimento que dominaram o pensamento econômico latino-americano no período
de pós-guerra.


Blocos Econômicos
Em busca de maior poder de influência nas decisões em foros internacionais e
de complementação de suas ações, os países da América Latina vêm tentando
organizar-se em blocos econômicos, com reflexos em sua competitividade e na
potencialização de oportunidades de crescimento de suas empresas.
Algumas destas, por sua vez, se transformaram ou estão se transformando
rapidamente em empresas de classe mundial, pois a vulnerabilidade de muitas
delas torna ainda mas visível a necessidade de atualização de seus processos,
métodos e estilos de gestão.

Mudanças e
Previsões

Todos sabemos que o mundo dos negócios passa por dramáticas mudanças, e os
novos paradigmas assustam os líderes. “Mudança” está se tornando
quase uma obsessão na moderna teoria de administração e todos querem saber
com antecedência quais são as mudanças necessárias, como realizá-las, como
reagir a elas e, sobretudo, como não ser atropelado por elas.
O fato é que a vertiginosa velocidade das novas tecnologias, a globalização e
as mudanças nas comunicações estão tornando obsoletos os princípios
reguladores da economia e provocando uma revolução talvez tão importante como
a Revolução Industrial. Porém o futuro é imprevisível e algumas vezes o
caos parece predominar.

Um mundo não
linear

Roger Lewin e Birute Regine, autores do livro The Soul at Work
afirmam que a ciência econômica está se reestruturando baseada em um novo
enfoque, o da ciência da complexidade.
As previsões, assim como as tendências, são normalmente baseadas em um raciocínio
linear, isto é: se algo aumentou 2% no ano passado, também aumentará 2% neste
ano; se choveu 200 mm no ano passado, a mesma precipitação será registrada
neste ano.
Igualmente a gestão das empresas era predominantemente linear, mecanicista, na
qual as coisas existem independentemente umas das outras, e quando interatuam ,
fazem-no de forma simples e previsível.
Os líderes, porém, estão descobrindo que o mundo não é mais linear, mas ao
contrário, predominantemente não linear, não mecanicista, orgânico e
complexo.
Sob tais condições não se pode saber o que fazer no futuro observando como as
coisas eram feitas no passado.
Num mundo não linear, dinâmico, tudo existe somente em relação a outras
coisas e as interações entre agentes no sistema levam a resultados complexos e
imprevisíveis. Interações ou relações entre os agentes se constituem no
princípio organizador deste mundo.
Por muitas décadas temos assistido a uma constante batalha entre gerência
humanística e gerência científica ou mecanicista. Ao olhar a empresa como um
sistema não linear, dinâmico e complexo, temos uma prática de gestão humanística
emergindo da ciência.

Os ecossistemas são
a analogia perfeita da qual podemos tirar lições para pôr alma no mundo
organizacional, pois a comunidade ecológica é uma reunião de espécies:
animais, plantas, insetos, todos interagindo vibrantemente, formando um
ecossistema rico, complexo e coeso. Mais interessante ainda: não se pode
planejar que espécies farão parte de uma comunidade ecológica. Ninguém poderá
fazê-lo. Tudo o que se pode fazer é criar as condições sob as quais ela se
desenvolverá de forma harmoniosa e perfeita.

 

Sérgio W.Hillensheim
Consultor do Instituto MVC

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