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Falcões e Patos – Profissionais Excelentes ou “Mais ou Menos”.

Era inicio do ano de 2003 e havia acabado de receber meu diploma de formação técnico em contabilidade, naquele momento estava desempregado e ansioso por encontrar uma oportunidade de emprego em uma empresa de assessoria empresarial na área de contabilidade. Sabia que mesmo com a conclusão do curso tinha muita necessidade de experimentar na prática os conceitos adquiridos ao realizar o curso. Muitos, sempre, consideram escritório de contabilidade como uma escola, onde se pode aprender muito ou quase tudo em relação à área contábil. Sendo assim, minha intenção era encontrar uma oportunidade para continuar aprendendo e me desenvolver.
Próximo de minha casa havia um escritório de contabilidade, certo dia peguei um de meus currículos e me dirigi ate lá a fim de entregá-lo. Lembro-me que ele ficava em um sobrado e após subir as escadas entrei na sala onde ficava uma recepcionista.
Disse a ela que desejava entregar um currículo e então ela me pediu para aguardar para que eu pudesse entregar diretamente para o responsável pela empresa.
A responsável era uma senhora que me pediu para entrar em sua sala. Ela tomou o currículo nas mãos e após observá-lo rapidamente, me perguntou: “Qual a sua especialidade?” Lembro-me que por alguns segundo fiquei quieto, por fim, responde: “Ainda não tenho nenhuma.”
Confesso que naquela hora nem sabia ao certo o que ela estava dizendo. A verdade é que por fim ela me disse que naquele momento eles estavam precisando de alguém que fosse especialista na área fiscal e como não tinha experiência meu currículo ficaria para uma próxima oportunidade.
Ao sai dali naquela manhã uma coisa havia ficado bem clara na minha mente. A área contábil era muito ampla para que eu viesse a me apresentar somente como Técnico em Contabilidade. Eu precisava ter um foco dentro das muitas áreas de atuação de um contabilista. A partir daquele dia entendi que precisaria me ater a uma das muitas áreas da contabilidade e nesta me aperfeiçoar, me especializar.
Fiz algumas investidas na área contábil propriamente dita, passei pela escrituração fiscal, me aventurei na recuperação de créditos fiscais e por fim, pude ingressar na área em que tinha menos interesse, área de Departamento de Pessoal.
Do segundo semestre do ano de 2006 ate o presente momento tenho estado nesta área e do primeiro dia até este momento tenho buscado meios de me aperfeiçoar, me desenvolver e crescer como Analista de RH. Após ter realizado um curso profissionalizante na área, e o curso técnico já citado, ingressei no curso superior de Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos, curso que ainda estou concluindo, já me preparando para ao final deste iniciar uma pós-graduação na mesma área.
Você pode estar se perguntando: Por que estou lhe contando este breve relato de minha vida profissional? Mas tudo isso é para que entenda algo muito importante “de nada adianta sabermos tudo se não somos hábeis para realizar algo em especifico.”
Por exemplo: Você esta na fase final de um processo de seleção com a finalidade de alocar um profissional para a área de vendas. Dois são apresentados e ao ouvir o primeiro deles este lhe diz: “Eu tenho três cursos na área, falo inglês e espanhol, tenha bastante conhecimento na utilização e estruturação de planilhas de custo no Excel, já atuei na área de compras e sou muito bom na gestão de equipes.
O segundo, por sua vez se apresenta e diz: “Dos meus trinta e cinco anos de idade os últimos quinze tem sido dedicado a área de vendas, por isso tenho ano a ano me aperfeiçoado e buscado crescer cada vez mais nesta área”.
Diante das duas opções qual delas lhe seria mais útil? Lembre-se que a necessidade é para suprir a vaga no setor de vendas. Certamente a segunda opção seria mais útil.

Isso porque quando dizemos que hoje o foco dos processos de seleção está voltado a “seleção por competência” isso não quer dizer que os selecionadores estão em busca de profissionais que possuam o maior numero de competências. E sim, que os mesmo devem possuir a ou as competências que são necessárias a determinada empresa e que a mesma tem buscado num determinado processo de recrutamento e seleção.

“Sendo assim, a tendência não é possuir a maior quantidade e sim possuir aquela que é necessária a organização que realiza o processo.”

A prática de múltiplas funções pode ser útil em alguns momentos, mas isso com o tempo tende a trazer prejuízos, a saber, a perda da qualidade.
Quando temos a oportunidade de adquirirmos conhecimentos múltiplos e dentre estes nos dedicarmos a uma ou duas áreas em especial, a probabilidade de apresentarmos resultados de melhor qualidade é certamente maior. Quando focamos nossa atenção em uma ou duas direções as chances de alcançarmos bons resultados é amplamente aumentada e os resultados tendem a aparecer com mais rapidez e eficiência. Visto que nosso tempo e atenção não são fracionados entre muitos focos, ao contrário, dedicamos nossa atenção e tempo de forma exclusiva a aquilo que priorizamos.

