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Equipes Educadoras, Empresa Saudável

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Equipes Educadoras, Empresa Saudável
Simone Zolet*

Modelo. Já pensaram em uma empresa saudável, colaboradores motivados e gerando resultados? Aposto que sim. E os modelos que você aplica para isto ocorrer têm funcionado? Pensando nisto observei em alguns grupos de trabalho o que fazia as equipes darem certo, e outras não. Primeiramente convido a compreenderem 3 definições básicas sobre educação, saúde e equipe para que possamos analisar os pontos trazidos.

Educação. A Educação engloba os processos de ensinar e aprender, de ajuste e adaptação. É um fenômeno visto em qualquer sociedade e nos grupos constitutivos destas, responsável pela manutenção destes e pela perpetuação a partir da transposição, às gerações que se seguem, dos modos culturais de ser, estar e agir necessários à convivência e ao ajustamento de um membro no seu grupo ou sociedade.

Saúde. Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença. Fonte: OMS

Equipe. O termo equipe é aplicado pelas empresas para se referir às pessoas unidas por um objetivo em comum. Existe um vínculo afetivo entre elas para se trabalhar em conjunto e se dedicar no alcance deste objetivo.

Proposta. Levando em consideração as definições acima podemos pensar que uma empresa é saudável quando se encontra em um estado de bem-estar mesmo passando por momentos de crises internas ou globais. Mas, é mesmo possível esta condição?

Posicionamento. Quando penso nas pessoas fazendo o seu trabalho no dia-a-dia seja em qual instituição ou empresa for, seja aqui ou na China, seja funcionário ou empreendedor, penso em suas habilidades, competências, qualidades das mais variadas… penso na força de vontade e nos objetivos que cada um deseja alcançar e sinceramente, penso ser possível sim isto acontecer. Mas como? De que forma convergir interesses pessoais aos grupais para que ajam resultados positivos à organização ou empresa? Sabemos que empresas são formadas por pessoas e que se estas pessoas não estiverem em sintonia a “coisa” não anda.

Casuística. Já atendi muitos grupos e pessoas em cursos de desenvolvimento humano e o mais surpreendente de tudo é quando os participantes percebem que sem querer são educadores-educandos. Ampliam a percepção de si mesmos ao se darem conta de que qualquer manifestação de suas atitudes, comportamentos, sentimentos, emoções, pensamentos, valores pessoais, refletem diretamente nas pessoas ao seu redor positiva ou negativamente. Principalmente em si mesmas quando não têm definido quem são e para onde querem ir. Nestes casos qualquer trabalho serve, e acaba escolhendo o local errado, as pessoas erradas, os valores e projetos errados, e em mais ou menos tempo esta pessoa adoecerá porque está infeliz, desmotivada. Um exemplo disto nas empresas são os atestados médicos e o aumento de erros.

Paradigma. Percebi a mudança real nas pessoas e em mim mesma quando houve a autoconscientização acerca dos próprios valores e princípios, acerca da falta de coerência pessoal com esses valores, do propósito de vida e acima de tudo do se permitir não pensar mal de si e nem dos outros. O paradigma é outro. É o paradigma da intercompreensão.

Intercompreensão. É a antiga máxima do templo de Delfos “Conhece-te a ti mesmo”. E em nosso caso da equipe educadora, quanto mais você se conhece e aplica as suas qualidades, melhor você fica. Quanto melhor você fica, mais compreende aos outros e deseja e auxilia em seu desenvolvivento. Se preocupa de fato com o desenvolvimento do outro para que todos fiquem bem e juntos alcancem os resultados/objetivos.

Expansão. Esta maior compreensão do outro e de si mesmo gera uma empatia maior pela condição de imaturidade emocional e dificuldades que passamos. Naturalmente a vontade de auxiliar que esta imaturidade se transforme em maturidade faz as pessoas contribuirem umas com as outras através de exemplarismos pessoais, feedbacks (e não “fodebacks”), maior afetividade sincera e transparência entre as equipes.

Interconfiança. Estas mudanças de posturas na equipe proporcionam a consolidação da interconfiança entre líderes e colaboradores e, a cooperação passa a ser real, autêntica. Pois, percebem que cada pessoa é uma minipeça num mecanismo maior. É a lei da interdependência atuando.

Significado. Compreendi observando as experiencias destes profissionais durante os cursos e as minhas próprias de que precisamos sim de dinheiro para se manter e poder realizar nosso propósito de vida, contudo, a pergunta que mais incomodava aos participantes era: “ Qual a marca que você pretende deixar nesta vida? Qual o exemplo que você quer deixar?”. “Você é representante de quê, exemplo de quê?”

Educador-Educando. Uma equipe educadora é uma equipe onde cada um de seus membros se vê enquanto um educador-educando, posição essa mais íntima do que formalizada, quando as pessoas escolhem servir de exemplo uns para os outros nas atitudes e condutas, no respeito à mentalidade e foco no melhor para todos. É um trabalho mais ombro-a-ombro, de igual para igual. Mesmo havendo um organograma hierárquico há abertismo para a troca de idéias, sugestões, soluções e reclamações diretas, criticas abertas ao invés de críticas veladas.

Técnica. Como desenvolver e ser uma equipe educadora? Primeiro através da identificação dos pontos fracos e pontos fortes de cada indivíduo que compõe a equipe e depois de toda a equipe. Pontos estes relacionados aos traços de manifestação pessoal, como por exemplo o tipo de temperamento, a emoção que mais trava a pessoa e a equipe, os estilos de liderança e os estilos de comunicação. Depois é traçar um plano de ação individual (coaching) e grupal (todos juntos) utilizando técnicas específicas para se reeducar. A postura principal é o enfoque nas qualidades das pessoas, ver o que o outro tem de bom e reforçar isto nele, sem é claro ser Poliana.

Identificar as fraquezas de conduta da equipe não significa martirizar a equipe.

Foco. Reeducar! Estamos falando de reeducação de comportamentos, emoções e formas de pensar sobre si mesmo e sobre os outros à partir da racionalidade, do discernimento, da reflexão aprofundada e séria sobre o que desejamos deixar de positivo.

Repercussões. A equipe educadora repercute em sinergia natural nos ambientes devido as relações interpessoais mais transparentes. Este movimento de coerência grupal gera uma empresa mais saudável. Afinal, são as pessoas que fazem os ambientes.

Máxima. Empresa saudável possui uma imunidade muito maior para lidar com possíveis momentos de crises e mudanças porque uns confiam nos outros…. Equipe educadora, empresa saudável.

*Atua com Desenvolvimento Humano e Gestão de Pessoas nas empresas, instituições educacionais e de saúde. Hoje está na coordenação de RH do Hospital Municipal de Foz do Iguaçu, no Paraná, com administração da OS – Pró Saúde. Formada em Psicologia e dinâmica dos grupos pela SBDG (Sociedade Brasileira de Dinâmica dos Grupos), pós-graduada em Gestão Estratégica de Pessoas, ênfase no terceiro setor. Contato: simonezolet@gmail.com

Por: Simone

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