Artigos

Feedback: competência essencial para desenvolver

“O
autoconhecimento só pode ser obtido com ajuda dos outros, por meio de
feedback, o qual precisa ser elaborado para a auto-aceitação de componentes
do eu cego”

Profa.
Fela Moscovici
.

O tema não é novo, nem por isso deixa de ser relevante e atual, porque sua
prática entre nós não é usual e, muitos ainda, confundem feedback com crítica.
A primeira palestra que fiz sobre este tema foi num clube de serviços, em
1987. No mês de setembro/03, fui surpreendido pela seguinte colocação de
uma gerente de banco sobre o tema: “Se feedback é bom, por que eu tenho que
oferecê-lo? Aqui surgiu a motivação para retornar ao tema”. Alguns sabem
e todos têm uma noção intuitiva do tempo aplicado na comunicação. Setenta
e cinco por cento do tempo do executivo é destinado à comunicação, nem
toda comunicação é feedback, mas se for um executivo eficiente e eficaz
parcela significativa será aplicada a dar e a receber feedback, os vinte e
cinco por cento restantes são gastos (esta é a única opção que o tempo
nos dar) executando atividades decorrentes da comunicação.

 

A gerente do banco mencionada deve ter sido
“informada”, como a grande maioria dos executivos que já participaram de
treinamento sobre feedback que este contribui para o crescimento do outro como
pessoa e como profissional. Com este conceito, a colocação da executiva
mencionada até que tem algum sentido, num mundo tão competitivo de empregos
sumindo a cada dia, ela vai ter interesse que alguém cresça para disputar
sua posição na empresa!

Nova call to action

Aqui apresento uma contribuição para que se utilize essa competência
essencial no processo de crescimento dos seres humanos e para a formação e
manutenção de equipes de alta performance com elevada qualidade de vida.
Cabe aqui agradecer a professora Fela Moscovici pela grande contribuição que
me deu como professora e grande incentivadora das técnicas do trabalho
em equipe. Garimpei
na sua clássica obra: Desenvolvimento Interpessoal, grande parte do conceito
de feedback aqui exposto.

 

Como já disse alguém muito realizador:
“se enxerguei mais longe é porque me apoiei em ombros de gigantes”.
Erros, imperfeições e impropriedades involuntárias são de minha inteira
lavra. Vamos aos finalmente! Coloco para os colegas consultores e executivos
os conceitos de crítica e feedback, tendo consciência de que é apenas mais
um conceito, mais um esforço na tentativa de contribuir para que cada vez
mais realizemos nossas atividades, como consultores e executivos,
fundamentadas em conceitos e, teoria para evitarmos nos igualá-los àqueles
que “acha”, que a ciência da administração é apenas mero exercício da
intuição e do “bom senso” – por falar nisso, qual é o seu conceito de
bom senso? Estará o seu conceito em consonância com o conceito que você tem
de Homem?

FEEDBACK é um processo de ajuda mútua
para mudanças de comportamento, por meio da comunicação verbalizada ou não
entre duas pessoas ou entre pessoa e grupo, no sentido de passar informações,
sem julgamento de valor, referentes à como sua atuação afeta ou é
percebida pelo outro e vice e versa.

CRÍTICA é um processo de
comunicação verbalizada ou não, entre duas pessoas ou entre pessoa e grupo
com o objetivo de passar nossos valores de certo e errado, geralmente traz
consigo a intenção de acusar, julgar e condenar e, não raro, com intensa
carga emocional dos interlocutores.

Cotejando os conceitos de crítica e feedback percebe-se as diferenças entre
os dois conceitos. A crítica é eivada de julgamento de valores e o feedback
precisa ser: Aplicável para os interlocutores. Neutro, sem acusação,
julgamento e condenação. Específico, limitar-se a questão em foco, nada de
buscar questões mal resolvidas de um passado distante. Oportuno, o mais próximo
possível do fato, mas considerada as circunstancias e o estado de humor dos
interlocutores. Direto, não cometa o erro de passar o feedback através de
terceiros, isso poderá ser interpretado como fofoca e é uma fraqueza ou pelo
menos uma séria inconveniência.

 

Objetivo, não tente dourar a pílula, pode
passar um quê de falsidade, de falsa modesta, de arrogância, de piedade,
etc. O importante aqui é que exista uma relação de confiança entre os
interlocutores e que a motivação de quem oferece o feedback seja contribuir
para que ambos cresçam. Quem errou ou teve um comportamento ou atitude que
incomodou o outro tome consciência do fato e àquele que ofereceu, ganhou
competência para transmitir sua percepção, seu conhecimento ou seu
desconforto.

Sua aplicabilidade é ampla. Na família, no condomínio, no clube e,
principalmente, no trabalho onde todos são pagos para a construção de
resultados financeiros que mantêm a empresa, os empregos ou as parcerias.
Entretanto para dar e receber feedback, eficazmente, requer treinamento
qualificado seguido de prática continuada. Apenas para citar uma
condicionante que limita nossa capacidade de trabalhar o feedback, reside no
traço da nossa cultura: não temos o costume de dar e receber feedback – e,
quando o fazemos, freqüentemente não o fazemos com competência –,
acabamos por dar-lhe conotação de crítica, com relevante carga emocional
tanto do emissor quanto do receptor. Isso provoca, não raro, reações de mágoa
e agressão, freqüentemente descambando para um jogo de convencimento – de
forças de vontade, caprichos ou vaidades – no qual quanto mais o emissor se
esforça para convencer, mais aumenta a desconfiança e a resistência do
receptor.

 

O que poderia ser uma excelente oportunidade
de conhecimento e aperfeiçoamento pessoal e mútuo acaba transformando-se num
jogo perde-perde. Dentro deste mesmo traço cultural encontra-se a mania que,
nós brasileiros, temos de desqualificarmos o feedback, com frases do tipo: o
que vem de baixo não me atinge ou ele (a) é um (a) Burro (a), não sabe o
que diz.

Existem consultores, livros e cursos na internet que poderão contribuir para
que você reduza sua carga dos “não consigo”, disfarçado de não sei,
faria se quisesse etc. Sucesso!!!

Jansen de Queiroz Ferreira
Formado em Administração, pós-graduado em finanças e recursos pela FGV.
Economista pela UERJ.

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of