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Gestão Humanizada um desafio sobre-humano

gestão humanizada

Inicialmente, parece até uma redundância, de tão lógico o termo “Gestão Humanizada”, e talvez, seja essa mesma lógica que impeça a gestão em se identificar melhor com os seres humanos gestores e geridos em uma organização.

A lógica, pertence ao raciocínio linear que permeia nossas organizações. Neste pensamento, o observador está desvinculado do objeto e faz uma leitura da verdade “imutável” das coisas. Essa dissociação retrata um mundo de verdades únicas e pessoas iguais.

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Este pensamento coloca seres humanos em um patamar de relações mais próximas as máquinas que ao imprevisível universo humano.

Nesses termos a gestão pode ser comparada a uma orquestra em que o maestro rege a orquestra que toca mas não interpreta. Não há emoção em sua música porque os instrumentistas só estão preocupados em tocar certo, o que é bem diferente de tocar certo e com alma. Desta forma o maestro finge reger enquanto apenas comanda.

Cito abaixo algumas dentre tantas aberturas que podem gradativamente gerar algo mais próximo ao que se deseja quando falamos de gestão humanizada.

Acolher a história – Vivemos um momento de profunda intolerância em todo o mundo por não acolhermos histórias. Nós seres humanos nos explicamos existencialmente por meio de nossas histórias, muitas vezes até nos confundimos com ela.

Todos nós atuamos dentro daquilo que conhecemos, e na maioria das vezes nossa história torna compreensível nossas ações. A falta do acolhimento destas histórias nas organizações é fruto do pensamento da existência de uma verdade única que explica tudo e a todos, esta verdade geralmente é a “minha” verdade.

Respeitar a individualidade, acolher outras verdades não significa necessariamente concordar, se submeter ou ser controlado por ela, significa apenas acolher a verdade do outro como sendo tão legitima como a sua própria verdade.

Ao fazer isso a intolerância se abranda e abre-se um espaço para uma conexão “mais humana”. Esta ação está bem próxima do verdadeiro sentido da palavra humildade, que é justamente não se colocar acima ou adiante dos outros.

Como adotar a gestão humanizada nas organizações?

Promover amplamente a Criatividade – Em geral as organizações buscam pessoas que sejam criativas mas delimitam a criatividade ao propósito de promover algo que inove dentro do que existe. Criatividade é um momento, uma inspiração, não é lógica nem racional e flutua entre os potenciais disponíveis e as possibilidades futuras.

Limitar esta criatividade aos propósitos específicos é racionalizar algo intuitivo. Ao fazer isso, corre-se o risco de perder a oportunidade de ideias inovadoras e verdadeiramente transformadoras. O perigo é promover ações de abertura controlada para possibilidades racionais de mudança, achando que isso é criatividade.

Promover a criatividade é dar espaço ao intuição, a arte, a parte mais suave da dimensão humana, é trabalhar e “interpretar” como se fosse uma orquestra que toca de corpo e alma. A criatividade não deve ser um privilégio de poucos, mas um recurso incentivado a todos.

Flexibilidade e leveza pueril – Ao longo de nossa vidas acumulamos conhecimentos que explicam cada vez mais como funciona o mundo. Isso nos torna cada dia mais “sabidos” e próximos da verdade. Neste princípio ensinamos aos novos, aos que chegam na organização, como as coisas funcionam (ou deixam de funcionar).

Quanto mais conhecemos e nos sedimentamos na organização menos flexíveis nos tornamos. Quem chega a organização pode trazer contribuições valiosas, desde que haja um ambiente fértil.

Promover relacionamentos mais leves, em que falhas sejam vistas como oportunidade de aprendizagem. “Esquecer” conhecimentos fortemente arraigados e valorizar a flexibilidade em contrapartida desta rigidez de pensamentos, é como voltar a ser criança, que nos permite “programar” ou “reprogramar” um mundo emergente.

Dar espaço para a espiritualidade – Em algum momento de nossa história nós seres humanos fomos divididos em corpo e alma. Separaram nosso direito de existir como um só. Nossos afazeres quando somos “corpo” dizem respeito ao trabalho e enquanto somos “alma” dizem respeito a religião.

Como se fosse possível fragmentar nossa existência e nossas emoções, como se tudo isso estivesse dentro de uma suposta “cabine de comando” do ser humano. A espiritualidade passou a ser sinônimo de religião.

Espiritualidade é simplesmente o reconhecimento que somos algo além de corpo, esta energia que nos permite conexão com uma consciência maior e se expressa na relação entre o universo e individuo. Compreender esta relação é dar início ao pensamento sistêmico.

Abrir espaço para a espiritualidade é valorizar as dimensões mais sutis do ser humano, neste espaço se expressam as emoções. A felicidade, a confiança, o comprometimento, a colaboração nascem e florescem frequentemente do cultivo desta espiritualidade, ela possibilita a compreensão de um sentido mais amplo nas ações empreendidas.

A raiva, o remorso, o ódio a desconfiança são mais comuns em ambientes em que os propósitos não ultrapassam os limites do próprio ego. Trabalhar a espiritualidade é diminuir o ego, é valorizar e compreender o todo, é oferecer uma visão além dos resultados imediatos, é promover uma consciência acerca das ações empreendidas.

Promover hábitos saudáveis e incluir a corporalidade na aprendizagem – Todos nós passamos por experiências em que o corpo nos diz algo. Aquele dia em que a pessoa está triste e “do nada” vem uma vontade de sair para dançar, pois é o corpo pedindo para mudar o astral.

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Todos nós temos estados de ânimo e estes estados de ânimo se relacionam com as possibilidades futuras. O corpo expressa o estado de ânimo. O inverso também é verdadeiro, o corpo em movimento nos ajuda a encontrar um novo estado de ânimo.

Envolver a corporalidade na aprendizagem é fundamental, isso não é somente relacionado a experiência prática, é também o sentido verdadeiro da frase “incorporar a aprendizagem”.

Um exemplo para entender como podemos incorporar o corpo na aprendizagem é observar outras pessoas, quando elas falam, o que o corpo delas fala? Está em sintonia com o pensamento? Ou ela “caminha” para um lado e “pensa” para outro? Se trouxermos esta observação para nós mesmos, como está esta coerência em nós?

Veja bem, não estou considerando possíveis discursos com o propósito de iludir, estou considerando aquilo que verdadeiramente se acredita. Envolver a corporalidade nos processos de aprendizagem é uma proposta da gestão humanizada.

Estas são apenas algumas dentre tantas possibilidades e caminhos em busca de uma gestão humanizada. O importante é ter a consciência que estas propostas devem ser movimentos graduais e naturais. Humanizar a gestão, contempla a espontaneidade e se estas propostas forem “forçadas” não haverá humanização mas sim, uma repetição do controle de como devem ser as coisas, como se o gestor dissesse: “Sejam humanos desta forma, fazendo isso”, e não vai funcionar.

É importante que os gestores ao tomar iniciativas de gestão humanizada, reflitam se estão saindo do ciclo de controlar e predizer ou se estão repetindo a máxima em que cada vez mais máquinas devem ser parecidas com humanos e os humanos por sua vez, cada vez mais parecidos com máquina

Gostou de saber sobre a gestão humanizada? Sim, não… Comente abaixo!

 

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