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Habilidades de liderança em tempos de pandemia

Já era muito desafiador liderar pessoas antes da pandemia do covid 19, por vários motivos, entre eles, a crescente diversidade em termos de gerações, gêneros, raça, cultura, crenças, valores, visões de mundo…etc. Quem liderou times multidisciplinares e multiculturais antes da pandemia provavelmente se conecta com todas as particularidades da arte de liderar mesmo sem a pandemia.

Na esteira dos desafios, está a própria globalização, como uma realidade que trouxe um colaborador mais bem informado e todos os ganhos e dificuldades com isto. Por volta de 2011, quando eu conduzi sessões de coaching para um executivo principal de um cliente do segmento financeiro, discutíamos na época, as dificuldades em engajar e inspirar novas gerações, potenciais extremamente relevantes para as transformações tecnológicas que viriam nos anos seguintes.

Nesta mesma época fui Coach de um executivo brasileiro que vivia na Indonésia e tinha enormes dificuldades em alinhar objetivos e estratégias com os seus três Gestores que viviam em países diferentes. Discutíamos a importância de influenciar os diferentes ângulos da estrutura organizacional, considerando diferentes culturas e níveis hierárquicos. Mas, então, quais são as mudanças que a pandemia impôs aos líderes de fato?

Nova call to action

Talvez seja razoável dizer que uma das grandes transformações impostas pela pandemia foi a inclusão da tecnologia de uma forma totalmente nova e intensa. Como líderes, tivemos que fazer as coisas acontecerem utilizando, bem ou mal a tecnologia. Alguns líderes se sobressaíram perante outros, seja pela natureza de seu trabalho, segmento da sua empresa e necessidades inerentes à função, exemplo: um gestor da área de tecnologia provavelmente pode encarar este novo momento de uma forma mais avançada ou mesmo líderes de empresas de tecnologia, e-commerce dentre outras. Olhando por este prisma é possível destacar uma habilidade imprescindível: aprender a aprender e aprender a desaprender, durante não só o período de trabalho, mas, durante o dia a dia, nas relações familiares e pessoais.

O conceito de Lifelong learning reforça a necessidade de uma aprendizagem constante e, este, provavelmente será o nome do jogo durante e após a pandemia.  Dentro deste contexto, surgem outros elementos que fazem parte deste aprendizado constante: como a curiosidade, a vontade de se superar e fazer as coisas de um jeito diferente, assumir possíveis riscos com erros e acertos e desapegar de “velhos conceitos”.

Não há idade nem classe social para o aprendizado constante, o fato é que este conjunto de habilidades precisam ser aprimorados, não só uma vez por ano, mas continuamente. É preciso ressignificar o processo de aprendizagem como um valor e não uma obrigação, que precisa ser constante e não pontual. Esta capacidade de adaptação à um mundo híbrido e mais flexível será chave para continuar no mercado. Parafraseando o Charles Darwin: “Não é o mais forte que sobreviverá, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adaptar às mudanças.”

E aí vão dicas simples:

  • Não se subestime; acredite em seu potencial. Algumas pessoas criam seus próprios muros, verdadeiras barreiras internas, pensamentos do tipo: não entendo muito de tecnologia, nunca vou melhorar, preciso de ajuda…etc. São bloqueios que precisam ser superados.
  • Adquira o hábito de fazer coisas de formas diferentes, aproveitando o conhecimento do time, dos mais jovens ou dos colegas mais tecnologicamente conectados. Filhos sobrinhos, enteados podem ajudar muito.
  • Não tenha receio de dizer “não sei”. Como diria Brené Brown, a vulnerabilidade é a porta para a inovação.
  • Estude continuamente, mesmo à distância. Estima-se que o conhecimento humano dobra a cada ano. Há uma previsão da IBM de que o conhecimento irá dobrar a cada 12 horas. Não se trata de dizer que a cada 12 horas teremos um novo iphone, ou um novo tipo de Airbnb ou uma nova tecnologia neste tempo. Há uma previsão de que a reinvenção de velhas ideias acontecerá de forma exponencial.

Por fim, além de todas estas habilidades, surge a necessidade de um líder mais empáticogeneroso e autêntico. Estamos liderando pessoas que estão de alguma forma mais vulneráveis e solitárias e, como dica para melhorar nesta habilidade, procure se adaptar à linguagem e à realidade de seus liderados, como disse Mandela: “Se você falar com um homem numa linguagem que ele compreende, isso entra na cabeça dele, mas se você falar com ele em sua própria linguagem, você atingirá seu coração.”

Sobre a autora:

– SILVANA MELLO (ESPECIALISTA EM DESENVOLVIMENTO HUMANO DA TCS – TALENT CREATIVE SOLUTIONS): é psicóloga, mestre em Administração de Empresas pela PUC de São Paulo, pós graduada em Marketing pela FAAP,  especialista em desenvolvimento de executivos(as).

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