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Gestão de pessoas pós-crise: construindo o futuro

Sérgio Lopes (*)

Sim, estamos em crise.

Uma crise que não pedimos, não encomendamos, não fomos nós que criamos, mas, estamos no “olho do furacão” e só temos uma saída. Transforma-la num curso intensivo de sobrevivência na selva, no mar, no ar, na terra, nas empresas, em casa, enfim, em todos os lugares em que há seres humanos e tirar o melhor aprendizado possível.

Nova call to action

Mas, perguntarão alguns, o que poderemos aprender neste “curso intensivo de sobrevivência”? Eu lhes responderei que, no mínimo, aprenderemos que, apesar de toda tecnologia, toda ciência, todo inteligência artificial, todas as máquinas que colocamos a nosso serviço e muitas delas para fazer o que antes fazíamos, ainda não inventaram nada melhor que o SER HUMANO para cuidar de outro SER HUMANO.

Máquinas são fundamentais para o tratamento e cura dos doentes, mas, está sendo provado que elas só funcionam se houver seres humanos preparados, capacitados, engajados e disponíveis para instala-las, liga-las, monitora-las, desliga-las, enfim, para fazer das máquinas um verdadeiro instrumento de cura.

Este, para mim, é o maior dos aprendizados: após a crise os seres humanos, profissionais por excelência, deverão ser tratados de forma diferente nas empresas, deverão ser vistos e entendidos como o recurso essencial para fazer com que a engrenagem organizacional funcione de forma eficiente e eficaz, atingindo seus objetivos e metas e gerando a riqueza necessária para a recuperação empresarial.

Esta novo modelo de tratamento às pessoas, exigirá, sem dúvida nenhuma, nova postura e posicionamento das áreas de RH das empresas em relação à gestão das pessoas, talvez, quem sabe, veremos o início do verdadeiro RH HUMANIZADO, um RH “mais gente e menos máquina”.

Todos nós já sabemos as consequências desta crise mundial: colapso no sistema de comercio mundial, falências ou fechamentos de empresas de todos os portes ao redor do mundo, redução do nível da atividade econômica mundial, corte de milhões de empregos, quedas vertiginosas do Produto Interno Bruto de, praticamente, todos os países, cancelamentos de grandes projetos de investimentos nos países mais afetados pela crise, enfim, os reflexos se espalharam e impactaram diretamente no mercado, no conhecimento e na rentabilidade das Organizações.

Especificamente no campo da gestão de pessoas, vimos, ainda estamos vendo e possivelmente, ainda veremos por algum tempo: demissões em massa, cancelamentos de novas contratações, cortes nos programas de capacitação e desenvolvimento, férias coletivas fora de hora, negociações de emergência com Sindicatos, reduções e revisões significativas nas metas dos PLR’s vigentes.

Estamos sendo obrigados a aprender a “toque de caixa” a trabalhar na modalidade “Home Office”, algo que até alguns dias atrás soava como nome de filme de ficção científica para muita gente que agora está em casa produzindo ou comandando um contingente de colaboradores espalhados pelos mais variados cantos da cidade.

Instabilidade, dúvidas e medo predominam na maioria das mensagens trocadas nas redes sociais e ninguém pode negar que esta crise está causando impacto na identificação das pessoas com a Organização, na motivação para o trabalho, no comprometimento com a execução das tarefas e na segurança quanto à manutenção do emprego.

“O que será amanhã? Como vai ser meu destino? Responda quem puder”, canta a Simone em seu famoso samba “O amanhã”.
E quais serão então os novos desafios da gestão de pessoas? Em minha opinião, serão, não necessariamente na ordem em que serão apresentados, os seguintes:

1. Entender definitivamente que o principal recurso de uma Organização são as pessoas, que formam o tal “capital humano” e que fazem com que as coisas aconteçam,
2. Evoluir do conceito “recurso descartável” para o conceito “gente”,
3. Introduzir mecanismos de proteção e respeito pelo Ser Humano nas Organizações,
4. Promover capacitações em larga escala para uso de ferramentas e recursos de hardware e software que estão disponíveis na web e são gratuitos ou de baixo custo e que estão se mostrando fundamentais como integradores e facilitadores do trabalho remoto e da comunicação à distância,
5. Insistir junto às lideranças que pratiquem intensivamente a delegação, a fim de que uma maior quantidade possível de colaboradores se tornem autossuficientes na execução de suas tarefas, característica facilitadora de trabalhos remotos,
6. Incentivar a prática da gestão do conhecimento a fim de disseminar de forma estruturada e disciplinada o conhecimento adquirido e multiplicar as competências, habilidades e atitudes dos profissionais da Organização, e
7. Abrir, manter e incentivar o uso de um canal de comunicação corporativa de mão dupla, de tal sorte que todos os membros da comunidade organizacional tenham acesso às informações e possam, também, por meio deste canal, exporem suas ideias, dúvidas e opiniões.

E quais serão os instrumentos de gestão de pessoas que o novo RH deverá se valer para implementar tais projetos?
Entendo que serão os relacionados abaixo:
• Programas de qualidade de vida por meio de ações educativas, culturais, assistenciais e de defesa do meio ambiente,
• Política e sistema de remuneração e benefícios atraentes,
• Plano de Cargos, Salários e Carreiras,
• Programas de comunicação interna,
• Código de ética (ou de conduta) para toda Organização e seus fornecedores,
• Incentivos ao compartilhamento do conhecimento,
• Programas de capacitação e qualificação,
• Desenvolver uma cultura interna compatível com a visão estratégica adotada pela Organização, e
• Integração dos colaboradores às estratégias da Organização.

Estamos vivendo no limiar de uma nova era nas relações “capital x trabalho”, só não sabemos ainda quando esta nova era se iniciará efetivamente, mas, devemos todos nos preparar, em particular, as áreas de RH das empresas, pois como já cantava Elis Regina: “… Sei que nada será como antes amanhã …” (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos)

Se você está pensando em transformar seu Departamento Pessoal em Recursos Humanos estratégico ou já possui uma área de RH que ainda não encontrou seu foco e por isso não atua estrategicamente, fale conosco, poderemos ajuda-lo nesta missão transformadora.

Sérgio Lopes

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chris
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chris

excelente artigo, pois nesse momento e de extrema importancia

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VOLMAR

Esta realmente será uma nova forma de pensar os nossos negócios e nossas relações.