Não adianta sermos mais ou menos naquilo que fazemos hoje o mercado de trabalho ainda esta a procura de profissionais que possuam a maior quantidade de competências bem desenvolvidas, mas acima de tudo devemos estar certos de que saber tudo é bom, mas fazermos uma ou duas coisas com perfeição é melhor ainda.

O mercado esta saturado de profissionais que abarrotam seus currículos de atributos e competências que nem mesmo sabem em que estas lhe podem ser úteis. Estamos cercados por uma enorme quantidade de profissionais mais ou menos. Quem são estes? São todos aqueles que dizem e ate tentam fazer de tudo, mas que por fim não realizam nada ou quando realizam o faz com muito pouca qualidade, deixando a desejar um melhor resultado. Esses são os profissionais mais ou menos, aqueles que não priorizam a busca pela especialização, pela qualidade e melhoria.

Não estou dizendo que seja errado possuirmos múltiplos conhecimentos, ao contrário, afirmamos que o conhecimento nos liberta e quanto mais adquirimos, mais amplo se torno nossos horizontes. Sendo assim, não é errado possuirmos múltiplos conhecimentos o errado é sermos tentados a aplicarmos e realizarmos todos eles de uma só vez. Agindo desta forma perdemos o foco e prejudicamos a execução de nossas tarefas com a falta de qualidade e atenção.

Tome por exemplo duas aves do reino animal. O Falcão e o Pato. Vamos compará-los a dois tipos de profissionais, os que buscam se tornar profissionais especializados e que gerenciam suas competências a fim de alcançar melhores resultados em uma ou duas áreas em especial e os que se contentam em ser profissionais mais ou menos buscando fazer varias coisas quase que ao mesmo tempo, mas de maneira desatenta e com pouca qualidade. Antes veja algumas das características das duas aves.

Primeiro o Falcão (Falco peregrinus).

Características Positivas:

Como é Conhecido: O falcão peregrino é considerado o “príncipe das aves de caça” e uma das espécies mais apreciadas para os lances de altanaria devido à velocidade dos seus ataques em vôo picado.

Inconfundível: Os falcões distinguem-se de outras aves de rapina de tamanho semelhante, como os gaviões, pela cauda longa e pelas asas pontudas que, no caso do falcão peregrino, chegam até a ponta da cauda quando está empoleirado.

Especialidade: Essas características o tornam extremamente veloz e o levaram a especializar-se em capturar presas no ar e desprezar os animais terrestres.

Visão Ampla e Focada nos Objetivos: Pode avistar a presa a um quilômetro e meio de distância e carregar o equivalente ao próprio peso.

Agilidade e Foco em Resultados: Habitualmente, esta ave de rapina alcança a presa após um mergulho de várias centenas de metros, ultrapassado por vezes até um quilômetro. Neste caso, o embate das asas contra o corpo da vítima produz um ruído audível à distância. Ou então com as garras, ataca a presa por baixo.

Desenvolvimento Rápido: As avezinhas, que permanecem no ninho quatro semanas, nascem cobertas de uma penugem sedosa e muito clara, voam pelos 34 dias, mas só adquirem a independência algum tempo depois. E atingem a maturidade aos dois anos de idade.

Características Negativas:

Adultos Sedentários: Recebe o nome de “peregrino” porque as subespécies que vivem em zonas temperadas do Hemisfério Norte e do Ártico migram para o sul no outono e costumam escolher sempre os mesmos lugares para passar a temporada de inverno. As subespécies européias e asiáticas deslocam-se para a África, Sul da Ásia e Indonésia. As norte-americanas vêm para a América do Sul, inclusive o Brasil. Já os nativos de latitudes médias e do Hemisfério Sul são sedentários: apenas os jovens se deslocam, em busca de seu próprio espaço.

Ameaças: Embora tenha uma distribuição mais ampla que qualquer outra espécie, não é uma ave muito comum e é vulnerável à poluição e aos pesticidas, que se acumulam em suas presas e o incapacitam para a reprodução: na América do Norte, o uso do DDT chegou a levá-lo à beira da extinção.

Peregrinação: Deve o nome “peregrino” aos hábitos nômades e às suas peregrinações errantes, sobretudo na fase adolescente.

Agora o Pato

Caracteristicas Positivas:

Especialidade: O pato é um dos poucos animais da natureza que anda, nada e voa com razoável competência.

Diferencial: É o único animal que consegue dormir com metade do cérebro e outra metade em alerta.

