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Estagiários trazem inovação e dinamismo para dentro da empresa

Por muito tempo os estagiários eram vistos como uma solução para contratar mão de obra mais barata, mas com a atual escassez de profissionais qualificados no mercado, os gestores têm enxergado os programas de estágio como uma boa alternativa para formarem seus próprios talentos.

Os números são otimistas: atualmente 64% dos estagiários são efetivados ao término do contrato. Para Eduardo de Oliveira, superintendente de Operações do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), a troca é interessante tanto para o estudante, que ganha experiência, quanto para a empresa, que pode capacitá-lo para ele ser o futuro profissional que a organização precisa.

E nesse contexto, a legislação também mudou. Desde 2008, a Nova Lei de Estágio desenvolvida pelo Ministério do Trabalho e Emprego, garante aos estudantes alguns direitos mais sólidos, como a jornada de trabalho de até seis horas diárias, vale-transporte e contratos com duração de até dois anos.

“As empresas têm buscado aliar as atividades do estagiário com o que ele tem aprendido na escola e, muitas vezes, oferecendo a ele os mesmos benefícios que os demais colaboradores recebem”, afirma Oliveira.

Prêmio para as empresas

Com a preocupação de reconhecer as organizações que investem na formação e no treinamento de jovens profissionais, o CIEE em parceria com o IBOPE Inteligência e com a Associação Brasileira de Recursos Humanos – Seccional São Paulo (ABRH-SP), rankeia todos os anos “As melhores empresas para estagiar” no estado de São Paulo.

No ano passado, a vencedora foi a UniBarretos, com um programa que emprega 13 estudantes e oferece bolsa-auxílio mensal e valor integral do respectivo curso, além de treinamentos constantes e perspectiva de contratação no final do período de estágio, já que a faculdade possui um índice de quase 100% de efetivação destes estudantes.

Para o diretor acadêmico da instituição, Olívio Carlos Nascimento Souto, os estagiários são colaboradores que possuem grande disposição para aprender e vontade de superar desafios. “O engajamento dos jovens gera sinergia quando eles passam a interagir com a experiência dos demais colaboradores e, assim, todos saem ganhando”, afirma.

No entanto, encontrar estagiários comprometidos que apresentem bom desempenho em suas atribuições não tem sido tarefa fácil para muitas empresas.

Uma recente pesquisa da Trabalhando.com, feita com 300 estudantes aponta que 45% deles não se sentem preparados para enfrentar o mercado de trabalho e reclamam dos cursos, que são muito acadêmicos e pouco voltados para a prática da profissão.

Para Renato Grinberg, diretor-geral da Trabalhando.com Brasil, os números apenas confirmam o que é observado no dia a dia. “Quando realizamos os processos seletivos para estágio ou trainee observamos que a maioria dos candidatos desconhecem a rotina de um ambiente profissional. Eles se saem bem na entrevista porque conhecem a teoria, mas quando contratados não sabem como agir ou se comportar”, explica.

O planejamento das atividades

Antes de contratar um estagiário, a empresa deve preparar um programa de atividades que seja compatível com o curso do estudante, tendo como premissa oferecer o aprendizado e o desenvolvimento profissional.

Este mapeamento pode ser realizado pelo departamento de recursos humanos da empresa ou por instituições especializadas na contratação e oferta de vagas regulares para estagiários, como o CIEE, Centro de Integração Empresa Escola, o Nube, Núcleo Brasileiro de Estágios, e a ABRE – Agência Brasileira de Emprego e Estágio. Essas empresas fazem a ponte entre quem quer contratar e quem está disponível, além de oferecer apoio na seleção, na documentação e na administração do estágio.

Como oferecer novas vagas?

Confira as dicas e os procedimentos sobre como estruturar um bom programa de estágios, de acordo com a gerente de treinamento da Nube, Carmen Alonso.

  • Horário de estágio – deve estar em consonância com o horário escolar. O artigo 10 da nova lei de estágio 11.788, de 25 de setembro de 2008,  define a carga horária máxima para estágio em seis  horas por dia e 30 horas semanais, para estudantes de ensino superior, médio técnico e médio regular.
  • O conteúdo programático do curso do estagiário deve ser compatível com as atividades a serem desenvolvidas na empresa.
  • Considere o calendário escolar do estudante – geralmente semestral – para definir a complexidade das atividades a serem delegadas.
  • Segundo o inciso I do Art. 3º da lei 11.788, é fundamental acompanhar se ele está matriculado e frequentando regularmente o curso. Para facilitar esse acompanhamento, o inciso IV, do Art. 7º da lei define a obrigatoriedade da “apresentação periódica, em prazo não superior a 6 (seis) meses, de relatório das atividades”.

A procura

A empresa pode avaliar amostras de comportamento do candidato por meio de dinâmicas de grupo e entrevistas, lembrando que para cada cargo, há diferentes competências a serem apresentadas pelo candidato.

São diferenciais, mesmo entre os estagiários, as competências comportamentais como pró-atividade, inteligência emocional, boa comunicação e relacionamento interpessoal, além de conhecimento técnico, informática e idiomas, inclusive o bom domínio da língua portuguesa.

Um bom canal tanto para a divulgação quanto para a seleção desses candidatos tem sido as redes sociais. Para Carmen, divulgar na web tem um alcance viral.

“Além dos tradicionais anúncios em instituições de ensino, sites de busca e a contratação por empresas de consultoria,  as redes sociais têm papel fundamental na construção da imagem da empresa e, consequentemente, na atratividade para este público”, conclui.

HSM

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