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Faça da busca pelo sentido de vida o seu sentido de vida

Perdi a conta das vezes que ouvi pessoas se queixarem de que, na vida, nada acontece conforme o que elas desejam. É o empresário que tem dificuldades para equilibrar seu negócio, é o casal de namorados que não consegue juntar dinheiro suficiente para casar, é o profissional que há anos luta para conseguir a tão desejada promoção no emprego. Com frequência, ouço frases do tipo “estou me sentindo estagnado”, “não consigo o que quero”, “os caminhos parecem fechados para mim”. Existe muita gente perdida, sem propósitos, sem sentido de vida! Geralmente essas pessoas alternam, positiva ou negativamente, o seu posicionamento diante da vida de acordo com as circunstâncias externas.
Para muita gente o que é geralmente muito difícil de compreender é que a vida flui de um jeito ou de outro. As pessoas, as circunstâncias, o mundo não param quando as minhas engrenagens estão circulando de forma descompassada com os meus planos. Quando certas circunstâncias são inevitáveis por estar fora do nosso controle e acima da nossa vontade, é importante enxergarmos os fracassos, ou a marcha lenta, como oportunidades de crescimento, aceitá-los, vivê-los em sua plenitude e aprender com eles. Podemos transformar a nossa busca pelo sentido da vida, no próprio sentido de vida e, com isso, viver plena e intensamente.
Cada um de nós tem um propósito nesse universo. Sei que pode parecer difícil acreditar em sonhos, realizações e felicidade em um mundo revirado como o nosso. São tantas preocupações e tamanha correria que tendemos a dirigir toda a nossa energia à sobrevivência, à luta para conquistar as coisas e mantê-las. Normalmente nos sentimos como parte de uma grande engrenagem que não pode parar sob pena de ser excluído e nunca mais conseguir encaixar-se. Os desejos mais íntimos, o sonho e a realização de um propósito tendem a ser esquecidos em algum lugar dessa trajetória e essas atitudes têm colaborado para o surgimento de mais um grande problema: o vazio existencial, o causador das neuroses e depressões.
Existem três conceitos equivocados que faz muita gente perder o rumo na busca de um sentido de vida, um propósito, uma missão. O primeiro é achar que a vida só flui se tem progresso material, quando se tem “resultados”. Como a ideia de sucesso está ligada à obtenção de poder, prestígio, influência e riqueza, as pessoas acham que as coisas só caminham à medida que percebem estar conquistando, ainda que lentamente, esses resultados. Mas, se isso fosse verdade, não haveria tantas pessoas que poderiam ser chamadas de bem-sucedidas, mas se sentem perdidas, insatisfeitas e deprimidas.
A segunda questão é achar que a vida só tem sentido quando se tem muita competência. Isso é até compreensível porque para conquistar o sucesso precisamos ter muitos conhecimentos e habilidades, pois o mundo é um lugar competitivo. Assim, muita gente pensa que não há outra saída senão investir em cursos, idiomas e qualificações – buscando muitas vezes, fórmulas milagrosas que as transformem em vencedoras da noite para o dia -, e deixam adormecidos desejos pessoais e a realização de muitos sonhos.
O terceiro equívoco é achar que a fluidez é coisa do “destino” de cada um. Depende de onde se nasce, de onde se cresce, da educação que se recebe, de quem se conhece, da felicidade de ser a pessoa certa na hora certa e no lugar certo. Porém, para que a vida de cada um de nós flua não é necessário que sejamos ricos, poderosos, muito menos ser os melhores em tudo ou predestinados ao sucesso. É necessário, apenas, saber quem verdadeiramente somos, onde estamos e para onde vamos.
Felizmente conheço pessoas que escolheram ocupações coerentes com o que gostam de fazer, são felizes e dão certo na vida, pois estão realizando seu propósito, ocupando o seu lugar no mundo. Saber qual é o seu propósito e o que é importante para que ele seja realizado direciona as escolhas que você faz em todas as áreas de sua vida. Da profissão que exerce ao lugar onde mora, o tempo que dedica ao trabalho, seus hábitos de consumo, seu lazer, seus interesses culturais, sua disponibilidade para a família e para os amigos… Tudo começa a se encaixar com a missão. A pessoa cria um senso forte de identidade e sente-se dono da própria vida. Quando se está empenhado na realização de um sonho, cada pequena conquista é motivo de muita comemoração e, assim, nos tornamos capazes de fazer da busca pelo sentido de vida o nosso verdadeiro sentido de vida.

*Leila Navarro é palestrante motivacional com reconhecimento no Brasil e no Exterior. Autora de 14 livros, entre eles, “Talento para ser Feliz”, “Talento à prova de crise” e “A vida não precisa ser tão complicada” e, mais recentemente, “O poder da superação”. Saiba mais no www.leilanavarro.com.br

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