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Gestão de pessoas: o que é prioridade daqui pra frente?

Por Douglas Souza, CEO da Eureca – consultoria da área de RH, Gestão de Pessoas e na conexão entre jovens e o mercado de trabalho.

Nas últimas semanas fomos impactados, em nossas vidas pessoais e profissionais, pela pandemia do Coronavírus. Uma das principais consequências disso, foi a necessidade do distanciamento social que provocou o fechamento de escritórios, lugares públicos, alterando significativamente o dia-a-dia da maioria das pessoas em todo país.

Após algumas semanas tentando compreender como se adaptar para essa situação, muitos profissionais já fazem uma comparação de seus processos, práticas e até mesmo de toda a empresa antes coronavírus e depois do coronavírus – evidenciando a magnitude das transformações das consequências que essa crise vêm gerando na forma de fazermos gestão – porém, independente do contexto em que estamos inseridos, sempre existiu a necessidade dos profissionais em priorizar pautas e decisões relevantes para a empresa.

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Por mais que essa seja uma necessidade que independe de contexto, em momentos de crise como o que vivemos agora, tal habilidade é colocada à prova e, mais do que isso, torna-se um fator de diferenciação para gestores e gestoras na liderança da sua equipe. Como tudo fica mais nítido quando acontece, agora podemos falar com certa propriedade que o mais importante a ser priorizado em uma pandemia como essa é, sem dúvidas, o bem estar do time. 

Iniciativas dessa natureza foram inúmeras: flexibilização do trabalho remoto, adaptação dos benefícios oferecidos pelas empresas, instalação de equipamentos apropriados nas casas dos funcionários, entre outras. Mesmo isso parecendo meio óbvio, agora passado mais de um mês em quarentena, nota-se que tais ações não eram tão evidentes para muitos gestores e gestoras no começo do processo. Portanto, a pergunta que nos provoca agora é: como definir o que é prioridade daqui pra frente?

Assim como o impacto do Coronavírus está sendo sentido de maneira diferente em cada um dos setores da economia, essa resposta também difere para cada realidade. Entretanto, podemos encontrar boas práticas comuns a dentro desses cenários:

1. Não perca sua visão de longo prazo

Por mais que tenhamos a sensação que a quarentena dure uma eternidade, estamos passando por meses realmente muito turbulentos. Longe de querer minimizar a importância e relevância dessa doença, mas não podemos deixar de lado tudo aquilo que foi construído e sonhado pelo seu time e pela sua empresa para os próximos anos. 

Além de resolver e garantir que sua empresa consiga passar pelo momento turbulento do presente, tenha em mente a visão de longo prazo para seu time e sua empresa, identificando possíveis oportunidades que possam surgir nesse momento para adaptar a estratégia e continuar em frente. Isso ajudará, sem dúvidas, a desenvolver um senso de priorização para aquilo que possui maior capacidade de gerar valor não só no curto prazo, mas no longo também.

Por exemplo, uma empresa do setor de serviços, especializada em vendas B2B,  havia colocado em seu planejamento estratégico para o ano o desenvolvimento de produtos B2C. Observando que grande parte dos projetos foram congelados e, consequentemente, parte do seu time de consultoria ficou ocioso, a empresa tomou a decisão de acelerar o desenvolvimento dos produtos B2C por meio das pessoas que, agora devido à pandemia do Coronavírus, tinham tempo de qualidade para trabalhar nesse projeto estratégico da empresa.

A rota pode ter sido alterada, mas o destino final continua o mesmo.

2. Monitore indicadores importantes para você e para seu negócio

Apesar de termos acesso a, praticamente, todas as informações que quisermos hoje em dia, uma coisa ainda não temos certeza: quando a infecção do coronavírus irá passar e como será o retorno à vida “normal”. Conviver com essa incerteza é um fato.

Ao mesmo tempo que aceitar essa incerteza é um primeiro passo para diminuir a ansiedade, o monitoramento de indicadores relevantes para a sua área e/ou para seu negócio é uma forma de você se antecipar a alguns movimentos e, consequentemente, saber o que priorizar em determinado momento.

A divisão desses indicadores pode ser feita em dois blocos: internos e externos. No primeiro, indicadores como vendas realizadas nas últimas semanas/dias; projetos/serviços/produtos congelados nas últimas semanas/dias; pedidos cancelados. Já no segundo bloco, de indicadores externos, alguns exemplos são: número de casos confirmados em seu estado/país/cidade; número de capitais em lockdown; ritmo de notificação de casos.

A combinação desses indicadores e a análise conjunta pode dar pistas do que deve ser priorizado pela sua equipe/empresa nos próximos dias, semanas e até meses.

3. Comunique com vulnerabilidade e transparência

Em uma das lives que assisti nos últimos dias (quem ainda não foi pego por uma dessas ainda durante essa quarentena?), um CEO de uma grande rede varejista trouxe uma fala muito sincera e empática: “se eu que tenho uma boa quantidade de informações da minha empresa estou com muitas incertezas do que e como fazer, imagina meu time no chão de fábrica?!”.

Uma das maiores consequências dessa crise é a desmistificação da liderança heróica, ou seja, que tem plano e resposta para tudo. Nesse contexto, o mais perto disso que podemos chegar é ter uma comunicação vulnerável, transparente e empática, afinal, todos sabemos que não temos todas as respostas nesse momento.

Portanto, ao decidir o que deve ser priorizado, orientando-se pelo equilíbrio entre resolver os problemas do curto prazo sem perder a visão de futuro; e guiado por indicadores internos e externos; busque comunicar e reforçar a mensagem de diferentes maneiras para toda a equipe. Assim, o engajamento naquilo que se tornou prioridade não ficará restrito apenas às lideranças da empresa, mas ganhará os quatro cantos e, consequentemente, maiores e melhores resultados poderão ser atingidos.

Diferentemente da crise mais recente de 2008, onde a pauta financeira era a grande bola da vez, a capacidade de mobilização, bom nível de inteligência emocional, análise de boas informações e a influência positiva sobre as pessoas são os elementos chave na repriorização das rotas de times e empresas neste momento. 

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