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Fit Cultural: casamento perfeito?

Hoje um amigo me contou sobre uma discussão que teve com um colega de trabalho em torno do pedido de demissão de um outro colega. O pedido de demissão ocorreu pois, depois de alguns meses de trabalho, o profissional não se sentia parte da organização. O “fit cultural” não aconteceu! Como diriam os usuários de app’s de relacionamento, depois do “match” inicial os pontos em comum entre o profissional e a empresa não eram tão parecidos assim.

De um lado, meu amigo concordava e defendia a situação citando a importância de alinhamento entre os objetivos do empregado e do empregador. Que os propósitos precisam ser coerentes e quando isso não acontece é ruim para os dois lados. Do outro lado, o colega só visualizava imaturidade e comparou o fit cultural com o casamento: não se deve desistir e sim se esforçar para dar certo. Sem dar spoiler sobre a nossa conversa e dizer como devemos – ou se devemos – meter a colher nessa briga, o que mais me chamou a atenção foi a comparação que ele fez e como as mudanças na sociedade impactam diretamente o meio organizacional.

Por mais completo e robusto que seja um processo seletivo, tal qual um perfil em app de relacionamento, ele provavelmente não vai conseguir envolver todos os aspectos que definem os envolvidos; nem a empresa (anúncio da vaga), nem o candidato (currículo). Valores, linguagem, atitude, crenças, postura, desejos, metas, objetivos e tantos outros aspectos nem sempre verbalizados, são de extrema importância no “sim” que os dois lados estão prestes à dizer. A diferença é que no casamento, às vezes, o processo seletivo é bem mais lento (namoro, noivado, etc…) e pode ser mais embasado em fatos.

Nova call to action

O que podemos destacar de mais importante nesse e em outros tantos casos, é que esse sucesso no match do processo seletivo é uma via de mão dupla e tanto o RH quanto o candidato precisam tirar o máximo de aproveitamento das etapas de R&S. É um trabalho em conjunto onde o recrutador busca pelas características do candidato, experiências, formação, testes, soft skills e hard skills, referências e enquanto isso, o candidato pesquisa sobre a empresa, também busca referências, imagem da empresa no mercado, e ambos tentam acertar o encaixe de expectativas.

Pode dar errado? É claro que pode. Descobrir que a empresa não é o que você pensava ou que o profissional não era o ideal para a vaga é desgastante e custoso, porém acontece. Essa análise também deve ser feita entre os envolvidos e a decisão final (desfazer o match ou se esforçar na adaptação) é tão ou mais importante que a inicial.

Por: Luiddy Vieira

Profissional generalista em rh atuando no processo de transformação da área de recursos humanos: digital, trabalhista e comportamental. Possuo aproximadamente 12 anos de experiência em todos os subsistemas de RH (recrutamento e seleção, benefícios, DP, aquisições, implantações, etc..). Pós graduado em Administração, MBA em Gestão de Negócios e especialização em andamento em direito do trabalho e previdenciário. Nas horas vagas buscando conhecimentos nas áreas de inovação e rh 4.0.