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Escritórios se transformam em terceiro espaço como local de refúgio e interação social entre os colaboradores

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Após a pandemia do Covid-19, empresas passaram a investir em escritórios com ambientes focados em confraternizações, festas, eventos, workshops e reuniões de interação entre os colaboradores

O escritório deixou de ser o local de trabalho de muitos profissionais. Após a pandemia, muitas empresas adotaram o modelo remoto e passaram por grandes transformações, principalmente na relação entre a companhia e os colaboradores. Essas empresas agora investem na abertura dos chamados escritórios de terceiro setor,  que servem apenas para refúgio do trabalho ou criar interações sociais entre os colaboradores.

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Já outras organizações, que mesmo antes da pandemia já apostavam no remoto ou híbrido, também perceberam que era o momento de abrir um escritório para workshops, eventos, confraternizações ou local para os profissionais espairecer.

Acompanhe alguns escritórios de terceiro setor

É o caso da Elephant Skin, uma empresa global de criações para o mercado imobiliário. A companhia nasceu no modo remoto, nos Estados Unidos, em 2017. A partir de seu modelo organizacional baseado em autonomia, liberdade, colaboração e hierarquia horizontal, passou a atrair diversos talentos pelo mundo.

Em apenas cinco anos, a empresa saiu de dois para mais de 100 colaboradores em 30 cidades do mundo. Apesar de cada profissional sempre trabalhar de qualquer lugar que quisesse, os fundadores da Elephant Skin perceberam que era necessário criar um espaço onde as pessoas pudessem interagir entre si, jogar conversa fora, se reunir e confraternizar.

Segundo Giovana Driessen, co-fundadora e COO da Elephant Skin, a ideia é que o novo escritório da empresa, sediado em Curitiba, no Paraná, passe longe de ser um local de trabalho para os colaboradores, mas sim um hub interativo. “Nosso novo espaço se chama HubES, justamente porque queremos que seja um local para workshops, reuniões entre os times, confraternizações, grandes eventos com palestras de profissionais de renome do mercado e também um lugar para respirar novos ares e se divertir. Fizemos até um bar para isso”, afirma.

Outra empresa que busca o escritório como uma forma de interação social entre os colaboradores e parceiros é a LabOF, um hub de soluções estratégicas e inovadoras. O Lab inaugurou seu espaço físico no dia 09 de julho para eventos internos e confraternizações, contando com rooftop, galerias de arte, e atividades como workshops de grafite e oficinas artísticas, promovendo a interação social.

Além disso, visando também uma demanda de mercado de organizações que buscam espaços para ações próprias, a Casa LabOf ficará disponível para aluguel a partir de julho.

“Depois de um período de distanciamento social e trabalho 100% remoto, as empresas estão buscando cada vez mais encontros físicos. Isso vale tanto para construção de cultura quanto para  as pessoas terem mais empatia entre elas. Dificilmente conversas sobre vida pessoal – que ocorriam regularmente no presencial – acontecem nos meets. Por isso, tantas empresas estão reformando ou até mudando de escritório, para que o espaço de trabalho proporcione mais relações e interações. O novo LabOF nasce também com esse propósito, de ser uma opção de local para as empresas fazerem esses encontros. Um lugar carregado de arte para inspirar e conectar as pessoas,” diz Bruno Bernardo, fundador do LabOF.

Além do mais, empresas de serviços essenciais que precisam do trabalho presencial também apostam em alternativas para promover a interação social entre os colaboradores. É o caso da Uniodonto Campinas, que investiu em uma sala de jogos e de descanso para os profissionais terem seus momentos de distrair a mente e interagir uns com os outros.

Para Herman Bessler, estrategista, consultor, fundador, CEO da Templo.cc – consultoria de educação corporativa e ventures  – e especialista em futuro do trabalho, o que explica esse movimento de mercado é que por conta da migração massiva para o trabalho remoto e híbrido ocorrido durante a pandemia, ficou clara a possibilidade de executar a maior parte dos trabalhos tradicionalmente feitos em escritórios de casa.

Simultaneamente, as práticas híbridas diminuíram a necessidade de dedicar a maior parte dos escritórios físicos às mesas fixas de trabalho e baias. Soma-se a estes motivos a necessidade de ressignificar os encontros presenciais no escritório para motivar, integrar e capacitar times que possuem pouco tempo de convivência no mundo analógico. 

“Acelerou-se um movimento dos chamados ‘terceiros espaços’. Normalmente nossa casa é nosso primeiro espaço, e nosso escritório o segundo espaço. Mas existem também os locais onde vamos para interagir, aprender e cocriar. A estes chamamos terceiros espaços. Começado em cafeterias onde freelancers iam trabalhar desde os anos 1990, o movimento evoluiu para os espaços de coworking, makerspaces, hackerspaces e casas coletivas, até encontrar espaço agora no universo corporativo de forma mais ‘mainstream’, afirma Herman. 

Segundo o especialista, a importância da transformação dos escritórios tradicionais em terceiros espaços é dar vazão às necessidades de colaboração, criatividade, conexão e conhecimento dos colaboradores, agregando para o aumento da motivação intrínseca, sentimento de pertinência e capacidade de inovação de uma organização. 

“A tendência veio para ficar e conta com diversos exemplos ao redor do mundo. Para funcionar como um terceiro espaço, contudo, seu escritório não precisa ser parecido com o GooglePlex, na Califórnia. Pode ser uma questão de transformar as áreas de trabalho em open spaces modulares, construir rituais para a colaboração e dedicar áreas inteiras para a cocriação e aprendizagem. O importante é que o espaço seja repensado em conjunto com quem vai utilizá-lo todos os dias, deixando margem para a evolução a partir do uso efetivo”, explica o fundador e CEO da Templo.cc.

Henrique Driessen, fundador e CEO da Elephant Skin, afirma que esse cenário será cada vez mais visto no mundo corporativo, com empresas contribuindo para um ambiente de trabalho dinâmico e mais leve aos colaboradores. “Muitas empresas já investem em escritórios que não são para trabalhar, mas sim para interagir, fazer festas e encontros importantes. Aproximar as equipes, dar treinamentos e realizar diversas atividades que podem contribuir com o índice de produtividade e felicidade das pessoas dentro da empresa é o futuro do trabalho”, diz.

Se você gostou deste artigo sobre escritórios de terceiro setor, confira também o que é autogestão e por que é a palavra-chave para o profissional do futuro? Acompanhe! 

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