Focados: É dotado de perfeito senso de direção e comunidade.

Caracteristicas Negativas:

Como é Conhecido: O pato (conhecido em Portugal como pato-mudo).

Perigrinação: Os patos alimentam-se de vegetação aquática, moluscos e pequenos invertebrados e algumas espécies são aves migradoras.

Ameaças: Os patos são utilizados pelo homem na alimentação, vestuário (as penas) e de entretenimento (caça).

Perceba que as duas aves possuem qualidades importantes, mas uma coisa diferencia o Falcão do Pato e que também diferencia o profissional que se especializa do profissional que se torna “mais ou menos”. A habilidade de se utilizar das competências que possui a fim de focar as mesmas para o aperfeiçoamento e especialização em um determinado foco ou objetivo.

A descrição do Falcão diz que “as características o tornam extremamente veloz e o levaram a especializar-se em capturar presas no ar e desprezar os animais terrestres.” Já a descrição do Pato diz que “o pato é um dos poucos animais da natureza que anda, nada e voa, mas, com razoável competência.”

Percebe a diferença? Um se utiliza de suas competencias para se tornar “extremamente veloz e especialista na arte da captura no ar. O outro aplica suas competencias para ser o unico animal que anda, nada e voa, mas com razoável competência. No dicionário um dos sinonimos para a palavra rasoável é “Acima do medíocre” e á palavra medíocre, poer sua vez, é atribuido o sinonimo: “Mediano; sofrível e insignificante.” (Fonte: http://www.priberam.pt/DLPO/default.aspx?pal=razoável) .
Analisando a questão por esse anglo a descrição do pato toma um significado ainda mais preocupante. Não é? Imagine o seu desempenho, ao invés de ser reconhecido taxado como exelente, ser classificado como sendo “um pouco acima do mmedíocre, mediano ou insignificante”.

Um é especialista no que faz, ainda que faça uma unica coisa, já o outro consegue fazer três coisas distintas, mas as realiza “mais ou menos”. Um faz o que faz com extrema qualidade o outro “mais ou menos”.

Compare:
O falcão voa? Voa. E o pato? Mais ou menos.
O falcão anda? Raramente. E o pato? Mais ou menos.
O falcão nada? Não. E o pato? Mais ou menos.
O falcão tem boa visão? Tem. E o pato? Mais ou menos.
O falcão é veloz? É. E o pato? Mais ou menos.

No mundo competitivo em que vivemos não há espaço para sermos “mais ou menos”. Ou temos que ser ou é melhor não sermos. O mercado de trabalho muitas vezes tende a aceitar a ambos, os bons e os “mais ou menos”, mas no fim das contas os que alcançam destaque e se projetam a frente em suas carreiras são aqueles que sabem que não podem ser ou continuar sendo “mais ou menos”.
“Nenhum time de futebol irá aceitar um goleiro que como batedor de falta e penaltis seja excepcional se debaixo das traves do gol ele não for excelente.” Pense nisso.

Sendo assim, aqui fica alguns conselhos práticos que poderão lhe ajudar a deixar a “zona de conforto” do “mais ou menos” e se destacar entre aqueles que buscam fugir do comum e se aventuram na “zona de conflito”, onde ser razoável não é o bastante.

Adquira conhecimento: A ignorância nos limita, estreita nossas fronteiras, mas o conhecimento nos liberta.

Desenvolva suas Habilidades: Não importa quanta sejam, descubra quais são e se emprenhe para aperfeiçoá-las ao maximo.

Especialize-se: Dentre as competências que sabe possuir maior habilidade escolha aquela em que deseja se especializar. Procure a que mais se adapta com o que deseja fazer e ser e, trabalhe a fim de que nesta área em especial você se torne excelente.

Prime pela Qualidade: Não adianta fazer muitas coisas “mais ou menos”, melhor é optar por realizar um ou duas com atenção, dedicação, eficiência, perfeição e qualidade.

Um forte abraço e fique com Deus!

Vitor O Ribeiro – Graduando em Gestão de Recursos Humanos pela FIB (Facauldades Integradas de Bauru), com formação Técnica em Contabilidade pelo IESB – PREVE (Instituto de Ensino Superior de Bauru) – Na área de RH desde o ano de 2006. Hoje atua como Analista de RH em empresa de Assessoria Empresarial, já tendo trabalhado em pequenas, médias e grandes empresas. Alem de desenvolver e ministrar curos e palestras motivacionais com foco nas areas de Atendimento a Clientes, Vendas, Liderança, Gestão de Equipes, Bem Estar Físico e Espiritual, Qualidade de Vida e Rotinas e Calculos Trabalhista.
Contato: http://vitororibeiro.blogspot.com/; vitororibeiro@gmail.com

Por: Vitor

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