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Falar E Ouvir

FALAR E OUVIR, PENSAR E AGIR
DJALMA MORAES

Estamos na Era da Informação, onde somos bombardeados por inúmeras mensagens através das mais diversas mídias. Tudo isto não significa que estamos sendo ouvidos ou que estamos ouvindo, vou explicar melhor, em meio a tantos estímulos, muitas vezes, mal temos tempo ou meios para selecionar, e então, sobrevêm a confusão e o embaralhamento da mensagem. Todos os dias recebemos e-mails, folders, sms, passamos por cartazes, out doors, assistimos comerciais de rádio e TV, onde somos induzidos a comprar toda e qualquer novidade que é lançada. De outra forma, devido à Modernidade, estamos cada vez mais com menos tempo para outras atividades, quer sejam pessoais, profissionais, corremos muito e não temos muito tempo para falar e ouvir, já não é tão comum visitar amigos somente para conversar. Estamos muito atarefados e passamos isto para nossos filhos. As crianças e jovens se vêem envolvidos em aulas de Inglês, Tênis, trabalhos escolares, Balé, Teatro, atividades “N”, uma tremenda correria sem fim, no futuro, muito terão com herança os problemas advindos de não ouvirem a linguagem de seus corpos, que muitas vezes, exauridos, pedem uma trégua para relaxar, ou simplesmente, não fazer nada.
Em nossas empresas, seguimos a rotina diária de ter horário para entrar, produzir e sair, muitas vezes, para outra jornada que envolve faculdade, cursos extracurriculares, filhos, academia, afazeres domésticos, etc., sendo que, em nossos departamentos, o telefone toca, o computador sinaliza com avisos e mensagens, o celular dá sinais de vida com freqüência, nossa cabeça atarefada e focada em atender à tudo e à todos, começa a falhar.
Para o gestor de RH até então, além de lidar com seus problemas, terá que atender as demandas internas da empresa, solucionando pequenos e grandes casos que possam surgir, sendo que muitos deles com urgência ou até emergência. Em alguns casos, as empresas possuem estruturas que aliviam o trabalho do referido gestor, mas, na maioria delas, o trabalho é feito solitariamente, assumindo todas as etapas desde o principio.
Humanos que somos, sentimos necessidade de viver em grupos e trocar sentimentos, impressões e palavras, e quando isto nos falta, passamos à sofrer de alguns males, tais como, ansiedade, depressão, irritabilidade, perda de atenção e baixa na auto-estima. Para evitar estes sofrimentos, precisamos nos voltar para a mais simples definição que diz, o tempo é igual para todos, é preciso priorizar tarefas, para que possamos fazê-las bem.
Em meio a essa correria, será preciso definir horários para atendimento em nosso setor, flexibilizando quando possível, para que a rigidez não nos impeça de dar atenção a quem nos procura. Se todos tiverem a exata noção de bom uso de tempo, o falar e ouvir ganha outra dimensão, mas, é preciso treino. Em primeiro lugar, estabelecendo uma agenda para quebrar a informalidade, mas, que funcione de maneira a não dar a impressão de algo fechado e intransponível. Em segundo lugar, ensinar os colaboradores a valorizarem seu tempo agendado, informando o assunto com antecedência, tal qual, uma pauta de reunião. Em terceiro lugar, fazer anotações das partes relevantes e se dando um tempo para dar a devida resposta, através do contato com as partes envolvidas e conhecendo o seu posicionamento, sem dar informações sem a devida base.
Na família, também devemos ser organizados, pelo menos, de certa forma, o que nem sempre é tão fácil. Acredito que para um filho, é melhor saber que terá alguns horários com os pais, do que pensar que não terá horário nenhum, então programe-se, desacelere-se para viver o mundo deles, impaciência não ajuda em nada. É a partir deste convívio que eles formarão o conceito de compartilhar idéias e palavras, dúvidas e outras necessidades. Caso, não se lembre, você carrega consigo as experiências adquiridas no seio da família, e as leva consigo até hoje. Estes momentos são ótimos para nos recarregarmos, e verificarmos o quanto nossos filhos são reflexos de nosso comportamento.
Algumas dicas devem ser seguidas para que o nível de nossas conversas melhore um pouco mais:
A) Mulheres e homens têm ritmos diferentes de falar e pensar. Elas falam mais palavras por minuto e pensam duas vezes mais rápido. Então, procure estudar um pouco sobre Comunicação Eficaz, para aprender a modular sua falar e aumentar a percepção e o entendimento do que é dito.
B) Aprenda a ouvir atentamente.
C) Deixe a outra pessoa concluir a sua fala, não a interrompa.
D) Contenha a ansiedade.
E) Contenha a ansiedade de responder imediatamente.
F) Desacelere o pensamento.
G) Não tente se antecipar ao que a pessoa vai dizer, pois, é deselegante.
H) Estimule a pessoa a falar, olhe em seus olhos, balance a cabeça afirmativamente.
I) Mantenha-se próximo para que a outra pessoa não precise falar alto.
J) Cuide de sua voz, respire antes de falar.
K) O timbre de voz permite identificar as emoções e as reações, cuidado com seus estados emocionais.
L) Seja objetivo na colocação das idéias.
M) Procure fazer perguntas abertas à outra pessoa, para que o assunto tenha prosseguimento.
N) Procure sorrir, cara fechada encerra qualquer conversa.
O) Demonstre interesse no assunto, isto é primordial.
P) Quando tiver entendido tudo, faça uma checagem com a pessoa, para ver se é realmente aquilo o que ela quer ou disse.
Q) Ao encerrar o assunto, seja gentil, nada de cortes bruscos na conversa.
Finalizando, só seremos capazes de agir e tomar decisões, quando entendermos com clareza o que nos foi solicitado, então, por que não aprendermos a utilizar técnicas simples para facilitar o processo? Que tal ensinarmos aos nossos filhos, qual valor de alguns momentos de conversa? Nas nossas empresas, que tal estabelecermos momentos para ouvirmos os demais integrantes e lideranças, dando-lhes a chance de sentirem mais integrados?
Vamos pensar no assunto?

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