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Humanização no trabalho, dinheiro e prazer

Humanização no trabalho, dinheiro e prazer: Esta é uma carta aberta a empresários, presidentes, diretores e gerentes em um primeiro escalão, para supervisores, coordenadores, chefes (ainda existem?), profissionais que comandem equipes e para as equipes propriamente ditas.

Sou um mero ser humano, que trabalha há mais de 40 anos, sempre preocupado com gente, com o ambiente em que se convive, em como ganhar dinheiro e dar sustentabilidade aos sonhos de cada um e finalmente, ter prazer em exercer uma profissão e se relacionar com outras pessoas.

Para humanizar um ambiente, eu gostaria que vocês de uma vez por todas parassem com as ameaças de sempre, envolvendo o discurso de ter de atingir metas ou…, de colocar pessoas na parede dizendo que o mercado de trabalho está cheio de gente para contratar se os daqui não fizerem direito; de quem tem problemas os deixe do lado de fora e só trabalhem; de que aqui não é lugar para brincadeiras; de quem tem juízo obedece etc. etc.

Nova call to action

Queria entender do fundo do meu coração, se vocês não acham que nós também não gostamos de dinheiro, que os Clientes não gostam de ser atendidos por gente feliz (que reproduz com eles, o tratamento interno recebido) e se humanização, dinheiro e prazer não é uma trilogia, associada a gostar do que faz, ser uma equipe com muitas amizades e exercer a criatividade.

Pretendia já ter visto a trilogia que leva o título deste artigo, já implantada na década de 80 ou colocada em prática na década de 90, reinventada nos anos 2000, e todos ganhando dinheiro, tempo, energia e entendendo trabalho como algo maior e importante, ou seja, evolução. Sem se sentir menor e apenas um número.

Para se humanizar, ganhar dinheiro (muito é possível para muitos) e ter prazer é preciso acabar com preconceitos, com terrorismos, com assédios morais, com seduções hierárquicas sem graça e com a criação da competitividade. Um capítulo a parte sobre competição: alguém bem lá atrás, foi muito inteligente (???) em criar essa ideia de se competir no mesmo ambiente, como em uma maratona, esquecendo a competição que já existia com empresas rivais e transformando a obrigação de crescimento para ser colocada como paranoia e como visão de que o colega é adversário (como em um vestibular). Se ele cresce, vai me ameaçar, então tenho de ameaçá-lo primeiro.

Senhores, não é preciso pontes de safena, ataques cardíacos, UTI´s e outros choques para se reciclar ou aproveitar a vida como ela é: curta, para evoluir, fazer o bem e se divertir. Eu queria que vocês dessem respostas ao espelho, de como é ser temido e não querido; ser obedecido e não compartilhado; ser obrigado e não aceito e ser visto como o mais importante e não como um dos importantes para uma empresa. Enfim, ser visto como um senhor do poder, não por uma competência a ser seguida.

Humanizar, ganhar dinheiro e ter prazer, passa por ter orgulho, ser respeitado, ter as portas (e os corações) abertas para a família de cada profissional, usar a inteligência emocional, abrigar emoções, diversidade e humanidade integral. Ter resultados, conquistar mercados, crescer financeiramente, são normalidades para uma instituição, que não precisa ter isso como punição, como obrigação ou agressão. Isso é encarado e introjectado normalmente quando um ser humano é integrado de forma transparente e participativa. Não é preciso lembretes, sermões e lavagens cerebrais.

Prezados responsáveis, de que adianta ISO, SASSMAQ, certificações várias, tecnologia, softwares para Clientes, escritórios de último tipo, multifuncionalidade e domínio de vários idiomas, se a regra básica não for implantada: convidar as pessoas para crescerem juntas, possibilitar o desenvolvimento pessoal, instigar o autoconhecimento e investir. Investir em treinamento e desenvolvimento, não considerando esta prática como despesa. Investir em VALORIZAÇÃO E RECONHECIMENTO.

Senhores do olimpo: vocês imaginam o que é ser advertido (ou esculhambado) por alguém na frente de outros? Vocês sabem que autoestima no rodapé não possibilita desempenho aceitável ou sentimento positivo quando se chega a casa e quando se sai dela? Vocês percebem pessoas felizes e motivadas e as diferem de zumbis e mortos-vivos que perambulam em um ambiente de trabalho?

Vocês humanizando, conquistam gente e comprometimento. Vocês clareando metas, transparecendo objetivos, pedindo ajuda, conseguem ganhar dinheiro, manterem-se sem problemas no mercado de trabalho e para se ter prazer, é preciso ser significativo, ter um propósito, sentir-se inovando, saindo da zona de conforto e economizando tempo para sobrar tempo para coisas maiores.

Já não é tempo de se criar um happy hour diário, sem hora marcada ou fora da empresa? Acabar com fofocas?

Enfim, gostaria que lessem minha carta ou como desabafo, ou como um SOS, ou ainda como uma advertência para ligar um alarme, que dispare ao menor sinal de insatisfação, robotização ou tédio. Deve haver uma explosão de alegria, uma retomada do significado de trabalhar. E bom final de semana. E ótima segunda-feira.

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