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A especialização em GIS e o caminho para sair da crise

*Por Júlio Ribeiro

A capacitação profissional sempre foi um diferencial competitivo de grande relevância em todos os setores do mercado. O colaborador com especialização é visto como uma peça estratégica e de grande valor para as empresas. Afinal, quem possui as qualificações certas está apto para assumir cargos de maior responsabilidade e que exigem um envolvimento decisivo nos negócios.

E com a entrada de mais pessoas nas universidades, a concorrência no mercado de trabalho se torna mais acirrada. Para ter uma ideia, os dados do Ministério da Educação (MEC) e do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) referentes a 2014, apontam que 7,8 milhões de pessoas se matricularam em universidades no Brasil. Nunca na história do país se teve tanta procura por qualificação de ensino superior.

E, da maioria dos estudantes que entraram efetivamente nas faculdades, a maior parte ainda estuda e não ingressou no mercado de trabalho. O que representa uma enxurrada de novos profissionais em um futuro bem próximo.

Apresentada essa realidade eminente, e especialmente assustadora nos tempos de crise econômica como a que estamos passando, fica claro que a necessidade de se destacar profissionalmente é o caminho para conseguir uma boa posição no mercado de trabalho.

E, uma das capacitações que vem trazendo grande impacto na formação de currículos, por complementar as características exigidas hoje pelos empregadores e headhunters é a de Sistemas de Inteligência Geográfica, ou GIS (Geographic Intelligence Systems). Que é o conceito que emprega hardware, software, informação espacial, procedimentos computacionais e recursos humanos para permitir e facilitar a análise, gestão ou representação do espaço e dos fenômenos que nele ocorrem, e assim ajudar nas tomadas de decisão em relação a questões ambientais, logísticas, redução de custos e, expansão e criação de novos empreendimentos.

Mas, você deve estar se perguntando, por que a Geografia?

Mais do que nunca os conceitos geográficos estão presentes em nosso dia-a-dia, no formato de mapas, aplicativos, aparelhos GPS, entre outros. E dentro das empresas não é diferente. Ter uma visão espacializada abrangente gera insights valiosos para diretores de vendas e de marketing, e mesmo para operadores logísticos que atuam em empresas de transportes, além de propiciar a Transformação Digital nas companhias, que é a evolução dos modelos de negócios para obter melhores experiências dos consumidores e geração de vantagens competitivas frente à concorrência. Isso para citar exemplos básicos.

Os atributos de um profissional capacitado em GIS atendem demandas que até o início do século XXI eram de extrema importância para qualquer funcionário corporativo, como inglês fluente, curso de informática, conhecimentos administrativos e organizacionais, entre outros.

O conhecimento em GIS faz com que o profissional enxergue as relações do mundo de maneira diferente e com capacidade de conectar coisas invisíveis, como a relação entre pessoas com interesses em comum, dados corporativos que separados não aparentam muito valor, necessidades e demandas de consumidores, entre várias outras correlações que, até pouco tempo atrás, passavam despercebidas pelas estratégias de mercado.

E além disso tudo, o GIS aprimora o poder de síntese do profissional, preparando-o para ser útil em trabalhos multidisciplinares, em setores que não se entendem. E dá a capacidade de ser o nó de conexão entre diferentes demandas que as empresas têm, como descrito no parágrafo acima, de forma muito simples para o entendimento dos dados, inclusive para leigos.

As áreas de atuação de um profissional qualificado em sistemas de inteligência geográfica são infinitas. E com a aparição de novas tecnologias, em especial aplicativos como iFood, Waze, Tinder, Uber e Pokémon Go, que possuem milhares de usuários e que têm em comum o uso massivo de dados espacializados (pontos de interesse, endereços, percursos, ruas, localização de usuários, mensuração de distâncias, entre outros), além da Transformação Digital vivenciada atualmente por empresas de todos os segmentos, muitas outras oportunidades se abriram e tendem a aparecer muito mais. A necessidade de programadores e desenvolvedores que ‘manjam’ de GIS não tem precedentes.

E agora você deve estar se perguntando, mas vale realmente a pena investir nessa capacitação?

Com a falta de mão de obra capaz de lidar com sistemas de análise, desenvolvimento e orquestração de mapas e processos corporativos considerados inteligentes, ou seja, que respondem a comandos e interagem com os usuários, tal qual o popular Google Maps, a média salarial praticada no Brasil pode ser considerada alta.

No país, segundo dados do CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia), a média salarial para quem inicia a carreira como técnico ou especialista em GIS é de R$ 5 mil, enquanto com nível Master (mais de 10 de experiência) pode chegar a R$ 20 mil.

Os sistemas geográficos englobam praticamente todos os setores da indústria e mercado, não apenas para aplicativos e logística, afinal toda empresa precisa estar em algum lugar físico, assim como seus ativos e colaboradores, e também, claro, seus consumidores. Por isso, a especialização em GIS, se faz cada vez mais imprescindível no mundo conectado.

*Júlio Ribeiro é gerente da Academia GIS da Imagem

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